Com fortes dores no peito, homem morreu enquanto esperava atendimento no Base

O vigilante Rodrigo Resende do Prado, 48 anos, morreu na recepção do Hospital de Base enquanto aguardava atendimento. A vítima foi levada à unidade hospitalar pela irmã e o cunhado, no começo da tarde deste domingo (12/7), com fortes dores no peito. O quadro evoluiu para falta de ar, ele perdeu a consciência e morreu, antes de ser avaliado por um médico. O Instituto de Gestão Estratégica (Iges) afirmou que toda a assistência seguiu os protocolos técnicos foram prestados e que instaurou uma apuração interna para analisar todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento do paciente. 

Um vídeo a que o Correio teve acesso mostra Rodrigo, de blusa vermelha, caído no chão e duas enfermeiras revezando-se nas massagens cardíacas. Enquanto isso, a irmã da vítima, em desespero, pede para ele “voltar”, “ficar bem”. Um tempo depois, chegam outras pessoas usando uniformes da rede pública de saúde e uma maca.  

Viúvo e pai de um menino de 6 anos, Rodrigo estava há cerca de um ano sem conseguir trabalhar como vigilante, devido a um problema renal. À reportagem, Leonardo Ribeiro, cunhado da vítima, contou que ele havia procurado o hospital na última sexta-feira (10/7), com o mesmo sintoma: dor no peito. Na ocasião, foi avaliado e liberado

Neste domingo, ele retornou ao Base após voltar a sentir dores intensas. “Ele veio porque estava sentindo muita dor. Isso já vinha acontecendo desde semana passada. Na sexta, ‘ele foi atendido e liberado em meia hora’. E hoje retornou novamente e, além da dor, sentiu falta de ar”, contou Leonardo.

Leonardo relatou que chegou ao Base com a esposa e Rodrigo por volta das 13h e deram entrada no sistema. As dores foram piorando e o cunhado passou a reclamar que estava com falta de ar. “Passou uma hora, ele não tinha sido atendido e relatava aumento da dor. Disse que não estava conseguindo respirar. Estava agoniado, falando que estava doendo muito”, detalhou Leonardo.

Após muita insistência dele e da irmã, uma profissional de saúde teria realizado a avaliação inicial. “Ela fez a medição da pressão e da saturação e pediu para ele esperar, mesmo com ele reclamando de muita dor”, disse.

Quando a senha foi anunciada, por volta das 16h, familiares perceberam que Rodrigo estava inconsciente. “Eu fui chamá-lo para ser atendido e ele já estava sem força nenhuma, imóvel. A gente tentava falar com ele, chamar alguém para socorrer e ele não respondia”, afirmou Leonardo.

A irmã do paciente, que pediu para ter o nome preservado, contou que pediu ajuda aos profissionais da triagem. “Eu pedi pelo amor de Deus, meu irmão está morrendo. Ele está morrendo, atende meu irmão. Só quando ele já estava lá fora, morrendo, quando foram pegar ele”, disse.

Uma equipe do Base tentou reanimar Rodrigo, mas ele não resistiu e morreu na unidade. O caso gerou comoção entre familiares que aguardam esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e o atendimento prestado.

O outro lado

Correio fez contato com o Secretário de Saúde

a assessoria de imprensa do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela administração do Hospital de Base. Em resposta, o IgesDF lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.

Segundo a instituição, após dar entrada no pronto-socorro e realizar o cadastro, Rodrigo teria deixado a recepção e, posteriormente, apresentado um mal súbito na área externa, em frente à unidade, enquanto aguardava a classificação médica.

O IgesDF informou que a equipe assistencial foi acionada imediatamente e iniciou as manobras de reanimação cardiopulmonar, encaminhando o paciente para a Sala Vermelha para a aplicação de suporte avançado de vida. O instituto alegou que toda a assistência seguiu os protocolos técnicos e que instaurou uma apuração interna para analisar todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado.

Confira a nota na íntegra: 

Nota à imprensa

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) lamenta o falecimento do senhor R. R. que buscou atendimento na tarde deste domingo (12), no Hospital de Base, e manifesta solidariedade aos seus familiares e amigos neste momento de dor.

Após dar entrada no Pronto-Socorro e realizar o cadastro para atendimento, o paciente deixou a recepção e, posteriormente, apresentou um mal súbito, já na área externa em frente ao Pronto-Socorro, onde aguardava a classificação médica.

Tão logo soube do mal-estar do paciente, a equipe assistencial foi imediatamente acionada e iniciou as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP). Em seguida, ele foi encaminhado à Sala Vermelha, onde foram adotadas todas as medidas de suporte avançado de vida previstas para esse tipo de ocorrência.

Toda a assistência prestada seguiu os protocolos técnicos estabelecidos para situação de emergência. Apesar da atuação imediata da equipe multiprofissional e da adoção de todas as medidas terapêuticas indicadas, o paciente não respondeu às manobras de reanimação e evoluiu a óbito.

O IgesDF informa que instaurou apuração interna, conforme os fluxos institucionais aplicáveis às ocorrências assistenciais, com o objetivo de analisar todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento.

O IgesDF reafirma seu compromisso com uma assistência pautada em critérios técnicos, na atuação ágil de suas equipes e na prestação de um atendimento humanizado, adotando continuamente medidas para garantir um cuidado seguro e qualificado à população.

Com informações do Correio Braziliense

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