Após IPO da SpaceX, empresário sul-africano torna-se a primeira pessoa a acumular fortuna superior a US$ 1 trilhão
O megaempresário sul-africano Elon Musk tornou-se o primeiro trilionário em dólares do mundo após a abertura de capital da SpaceX, empresa do setor aeroespacial fundada por ele. O marco foi alcançado depois de as ações da companhia serem precificadas em US$ 135 cada pouco antes da oferta pública inicial (IPO), garantindo a Musk cerca de US$ 860 bilhões em participação acionária apenas na empresa de foguetes.
A valorização dos papéis da SpaceX, após o início das negociações no mercado, somada à participação do empresário na montadora de carros elétricos Tesla, fez com que a fortuna de Musk ultrapassasse a marca de US$ 1 trilhão.
Parte da participação de Elon Musk na SpaceX permanece bloqueada até que uma meta seja cumprida. Ele possui cerca de 1 bilhão de ações restritas, cuja venda está condicionada à criação de uma colônia humana em Marte, objetivo que a própria empresa considera improvável no momento. Apesar disso, esses ativos podem ser utilizados como garantia para obtenção de empréstimos bilionários e permite acesso a recursos financeiros sem a necessidade de venda das ações.
Mesmo com a entrada de investidores públicos, Musk preservou amplo controle sobre a SpaceX. O empresário detém mais de 80% do poder de votação da companhia, mantém influência direta na escolha dos integrantes do conselho de administração e conta com uma estrutura societária que reduz significativamente a possibilidade de contestações judiciais à sua gestão.
A ascensão ao posto de primeiro trilionário do planeta ocorre em paralelo ao fortalecimento de sua influência política nos Estados Unidos. Durante a eleição presidencial norte-americana de 2024, Musk investiu cerca de US$ 300 milhões em apoio à campanha de Donald Trump.
Após a vitória do republicano, o empresário sul-africano assumiu a liderança do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental. Entre as medidas mais controversas associadas à sua atuação está o desmantelamento de órgãos governamentais, incluindo a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid).
De acordo com informações da Escola de Saúde Pública T.H. Chan, da Universidade Harvard, a decisão teria contribuído para impactos humanitários significativos em programas internacionais de assistência.
No ano passado, Musk já estava atrás de atingir a marca quando acionistas da Tesla aprovaram um pacote de remuneração que pode render mais de US$ 1 trilhão adicional ao empresário, caso determinadas metas operacionais e de valorização da companhia sejam atingidas.
Para garantir o recebimento do montante integral, os objetivos envolvem o crescimento expressivo do valor de mercado da Tesla, a recuperação da divisão automotiva e o avanço de iniciativas em inteligência artificial e táxis autônomos. Reunidos em Austin, no Texas, 75% dos acionistas votaram favoravelmente ao plano durante a assembleia.
Transição
Na avaliação de Maurício F. Bento, professor de economia internacional da Hayek Global College, o IPO da SpaceX simboliza a transição de um mercado focado exclusivamente na Terra para projetos de longo prazo voltados à exploração espacial. “Até hoje, as empresas de tecnologia limitavam sua inovação aos bilhões de clientes na Terra. O IPO da SpaceX financia uma nova fronteira, tornando projetos que antes pareciam ficção científica, como mineração em outros planetas e turismo espacial, em planos de negócios tangíveis”, afirmou.
De acordo com Bento, a rede de internet via satélite Starlink exerce um papel central na sustentação financeira da empresa. Enquanto os projetos espaciais atraem atenção do mercado, a operação comercial já gera receitas relevantes. “A Starlink é quem paga a conta e ancora o conglomerado, na realidade. Enquanto a colonização de Marte é a promessa que atrai os holofotes, a rede de internet via satélite é o produto revolucionário que já está em operação, gerando receita imediata e mostrando aos investidores que a SpaceX consegue executar o que promete”, explicou o acadêmico.
Apesar do entusiasmo do mercado, Bento fez um alerta sobre os riscos de supervalorização associados à combinação entre inteligência artificial, exploração espacial e a imagem pública de Elon Musk. “A junção de espaço, inteligência artificial e a figura de Musk cria o cenário perfeito para uma valorização excessiva. A expectativa gerada pode atrair capital especulativo e fazer com que as ações sejam negociadas em níveis muito distantes dos fundamentos financeiros da empresa”, concluiu.
*Estagiário sob a supervisão de Rosana Hessel



