Ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara alega que Mauro Cid se contradiz em delação premiada, em pelo menos três pontos
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta quarta-feira (13/8), acareação entre o coronel do Exército Marcelo Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o tenente-c0ronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A acareação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que analisa suposta trama golpista para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomasse posse em 2022. O procedimento jurídico ocorrerá na sala de audiências do STF, às 11h30.
O encontro cara a cara de ambos foi autorizado por Moraes, após pedido da defesa de Câmara, que apontou ao menos três contradições nos depoimentos de Mauro Cid à Polícia Federal (PF). São elas:
- as minutas discutidas no Palácio da Alvorada;
- o suposto monitoramento de Moraes; e
- relatos inconclusivos sobre esse acompanhamento.

Como o ex-assessor está preso no Batalhão do Exército, em Brasília, Moraes autorizou o deslocamento dele ao STF, com tornozeleira eletrônica, e reforçou que Câmara só poderá se comunicar com seus advogados.Play Video
“O réu preso Marcelo Câmara Costa deverá comparecer pessoalmente, mediante a instalação de equipamento de monitoramento eletrônico durante o período necessário para o deslocamento e realização da acareação, mantida a proibição de se comunicar com qualquer pessoa que não seja seu advogado”, disse Moraes na decisão.
Motivo da prisão de Marcelo Câmara
- Marcelo Câmara esteve preso por ordem de Moraes no âmbito do inquérito da trama golpista, mas foi liberado em maio de 2024. Ele é um dos réus do chamado núcleo 2.
- Câmara é acusado de ter monitorado autoridades, como Moraes, para repassar informações para a suposta organização criminosa.
- Em interrogatório, o militar negou qualquer monitoramento e disse ter utilizado apenas dados públicos, como agendas oficiais.
- Quando Câmara saiu da prisão, em maio do ano passado, Moraes impôs várias restrições. Uma delas era a proibição do uso de redes sociais, ainda que por terceiros.
- O advogado de Câmara, no entanto, usou uma rede social para se comunicar com o tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso, o que configurou, no entendimento do ministro, quebra da restrição estabelecida.
- A defesa de Câmara teria tentado obter informações sobre a colaboração premiada feita por Cid.
- Câmara voltou a ser preso em 18 de junho deste ano.
Com informações do Metrópoles
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