TaguaCei — O deputado federal eleito Fábio Felix (PSOL) afirmou que pretende atuar contra medidas que considera retrocessos sociais e defender os direitos trabalhistas, dos servidores públicos e da população LGBTQIA+ durante seu mandato na Câmara dos Deputados. Eleito com 224.224 votos, o parlamentar foi o mais votado do Distrito Federal nas eleições de 2026 e disse que pretende organizar uma frente de resistência diante do avanço de forças conservadoras no Congresso Nacional.
Em entrevista ao g1, Felix avaliou o resultado das urnas e apresentou as principais pautas que pretende defender a partir de 2027. Entre elas estão a proteção dos direitos sociais, o fortalecimento dos serviços públicos, a redução do custo de vida e a investigação do caso do Banco Master, que envolve prejuízos bilionários para o Banco de Brasília (BRB).
O resultado eleitoral representa um crescimento expressivo em relação a 2022, quando Felix recebeu 51.792 votos para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Na ocasião, tornou-se o deputado distrital mais votado da história da capital. O desempenho deste ano reforça o debate sobre as eleições no Distrito Federal e a composição da representação política da região.
Deputado promete não negociar direitos trabalhistas e da população LGBTQIA+
Ao comentar a perspectiva de um Congresso mais conservador, Fábio Felix afirmou que pretende articular a oposição a propostas que possam reduzir direitos conquistados. Segundo ele, o Partido Liberal (PL) deve ampliar sua presença na Câmara, mas a renovação parlamentar também pode fortalecer grupos progressistas.
“Não há negociação para flexibilização de direitos. Nesse caso, não há qualquer negociação”, declarou.
O parlamentar citou possíveis mudanças nas leis trabalhistas, nos direitos previdenciários e nas regras que protegem os servidores públicos. Também mencionou iniciativas que, segundo ele, ameaçariam conquistas da população LGBTQIA+, incluindo o casamento igualitário.
Felix afirmou que estará aberto ao diálogo em temas nos quais houver espaço para mediação, mas ressaltou que pretende enfrentar propostas que considere prejudiciais aos direitos sociais. A defesa da comunidade LGBTQIA+ deve continuar entre as prioridades do mandato, assim como a articulação com outros parlamentares comprometidos com a pauta.
A discussão se conecta a temas relacionados aos direitos LGBTQIA+ e à proteção das garantias trabalhistas no país.
CPMI do Banco Master está entre as prioridades
Outra pauta anunciada pelo deputado eleito é a mobilização pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master.
Felix afirmou que pretende trabalhar para que a comissão seja instalada a partir de 2027. Na avaliação dele, a investigação poderá esclarecer responsabilidades e contribuir para a recuperação de recursos relacionados aos prejuízos sofridos por instituições públicas.
O parlamentar destacou os impactos sobre o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública do Distrito Federal. Segundo ele, o caso deixou um rombo superior a R$ 12 bilhões, valor que, em sua avaliação, exige investigação e medidas para evitar que a população do DF arque com os prejuízos.
“Eu quero lutar, a partir de 2027, para que a gente tenha uma CPMI do Master, porque o Master tem tentáculos em várias instituições”, afirmou.
O deputado disse que pretende defender a apuração dos fatos no Congresso Nacional e buscar mecanismos para que os recursos sejam recuperados. O tema envolve a situação do Banco de Brasília e a necessidade de esclarecimentos sobre os impactos financeiros para o Distrito Federal.
Defesa dos servidores públicos e dos serviços essenciais
Felix também pretende se engajar em iniciativas de defesa dos servidores públicos. Ele demonstrou preocupação com propostas de reforma administrativa e mudanças nas regras de estabilidade e previdência dos trabalhadores do setor público.
Para o deputado, os serviços públicos são fundamentais para atender principalmente a população em situação de maior vulnerabilidade. Por isso, ele pretende participar de articulações parlamentares voltadas à preservação desses serviços e dos direitos dos profissionais.
“Os serviços públicos são fundamentais, porque eles alcançam a população que mais precisa”, declarou.
O parlamentar também defendeu a retomada da atuação de uma frente parlamentar em defesa dos direitos da população LGBTQIA+. Segundo ele, a presença de deputados comprometidos com essa causa poderá contribuir para impedir retrocessos e ampliar a articulação dentro da Câmara.
As propostas devem integrar o debate sobre serviços públicos e políticas de proteção social durante a próxima legislatura.
Controle dos aluguéis e tarifa zero no transporte público
Na avaliação de Felix, o custo de vida precisa ocupar espaço central nas discussões nacionais. Durante a campanha, ele defendeu a criação de uma legislação federal para controlar aumentos considerados abusivos nos aluguéis.
O deputado afirmou que os gastos com moradia pesam cada vez mais no orçamento das famílias e que o assunto precisa ser tratado por meio de propostas concretas. Outra medida defendida por ele é a implantação da tarifa zero no transporte público.
Segundo Felix, essas pautas já foram apresentadas em conversas relacionadas à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno das eleições.
O parlamentar atribuiu parte do resultado eleitoral à combinação entre mobilização nas ruas, presença nas redes sociais e apresentação de propostas voltadas ao futuro. Para ele, a campanha também se destacou pelo diálogo direto com os eleitores e pela interação com a população nas plataformas digitais.
Trajetória na Câmara Legislativa do DF
Antes de ser eleito deputado federal, Fábio Felix construiu sua trajetória política na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em 2018, foi eleito o primeiro deputado distrital assumidamente gay da Casa e, em 2022, conquistou a reeleição com 51.792 votos.
A partir de 2019, presidiu a Comissão de Direitos Humanos da CLDF, período em que, segundo as informações divulgadas, foram recebidas mais de 8 mil denúncias. Também participou da CPI do Feminicídio, da CPI dos Atos Antidemocráticos, relacionada aos ataques de 8 de janeiro de 2023, e da Comissão Especial da Vacina durante a pandemia de Covid-19.
Formado pela Universidade de Brasília (UnB), Felix é assistente social, professor e servidor do sistema socioeducativo. No início da carreira, trabalhou com adolescentes em situação de rua na Rodoviária do Plano Piloto e atuou no antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (CAJE), onde denunciou casos de tortura e violações de direitos.
O deputado eleito tomará posse em 1º de fevereiro de 2027, para um mandato de quatro anos na Câmara dos Deputados.
Fonte: g1



