A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (8), um projeto de lei que torna crime a aproximação voluntária do agressor à vítima quando houver medida protetiva em vigor, mesmo com o consentimento expresso dela.
Pelo texto, o descumprimento se configura independentemente do local -seja no ambiente de trabalho, na residência ou em qualquer outro espaço delimitado por decisão judicial
O projeto foi aprovado na Câmara por 302 votos a favor e 99 contrários. Agora, o texto segue para análise do Senado.
A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) afirmou que quem se opõe ao projeto, que foi chancelado pela bancada feminina, ignora uma realidade frequente, que muitas mulheres são coagidas ou forçadas a permanecer próximas de seus agressores, mesmo após a violência.
“Mesmo quando conseguem medida protetiva e estão convictas de que precisam manter distância dos agressores, muitas mulheres acabam sendo coagidas a adotar uma posição diferente -a abrir uma exceção, a não ponderar os riscos que a presença do agressor representa”, disse.
“E esse agressor, muitas vezes, também é o responsável por agredir seus filhos. A violência doméstica infelizmente atinge toda a família. É por isso que queremos avançar no projeto de lei, para garantir que mulheres com medida protetiva não sejam obrigadas a estar perto de seus agressores em hipótese nenhuma”, acrescenta.
Segundo a relatora do projeto, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), reconhecer como crime a violação da medida protetiva de proibição de aproximação ou contato com a ofendida é reforçar o compromisso estatal com a repressão da violência contra a mulher.
“A alteração proposta protege a mulher do seu estado de hipervulnerabilidade, que a torna especialmente exposta a violência e a ameaças”, disse a deputada no parecer.
O descumprimento de medida protetiva de urgência, previsto na Lei Maria da Penha, já é considerado crime desde 2018, com pena de detenção de dois a cinco anos caso o agressor desobedeça uma decisão judicial.
Nesses casos a prisão em flagrante pode ser convertida em preventiva (sem prazo) se o juiz identificar risco à integridade física ou psicológica da vítima.
Delegada no Distrito Federal e doutora em sociologia, Cyntia Carvalho e Silva, enxerga com preocupação o projeto por ferir a autonomia da vítima.
Na sua avaliação, quando se parte do pressuposto de que a vítima é incapaz de decidir, corre-se o risco de generalizar as experiências das mulheres e negar a elas o poder de decisão sobre suas próprias vidas.
“A vítima pode ter diversos motivos para consentir o contato com o agressor. Ao tornar as medidas protetivas cada vez mais punitivistas, corre-se o risco de afastar mulheres do sistema de proteção e incentivar ainda mais a subnotificação dos casos”, disse.
Para Silva, embora a Lei Maria da Penha tenha sido concebida como um marco normativo inovador -articulando medidas repressivas, protetivas e preventivas- para a abordagem de um problema complexo que é a violência doméstica, as tentativas subsequentes de alteração legislativa têm priorizado o reforço do punitivismo.
Com informações do Jornal de Brasília
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara
Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…
-
Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza
Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…
-
Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a
Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…
-
Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol
Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…
-
Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso
Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…
-
Pré-candidata ao Senado, Erika Kokay critica silêncio sobre ataques misóginos e cobra posicionamento de lideranças
Jornal Taguacei – A deputada federal e pré-candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal, Erika Kokay (PT), criticou, nesta sexta-feira, o que classificou como omissão de lideranças políticas diante de episódios de misoginia e ataques contra mulheres. Em pronunciamento, a parlamentar afirmou que o silêncio diante dessas situações representa uma forma de consentimento. Segundo Erika…
-
Tarifaço dos EUA contra o Brasil vai além da economia e amplia disputa política internacional
Especialistas apontam que medidas anunciadas por Donald Trump refletem uma estratégia geopolítica que pode influenciar o cenário político brasileiro às vésperas das eleições de 2026 O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deixou de ser interpretado apenas como uma decisão comercial. Para economistas e especialistas em relações internacionais, o chamado “tarifaço”…
-
Brasil por elas? Flávio Bolsonaro reduz Lei Maria da Penha a “pedaço de papel” e amplia desgaste com eleitorado feminino
Após lançar um programa para atrair mulheres para o bolsonarismo, senador minimiza principal lei de combate à violência doméstica, é rebatido por Jandira Feghali e reacende debate sobre misoginia na política brasileira A poucos dias do início das convenções partidárias que darão forma à disputa presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao…











