Novo vai ao Supremo Tribunal Federal pela instalação do Conselho de Ética no Senado. E Zema acusa o presidente do Congresso de travar CPMI do Master
O partido Novo ingressou, ontem, com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a instalação imediata do Conselho de Ética do Senado. A medida vem depois de o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ser citado em uma reportagem da revista Veja, segundo a qual ele teria recebido cerca de US$ 30 milhões — aproximadamente R$ 155 milhões — de Daniel Vorcaro. A publicação afirma que o valor foi depositado em uma conta secreta no exterior e repassado ao parlamentar, em razão de apoio dado a uma demanda de interesse do Banco Master numa operação intermediada por Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro.
Alcolumbre afirmou que adotará medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra os responsáveis pelas acusações da revista. Por nota, a assessoria da Presidência do Senado classificou como falsos os dados da reportagem. E garantiu que o senador nunca recebeu qualquer quantia, dentro ou fora do Brasil, e que exigirá dos autores a apresentação de provas sobre o que publicaram.
“As alegações publicadas pela revista Veja envolvendo o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, são absolutamente falsas, não procedem e serão enfrentadas com a máxima firmeza”, frisa o comunicado oficial.
Por sua vez, para o Novo a não instalação do Conselho de Ética configura uma omissão institucional por parte da Mesa Diretora do Senado. O partido argumenta que a paralisação do órgão impede não apenas o andamento da representação apresentada contra Alcolumbre, mas também a análise de dezenas de outras denúncias e petições que aguardam apreciação.
Segundo o senador Eduardo Girão (Novo-CE), a ausência do colegiado compromete mecanismos de controle e fiscalização internos da Casa. A representação, conforme disse, salienta a suposta omissão institucional e abuso de prerrogativas, incluindo a não instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master.
“Até hoje não houve qualquer providência. Agora, diante das novas revelações divulgadas pela imprensa, estamos recorrendo ao STF para garantir que o Conselho de Ética seja instalado e que as denúncias possam ser analisadas pelas instâncias competentes”, afirmou Girão.
No mandado de segurança, o Novo pede que o Supremo determine à Mesa Diretora do Senado a adoção das medidas para a eleição dos integrantes e a instalação do Conselho de Ética. A legenda sustenta que a inatividade do órgão esvazia a prerrogativa constitucional dos partidos políticos de apresentar representações por quebra de decoro parlamentar.
Ataque
Em reforço à representação no STF, o pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, partiu para o ataque a Alcolumbre. Em vídeo publicado nas redes sociais, referiu-se à reportagem ao afirmar que “R$ 155 milhões foi o preço do silêncio no Senado”.
“Depois dessa reportagem da Veja, a gente sabe o verdadeiro motivo do Alcolumbre se recusar a pautar a CPMI do Banco Master. Tem mais de 280 assinaturas pedindo a CPMI. Mesmo assim, ele, presidente do Senado, se recusa a instalar a investigação. Agora nós sabemos o porquê”, acusou Zema.
Alcolumbre, inclusive, deixou claro que não pretendia instalar a CPMI. “Esse assunto não pode ser prioritário neste momento. Essa sessão (do Congresso) foi convocada pela sensibilização que foi feita com mais de 4 mil prefeitos no encontro na XXVII Marcha dos Prefeitos a Brasília”, disse, na sessão conjunta de Senado e Câmara, em 21 de maio de 2026.
O caso do Master vem tangenciando Alcolumbre desde que as investigações da Polícia Federal (PF) levantaram que a Amapá Previdência (Amprev) — que administra aposentadorias e pensões do funcionalismo amapaense — investiu R$ 400 milhões em letras financeiras do banco de Vorcaro. A apuração aponta crimes de gestão temerária e fraudulenta, com diretores da autarquia estadual ignorando alertas de risco para realizar a operação.
O ex-diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, foi o principal alvo da Operação Zona Cinzenta, desfechada pela PF. Ele foi tesoureiro de Alcolumbre na campanha de 2022, embora o senador não figure entre os investigados.
Os agentes que cumpriram os mandados de busca e apreensão nos endereços ligados a Jocildo suspeitam de que houve vazamento de informações, pois quando chegaram à sua residência, ele não estava e tinha saído com um telefone celular recém-habilitado. O aparelho antigo havia sido entregue por ele a um amigo, sob a justificativa de estar com a “tela danificada”. Jocildo, porém, pediu exoneração do comando na Amprev.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, o avanço das investigações da PF sobre o Master estaria na raiz do afastamento de Alcolumbre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Inclusive, segundo fontes da base, a rejeição ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a 11ª cadeira do STF e o avanço das “pautas bomba” no Senado — que pode gerar um rombo de quase R$ 300 bilhões nas contas públicas — seria uma forma de o presidente do Congresso pressionar o governo a, de alguma forma, protegê-lo dos efeitos de eventuais conexões com Vorcaro.
O caso Master deu origem a pelo menos quatro pedidos de investigação no Congresso — duas CPIs e duas CPMIs apresentadas por parlamentares da oposição e da base governista. Nenhuma avançou. Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) adiantou que o pedido protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) seguirá a ordem cronológica dos requerimentos. Segundo Motta, há uma fila de pedidos de CPI e do Master não receberá tratamento prioritário.



