Casa Política STF STF e TSE se preparam para eleições de 2026 em cenário de menor confronto direto
STF

STF e TSE se preparam para eleições de 2026 em cenário de menor confronto direto

Compartilhar
Compartilhar

Com o ministro Edson Fachin na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e a ministra Cármen Lúcia no comando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a expectativa é de que o país passe por um ano eleitoral menos turbulento do que em 2022. Mas nem tudo será simples. Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, assumirão a Justiça Eleitoral em agosto — auge da campanha do primeiro turno.

Especialistas ouvidos pelo Correio apontam que, apesar do aparente controle, o Judiciário seguirá no radar de críticas, sendo que duas sobressaem: 1) as supostas conversas do ministro Alexandre de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da liquidação extrajudicial do Banco Master — com o qual a mulher do magistrado tinha, também, um contrato de R$ 129 milhões para serviços advocatícios; e 2) o sigilo imposto pelo ministro Dias Toffoli para as investigações sobre a instituição presidida por Daniel Vorcaro.

Para o advogado eleitoral Marcos Jorge, o perfil ponderado e técnico de Fachin poderá ajudar a acalmar os ânimos. “A presidência do ministro tende a reduzir o grau de confronto direto, a condenação de Jair Bolsonaro deve trazer discussão e ataques institucionais à Corte, pois a oposição deve continuar explorando decisões do Supremo como elemento mobilizador, sobretudo nas campanhas ao Senado, onde o discurso de ‘freios’ ao Judiciário costuma ter mais apelo”, aponta.

O cientista político Elias Tavares partilha do mesmo entendimento. Ele avalia que a atual gestão do Supremo tende a produzir um ambiente institucional menos ruidoso do que o vivido em 2022. Mesmo assim, o STF deve continuar no centro do debate político em 2026. “Há mais discrição, menos disposição ao embate público direto. Isso reduz o conflito aberto, mas não elimina a tensão de fundo”, afirma.

Outra questão que traz o Judiciário como protagonista do cenário eleitoral é a atuação do TSE na realização das eleições presidenciais e regionais. Nunes Marques assumirá o tribunal no segundo semestre do ano, substituindo Cármen Lúcia, que finalizará o seu biênio em 25 de agosto. Seu vice será André Mendonça. Indicados por Bolsonaro, os dois são considerados conservadores na instituição.

Governadores

Mas o TSE também se prepara para retomar o julgamento de dois governadores por abuso de poder político e econômico referente ao pleito de 2022. O primeiro envolve o do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Segundo a acusação, houve desvios de recursos públicos para promover a sua candidatura no pleito. O outro refere-se ao governador reeleito de Roraima, Antonio Denarium, por distribuir cestas básicas e por reformar casas em ano eleitoral. Ambas as ações foram suspensas por pedidos de vista (mais tempo de análise).

A eleição de 2026 será marcada também pela composição do Senado. Dois terços das cadeiras estarão em disputa — o que significa, na prática, uma renovação majoritária da Casa. A situação é desafiadora para o Judiciário, pois o Legislativo pode votar uma atualização da Lei de Impeachment, de 1950, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

O objetivo é evitar que as conclusões que o Congresso promover sejam derrubadas, depois, pelo Supremo. O STF quer um quórum de dois terços, equivalente a 54 votos de senadores para a abertura de um processo de impeachment. Atualmente, a regra é pela maioria simples de quem está no plenário: presença mínima de 41 parlamentares para abertura da sessão — o que possibilita abrir a análise com 21 votos dos integrantes.

 “A previsão é de que, pelo menos, 10 a 12 senadores serão eleitos com o compromisso de cumprir com o avanço do impeachment de ministros do STF. Será uma enorme bandeira eleitoral ao longo deste ano. E vai deslocar o campo majoritário com um debate sobre o Poder Judiciário, em especial o papel do STF. A polarização deixa de ser apenas entre lulistas e bolsonaristas. É a ampliação da polarização sem politização”, avalia o advogado e analista político Melillo Dinis.

O cientista político Elias Tavares ressalta a escolha estratégica dos partidos para disputar as eleições. “O campo ligado a Jair Bolsonaro oferece o exemplo mais claro dessa leitura. Mesmo fora da disputa presidencial, seu grupo político se organiza fortemente para o Senado, lançando candidaturas com alto capital simbólico e eleitoral, como Michelle Bolsonaro e seu filho Carlos — ela pelo Distrito Federal, ele por Santa Catarina. Não é improviso nem acaso: é a compreensão de que o Senado será o principal palco de enfrentamento institucional nos próximos anos”, adverte.

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…

  • Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…

  • Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…

  • Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…

  • Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…

  • Pedro Uczai (SC)

    Pedro Uczai (SC)

    Pedro Uczai é formado em Estudos Sociais, Filosofia e Teologia. É Mestre em História do Brasil e atua como professor universitário há 30 anos. Tem 21 livros publicados. Uma liderança política com experiência na gestão pública e comprometida com a educação pública de qualidade desde a creche até a universidade. Sua trajetória política emerge da…

  • Governo Lula prepara ofensiva contra fake news sobre o fim da escala 6×1

    Governo Lula prepara ofensiva contra fake news sobre o fim da escala 6×1

    Governo Lula prepara ofensiva contra fake news sobre o fim da escala 6×1 O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o monitoramento de conteúdos falsos sobre o possível fim da escala 6×1 e prepara uma estratégia de comunicação para reagir à desinformação, em meio ao avanço da proposta no Congresso e à…

  • Economia

    Economia

    Real é a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026 Levantamento da consultoria Elos Ayta com 27 moedas mostra o real no topo de ranking com uma valorização de 10,7% no acumulado do ano O real teve a maior valorização em relação ao dólar em 2026, segundo a consultoria Elos Ayta, que comparou…

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados
STF

STF decide sobre penduricalhos de servidores nesta semana

Julgamento sobre a legalidade de remunerações extras que superam o teto do...

STF

Master: STF forma maioria para manter Daniel Vorcaro preso

Mendonça, Fux e Nunes Marques votaram para manter a prisão de Daniel...

STF

Banco Master e STF: Relatório da PF sobre Toffoli tensiona a Suprema Corte

Edson Fachin convoca reunião para avaliar relatório da PF que revela mensagens...

STF

Lula irá à sessão de abertura do Judiciário nesta segunda (2), no STF

Sessão no STF será o primeiro compromisso público de Lula após presidente...