Casa Justiça STJ adia decisão sobre futuro de Adriana Villela; entenda como ocorreu
Justiça

STJ adia decisão sobre futuro de Adriana Villela; entenda como ocorreu

Compartilhar
Compartilhar

O julgamento conduzido pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que analisa recurso sobre a condenação, em 2019, de Adriana Villela a 61 anos e três meses de prisão, foi adiado, nessa terça-feira (11/3), após duas horas e 25 minutos do início da sessão. Adriana é acusada dos assassinatos dos pais, José Guilherme e Maria Villela, e da empregada da família Francisca Nascimento, em 2009. 

Depois de o ministro-relator Rogerio Schietti Cruz acatar a solicitação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que pedia a prisão imediata de Adriana, e votar contra o pedido de recurso da defesa, o ministro e presidente da Sexta Turma do STJ, Sebastião Reis Júnior, pediu vista, o que adia a decisão da corte. De acordo com o regimento interno do STJ, o ministro terá, agora, um prazo de 60 dias — que pode ser prorrogado por mais 30 dias — para analisar o processo.

Quando o julgamento for retomado, além do voto de Schietti, outros quatro ministros — Antonio Saldanha Palheiro, Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Otávio de Almeida Toledo — deverão expor seus posicionamentos sobre o processo. 

“Confiantes”

A defesa de Adriana Villela, representada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, mostrou-se confiante quanto ao andamento do processo. Apesar do voto do ministro Rogério Schietti, Kakay avaliou as justificativas do relator. “O ministro Schietti, que é muito técnico, fez um voto longo para dizer diversas vezes, de diversas formas, que não está comprovada, evidentemente, a responsabilidade de Adriana, mas que ele privilegia, por uma opção pessoal, que a soberania do júri, nesse caso, deve prevalecer”, pontuou o advogado, acrescentando que o magistrado deixou claro que não há nenhum fundamento para dizer que Adriana possa ser a responsável pelo crime.

Kakay ressaltou a importância da linha argumentativa do ministro, ainda que contrária. Para ele, está comprovada a inocência da arquiteta. “Não me cabe aprofundar agora, porque há um pedido de vista. São cinco ministros, têm quatro esperando. Vamos aguardar o julgamento”, ressaltou. O advogado afirmou que fará um memorial a ser entregue a todos os ministros.

No plenário, Kakay argumentou sobre as nulidades arguidas pela defesa no âmbito do processo. O advogado disse não ter tido acesso a todos os vídeos dos depoimentos, bem como as provas, que, segundo ele, foram negadas o acesso. Comentou, ainda, sobre um episódio de uma das juradas que teria postado conteúdos violentos em uma rede social contra o defensor. “Ao ser questionada pelo jurado, ela mentiu ao dizer que não tinha rede social”, frisou o advogado.

De acordo com Kakay, a defesa dispõe de provas irrefutáveis — tanto para o Ministério Público quanto para a polícia — sobre a inocência da arquiteta. “Montamos uma linha do tempo que ninguém pode contestar, desde cartões até o depoimento de testemunhas. Quem foi condenada foi uma imagem da Adriana Villela. Inventaram a tese de ganância”, disse.

A acusação 

Durante a sustentação oral no plenário do STJ, Marcelo Leite, promotor do MPDFT, reforçou a tese da acusação sobre o envolvimento no caso que ficou conhecido como Crime da 113 Sul. Segundo ele, havia provas suficientes para análise dos jurados que participaram do julgamento à época. “Todos os jurados tiveram acesso ao suposto álibi de Adriana, aos vídeos dos depoimentos e à reconstituição que teve a participação do próprio Leonardo Campos (condenado como um dos executores do crime)”, apontou. 

Após ler a carta encontrada no computador da mãe de Adriana Villela, escrita três anos antes do crime, considerada pela Justiça uma das provas principais de que Adriana foi a mandante do crime, o promotor declarou que havia, à época do julgamento, evidências claras, com base na escrita, de que a mulher era uma filha agressiva e completamente capaz de articular e encomendar o triplo homicídio. 

Marcelo Leite terminou a sustentação dizendo que a decisão, que esperava ser tomada ontem pela 6ª Turma STJ, diria sobre a credibilidade da Justiça do Brasil. “É chegada a hora do cumprimento da profecia”, finalizou, referindo-se à possibilidade de prisão imediata de Adriana. 

O voto 

Primeiro ministro a expor o voto, o relator Rogerio Schietti Cruz, posicionou-se a favor da prisão imediata da ré, além de destacar por várias vezes, enquanto lia todo o relatório, que não via qualquer possibilidade de revisão do julgamento realizado em 2019. Ele evidenciou que, em seu ponto de vista, a decisão do júri deve ser preservada. “Não vejo possibilidade de rever o mérito da soberania dos jurados, que ouviram as testemunhas, tiveram acesso às partes e, por fim, recolheram-se à sala secreta e julgaram a acusada.” 

O que disse o relator

Como justificativa para o voto, o relator Rogerio Schietti Cruz apresentou as seguintes considerações: 

— Há suporte probatório hábil a sustentar duas versões nos autos: a versão da acusação amparada em evidências, e a versão da defesa, também amparada em provas; 

— Os juízes naturais da causa escolheram a versão que lhes pareceu mais verossímil e decidiram o caso conforme suas convicções;

— Em juízo, foram produzidas provas sob o contraditório das partes e, independentemente, das que macularam partes das investigações, a permitir um julgamento hígido e a tornar legítimo o veredito alcançado pelos jurados;

— No processo penal brasileiro existem princípios e regras probatórias que conferem o mínimo de segurança para que a atividade de julgar casos criminais se realize de modo correto, racional e justificado (ampla defesa, inadmissibilidade de provas ilícitas, presunção de inocência, julgamento por juiz parcial e competente);

Relembre o caso

Os corpos dos pais e da funcionária deles foram encontrados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009. José Guilherme Villela, à época ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a esposa dele, Maria Villela, e a empregada doméstica Francisca Nascimento foram mortos a facadas. 

Quem encontrou as vítimas foi Carolina Villela, filha de Adriana, num apartamento do Bloco C da  113 Sul, onde o casal vivia. O trio recebeu, ao todo, 78 facadas. A investigação do caso, que ficou conhecido como o Crime da 113 Sul, é marcada por reviravoltas e situações que envolvem até mesmo a polícia. 

Após troca de comando nas investigações, foram presos três pessoas: Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio onde o casal morava; Paulo Cardoso Santana, sobrinho de Leonardo; e Francisco Mairlon Barros Aguiar. Em 2012, os assassinos confessos foram condenados a 55 anos de prisão pelo júri popular.

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…

  • Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…

  • Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…

  • Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…

  • Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…

  • Cresce expectativa pela delação de Vorcaro; entenda o passo a passo

    Cresce expectativa pela delação de Vorcaro; entenda o passo a passo

    Caso feche um acordo de colaboração premiada, o banqueiro deverá seguir um fluxo técnico e apresentar provas materiais da versão dele A manutenção da prisão e as trocas no time de advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aumentaram as especulações sobre uma possível delação premiada do banqueiro. Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, na Penitenciária Federal de Brasília. A prisão…

  • Defesa aguarda laudo para pedir pisão domiciliar a Bolsonaro, diz Flávio

    Defesa aguarda laudo para pedir pisão domiciliar a Bolsonaro, diz Flávio

    Senador e pré-candidato à Presidência visitou o pai na noite desta sábado (14/3) no hospital onde o ex-presidente está internado A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  aguardará a finalização de um laudo médico para ingressar com um novo pedido de prisão domiciliar humanitária. A informação foi passada na noite deste sábado (14/3) pelo senador Flávio…

  • Brasil vive onda de recuperações judiciais e extrajudiciais

    Brasil vive onda de recuperações judiciais e extrajudiciais

    Grandes corporações e agronegócio lideram o movimento, que deve continuar nos próximos meses, segundo analistas, impulsionado por juros altos, endividamento e fragilidades estruturais O Brasil encerrou 2025 registrando um marco histórico nos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial, com mais de cinco mil empresas buscando reorganizar suas finanças. O agronegócio, tradicional motor da economia, liderou…

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

Dinheiro, jatinhos e ameaças de morte:

os bastidores da prisão de Daniel Vorcaro parecem roteiro de filme de...

Escândalo sem precedentes! A tentativa de incriminar o ministro Alexandre de Moraes

através de supostas mensagens vazadas está desmoronando e a verdade é muito...

PT, Rede, PDT, PCdoB e PV apresentaram no STJ uma Notícia de Fato

PT, Rede, PDT, PCdoB e PV apresentaram no STJ uma Notícia de...