A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu, nesta quarta-feira (8), a 6ª Reunião Técnica de 2025, com foco no debate sobre as diretrizes de mobilidade previstas no novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF (PDOT). O evento, realizado na Sala de Comissões da CLDF, contou com a presença de parlamentares, especialistas, arquitetos, urbanistas e representantes da sociedade civil organizada.
O objetivo da reunião foi discutir como o novo plano pode contribuir para uma cidade mais acessível, integrada e menos dependente do automóvel, temas considerados centrais para o desenvolvimento urbano sustentável do Distrito Federal.
“O PDOT decide o futuro da cidade: onde as pessoas vão morar, trabalhar e ter acesso a serviços. Por isso, ele precisa ser construído com a população e com um olhar que coloque o transporte e a mobilidade como parte essencial desse planejamento”, destacou o deputado Max Maciel (Psol-DF), presidente da CTMU.
A mobilidade urbana foi abordada como um tema transversal que perpassa o uso do solo, a drenagem urbana, a arborização e a inclusão das periferias no planejamento territorial.
Entre os convidados, a arquiteta e urbanista Ludmila Correia, do coletivo PANÃ – Arquitetura Social, trouxe um olhar crítico e vivencial sobre as falhas recorrentes na execução de projetos urbanos e o impacto na vida das pessoas, especialmente nas periferias.
“Às vezes, temos diretrizes maravilhosas nos planos, mas que não são implementadas. O grande salto que este PDOT precisa dar é garantir instrumentos de execução, monitoramento e prazos. Senão, fica só no papel”, afirmou Ludmila, que também integra o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-DF) e participou do Comitê de Gestão Participativa (CGP) do PDOT.
Durante sua fala, a urbanista apresentou imagens de diferentes regiões do DF para ilustrar a precariedade da infraestrutura urbana entregue em áreas recém-urbanizadas, como o Alto Mangueiral e o Sol Nascente. A ausência de calçadas, drenagem eficiente e arborização adequada revela, segundo ela, a desconexão entre planejamento e realidade.
“Não adianta falar de calçada permeável se a execução é feita com concreto embaixo do piso. A água não infiltra. Isso acontece porque os projetos são pensados de cima, sem envolvimento com os territórios”, disse.
Mobilidade ativa e participação popular
Ludmila identificou três pontos cruciais no novo PDOT para que a mobilidade urbana avance de fato. A primeira é a gestão integrada do uso do solo: “É essencial integrar os planos locais de mobilidade com os Planos Diretores Locais (PDLs), com equipes presentes nos territórios para acompanhar execução”. Outro ponto é a mobilidade ativa e a ideia de cidade de 15 minutos no qual é possível resolver tudo próximo de casa, preferencialmente a pé, o que exige rever o modelo de ocupação urbana.
Por fim, a redução da dependência do automóvel. “Até quem anda de carro preferiria não usar. Eu mesma tenho fibromialgia e, sem carro, tenho sentido menos dores. Precisamos oferecer transporte público de qualidade e acessível”, completa.
A reunião também destacou a importância da participação popular não apenas na construção das diretrizes, mas também na definição de prioridades de investimentos em mobilidade. “O fundo que financia essas obras precisa ter participação social, porque é a comunidade que sabe o que precisa. Viadutos não resolvem o problema de mobilidade; transporte público sim”, pontuou a urbanista.
A CTMU reforçou que seguirá promovendo espaços de escuta e construção coletiva durante a tramitação do PDOT na CLDF. A reunião foi aberta ao público e transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.
*Com informações do Brasil de Fato
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