Promotoria pede até 12 anos de prisão para equipe médica que atendeu Maradona

Imagem relacionada ao julgamento na Argentina sobre a morte do ex-jogador Diego Maradona e a atuação da equipe médica que o atendeu.
Foto: STRINGER/AFP

TaguaCei — A Promotoria argentina pediu penas de quatro a 12 anos de prisão para seis integrantes da equipe médica que acompanhou Diego Maradona durante sua internação domiciliar, antes da morte do ex-jogador, em novembro de 2020. As solicitações foram apresentadas na quinta-feira (8), durante a fase de alegações finais do julgamento realizado em San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires.

O promotor Patricio Ferrari solicitou 12 anos de prisão para Leopoldo Luque, médico pessoal de Maradona; 10 anos para Nancy Forlini, coordenadora de uma empresa de assistência médica privada; e oito anos para Agustina Cosachov, psiquiatra do ex-atleta. Para os três, também foi pedida a proibição de exercer a profissão por dez anos.

Os profissionais respondem por homicídio com dolo eventual, classificação jurídica que pressupõe que o acusado tenha previsto a possibilidade de provocar a morte e assumido esse risco.

Durante a apresentação das alegações, Ferrari afirmou que os integrantes da equipe médica tinham consciência dos riscos associados à assistência prestada ao ex-jogador. A defesa dos acusados, por sua vez, sustenta que eles não são responsáveis pela morte.

Outros profissionais também foram acusados

A Promotoria pediu cinco anos de prisão para um psicólogo e quatro anos para um enfermeiro e o coordenador da equipe de enfermagem. Os três respondem por homicídio culposo, relacionado a ações ou omissões negligentes, sem a intenção de matar.

Segundo Ferrari, as condutas desses profissionais foram marcadas por negligência e imprudência. O promotor, no entanto, afirmou que, nesse grupo, não ficou caracterizada a indiferença ao risco atribuída aos acusados de homicídio com dolo eventual.

A acusação também pediu que os profissionais não sejam autorizados a deixar a Argentina, mas não solicitou a prisão imediata caso sejam condenados.

Em relação ao médico clínico Pedro Di Spagna, que também era investigado no processo, a Promotoria deixou de apresentar acusação. Após ouvir o pedido de absolvição, ele declarou a jornalistas que ainda não conseguia acreditar no desfecho.

Promotoria afirma que morte poderia ter sido evitada

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, após sofrer um edema pulmonar e uma parada cardiorrespiratória durante uma internação domiciliar em Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires.

O ex-jogador estava em recuperação de uma cirurgia para tratar um hematoma subdural, uma concentração de sangue entre o cérebro e sua membrana externa.

O promotor Cosme Iribarren afirmou que a morte poderia ter sido evitada e classificou o atendimento médico como inadequado. A acusação sustenta que a equipe não teria cumprido os cuidados necessários diante das condições de saúde do paciente.

As filhas do ex-jogador, Dalma, Gianinna e Jana, acompanharam a sessão. Durante a apresentação de imagens do pai já falecido, elas se emocionaram no tribunal.

Defesa contesta acusação

Os integrantes da equipe médica negam responsabilidade pela morte de Maradona. Após as alegações da Promotoria, o advogado de Agustina Cosachov afirmou que não há provas suficientes para caracterizar o dolo eventual no caso da psiquiatra.

O julgamento já havia realizado quase 45 audiências e ouvido mais de 100 pessoas, entre testemunhas e acusados. Com o início das alegações finais, o processo entrou na etapa decisiva, que deve incluir manifestações da Promotoria e das demais partes acusadoras ao longo de aproximadamente duas semanas.

A eventual responsabilização criminal dos profissionais dependerá da decisão judicial após a análise das provas e dos argumentos apresentados pela acusação e pelas defesas.

Fonte: Jornal de Brasília — AFP


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