A pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra que 80% dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já decidiram o voto e afirmam que não mudarão de escolha até outubro. O índice supera em seis pontos o registrado por Flávio Bolsonaro (PL), cujo percentual de apoio consolidado chega a 74%.
Divulgada nesta segunda-feira (13), a sexta rodada do levantamento indica que Lula possui o eleitorado mais fiel entre todos os nomes testados no cenário estimulado de primeiro turno. Entre os que declaram voto no presidente, 18% admitem que ainda podem mudar de candidato e 1% não soube responder. No grupo de Flávio, 25% dizem que a escolha pode ser revista.
Os dados reforçam a posição de Lula na corrida presidencial de 2026. No cenário estimulado, o presidente lidera com 40% das intenções de voto, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) registram 4% cada.
A consolidação do voto é um indicador relevante porque mede não apenas a preferência atual do eleitor, mas também a possibilidade de mudanças ao longo da campanha. Quanto maior o percentual de pessoas que dizem não pretender alterar sua decisão, menor tende a ser a parcela do apoio de um candidato disponível para disputa pelos adversários.
Lula lidera ranking de votos consolidados
Lula apresenta o maior percentual de decisão definitiva entre os nove nomes incluídos no levantamento. Depois do presidente e de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem empatados, com 53% dos respectivos eleitores afirmando que não mudarão o voto.
Entre os apoiadores de Caiado, 46% ainda admitem rever a escolha. No eleitorado de Renan Santos, essa parcela alcança 47%. Romeu Zema tem somente 33% de voto consolidado, enquanto 63% dos que atualmente escolhem o governador de Minas Gerais dizem que podem mudar de posição.
Os índices são menores entre os demais candidatos. Joaquim Barbosa (DC) tem 29% de eleitores decididos e 68% que podem mudar. Aécio Neves (PSDB) registra 28% de votos consolidados, diante de 72% de eleitores ainda abertos a outra opção.
No caso de Augusto Cury (Avante), apenas 16% consideram sua decisão definitiva, enquanto 81% admitem mudar. Cabo Daciolo (Mobiliza) aparece com o eleitorado menos consolidado: 10% afirmam que manterão a escolha e 90% dizem que ainda podem optar por outro nome.
Vantagem de Lula sobre Flávio aumenta para seis pontos
A série histórica mostra que Lula iniciou o acompanhamento, em 30 de março, com 74% de votos consolidados — o mesmo percentual registrado por Flávio Bolsonaro naquele momento. O índice do presidente avançou para 81% em maio, permaneceu no mesmo patamar em 15 de junho e chegou a 83% no fim daquele mês.
Na rodada atual, Lula passou de 83% para 80%, mas preservou vantagem sobre Flávio. O senador, por sua vez, manteve 74%, mesmo percentual observado em março. A diferença entre os dois, que era inexistente no começo da série, agora é de seis pontos percentuais.
Flávio chegou a alcançar 77% de votos consolidados em 15 de junho, mas recuou para 76% no fim do mês e voltou a 74% na pesquisa divulgada nesta segunda-feira. Lula permaneceu acima de 80% em quatro das seis rodadas realizadas pela Nexus.
Fidelidade chega a 87% entre lulistas convictos
O levantamento também avaliou a certeza do voto de acordo com o grau de identificação política dos entrevistados. Entre os eleitores classificados pela Nexus como “lulistas convictos”, 87% dizem que a escolha já está tomada e não mudará até a eleição.
Entre os chamados “bolsonaristas convictos”, esse percentual é de 77%, dez pontos abaixo do registrado no grupo mais identificado com Lula. Outros 23% dos bolsonaristas convictos afirmam que ainda podem rever o voto, ante 13% entre os lulistas convictos.
No grupo definido como “Lula como alternativa”, 57% já tomaram uma decisão definitiva e 42% admitem mudar. Entre os eleitores que veem Bolsonaro e sua família como alternativa, 55% afirmam estar decididos e 44% ainda podem alterar o voto.
A incerteza é maior entre os não polarizados. Nesse segmento, 49% consideram a decisão definitiva e outros 49% dizem que podem mudar de candidato. Entre os que rejeitam simultaneamente Lula e a família Bolsonaro, 70% afirmam já ter definido o voto.
Lula preserva maior parcela dos votos de 2022
Outro cruzamento da pesquisa mostra que Lula mantém 79% dos eleitores que afirmam ter votado nele no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Apenas 3% desse grupo declaram atualmente apoio a Flávio Bolsonaro.
Do outro lado, Flávio atrai 72% dos entrevistados que dizem ter votado em Jair Bolsonaro na disputa de 2022. Outros 7% desse eleitorado escolheriam Ronaldo Caiado, 5% votariam em Romeu Zema e 4% optariam por Renan Santos. Lula recebe 3% entre os antigos eleitores do ex-presidente.
A comparação indica que Lula retém uma parcela maior de seu eleitorado da eleição anterior do que Flávio consegue herdar da base de Jair Bolsonaro. Além da diferença de sete pontos na fidelização dos votos de 2022, o presidente também apresenta menor proporção de apoiadores dispostos a mudar de candidato na campanha atual.
A Nexus entrevistou 2.003 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12 de julho de 2026. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento abrange as 27 unidades da Federação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07981/2026.
Com informações do portal 247



