A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já provoca consequências que vão muito além do Oriente Médio. Ao dar sinal verde para o ataque contra o território iraniano, Donald Trump atrasou seus próprios planos de levar paz para o Cáucaso no conflito histórico entre Armênia e Azerbaijão.
Paz entre Armênia e Azerbaijão
- Uma guerra entre Azerbaijão e Armênia explodiu no fim da década de 1980, e envolvia questões territoriais e étnicas.
- A questão envolvia a região autônoma de Nagorno-Karabakh. O enclave era habitado, historicamente, por armênios étnicos mas está localizado dentro do território do Azerbaijão.
- Entre os anos 1980 e 2023, três guerras entre Armênia e Azerbaijão aconteceram por conta do território.
- Há cerca de 3 anos, o governo do Azerbaijão retomou o controle de Nagorno-Karabakh, e forçou o deslocamento de milhares de armênios que viviam na região.
- Os dois países assinaram um acordo de paz em agosto de 2025.
Os dois países chegaram a assinar um acordo de paz em agosto do último ano, com a mediação de Trump. Mas, após o conflito no Irã respingar diretamente no Azerbaijão, as conversas para a implementação do pacto parecem ter ficado em segundo plano.
Na quinta-feira (5/3), o governo do Azerbaijão acusou o Irã de bombardear o Aeroporto Internacional de Naquichevão — enclave azeri localizado na Armênia — com drones. Por isso, o presidente azeri, Ilham Aliyev, colocou as Forças Armadas do país em prontidão.
“Nossas Forças Armadas — o Ministério da Defesa, o Serviço Estatal de Fronteiras e todas as unidades das Forças Especiais — foram colocadas no mais alto nível de prontidão para combate e estão preparadas para realizar quaisquer operações necessárias”, disse Aliyev durante reunião do Conselho de Segurança do Azerbaijão.
O Irã, que possuí uma aliança histórica com a Armênia, negou ter atacado o aeroporto do enclave azeri.
Rota Trump para a paz
Em agosto de 2025, os dois países assinaram um acordo de paz com a mediação do líder norte-americano. Com isso, tensões de 37 anos envolvendo o enclave armênio de Nagorno-Karabakh foram encerradas, ao menos no papel.
No pacto de 17 artigos, ambas as nações concordaram em respeito mútuo a soberania nacional, a delimitação de fronteiras entre os dois países e o não-uso da força. Mas o que chamou atenção nas negociações do último ano foi um dos pontos da declaração trilateral assinada por Armênia, Azerbaijão e EUA, que diz respeito a uma possível “rota da paz” que levará o nome de Trump.
Chamada de “Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional (TRIPP), o objetivo da ação é construir um corredor que cortará a Armênia, ligando o Azerbaijão ao enclave azeri de Naquichevão, localizado no território armênio. Com isso, a conexão entre a nação azeri e a Turquia, um de seus principais aliados na região, também seria facilitada.
Golpe
Na prática, a criação do corredor representa um duro golpe para a Rússia, que passou a perder influência na região das duas ex-repúblicas da União Soviética depois da última guerra entre Azerbaijão e Armênia, em 2023. Na época, Erevan acusou Moscou de abandonar o país e os armênios étnicos que vivam em Karabakh.
Além disso, o TRIPP abriria brechas para os EUA e aliados manterem presença na fronteira com o Irã, ainda que os termos do acordo não incluam o envio de tropas militares para a região.
Segundo documentos divulgados pela Casa Branca, o projeto deve possuir cerca de 43 km de extensão, e tem como objetivo fomentar o comércio na região.
A previsão é de que os Estados Unidos exerçam influência direta na construção da TRIPP. De acordo com arquivos do Departamento de Estado norte-americano, isso ocorre porque uma empresa será criada, única e exclusivamente, para realizar o projeto. Os direitos de participação serão divididos, durante um período inicial de 49 anos, em 74% para Washington e 26% para Erevan.
Um documento com o quadro para a implementação da rota entre que cortará a Armênia foi divulgado em janeiro deste ano, após reunião entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler armênio, Ararat Mirzoyan.
Desde então, negociações diplomáticas para tirar o projeto do papel continuam entre Washington, Erevan e Baku. Alguns pontos, como divergências no Parlamento da Armênia, e críticas da população civil que enxerga o TRIPP como uma oportunidade do Azerbaijão se instalar no território do país, têm travado a implementação do plano.
Com informações do portal Metrópoles
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