TaguaCei — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas ao canal de WhatsApp “Exército do Lula” e defendeu igualdade de tratamento entre as candidaturas. Durante entrevista coletiva em Brasília, na segunda-feira (12/10), o presidente afirmou que a Justiça Eleitoral estaria tomando decisões excessivas contra sua campanha e anunciou que pretende ampliar a mobilização digital de apoiadores para o segundo turno das eleições de 2026.
As declarações foram feitas após Lula participar de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, realizada na Capela do Palácio da Alvorada. Questionado sobre as decisões do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, envolvendo a suspensão e posterior reativação do canal, o presidente afirmou que considera necessário garantir os mesmos direitos a todos os candidatos.
“Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível, isso já foi denunciado”, declarou Lula.
O canal “Exército do Lula” reúne milhões de inscritos e é utilizado para divulgar conteúdos políticos e mobilizar apoiadores do presidente. A página entrou no centro de uma disputa judicial após a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) pedir sua suspensão, alegando possíveis irregularidades nas publicações.
Presidente defende igualdade de tratamento na Justiça Eleitoral
Durante a entrevista, Lula afirmou que o presidente do TSE não deve demonstrar preferência política e defendeu que as decisões judiciais sejam fundamentadas em critérios aplicados igualmente a todas as candidaturas.
“O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política”, disse.
O presidente acrescentou que espera igualdade de comportamento e de procedimentos na atuação da Justiça Eleitoral. Para ele, eventuais restrições ao canal precisam indicar claramente quais normas teriam sido violadas.
“Para ele achar que tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem. Onde é que estamos transgredindo a lei?”, questionou.
Lula afirmou ainda que o departamento jurídico de sua campanha acompanhará o caso e tomará as medidas consideradas necessárias diante de novas decisões judiciais.
A controvérsia ocorre em meio a debates sobre a atuação do Tribunal Superior Eleitoral, os limites da propaganda política na internet e a aplicação das regras eleitorais durante a disputa presidencial.
Lula promete ampliar mobilização pelo WhatsApp
Ao comentar a possibilidade de novas restrições ao canal, Lula afirmou que sua campanha continuará investindo na comunicação digital e na mobilização de apoiadores.
“Eu não vou criar só o ‘Exército do Lula’, eu vou criar agora o ‘Exército da Marinha, Aeronáutica do Lula’ no WhatsApp!”, declarou o presidente, em tom descontraído.
Na sequência, ele destacou o custo relativamente baixo das ferramentas digitais para a divulgação de mensagens políticas e reafirmou que pretende manter as atividades de campanha nas redes.
A fala foi apresentada como uma resposta à disputa em torno do canal original. A estratégia de comunicação digital é considerada importante para alcançar eleitores, divulgar propostas e estimular a participação dos apoiadores na reta final da campanha.
O episódio também amplia a discussão sobre o uso do WhatsApp nas eleições e sobre os critérios para distinguir mobilização política legítima de eventuais infrações às normas eleitorais.
Disputa judicial continua na reta final da campanha
O caso do “Exército do Lula” provocou decisões divergentes dentro do TSE. O ministro Kassio Nunes Marques determinou inicialmente a suspensão do canal, mas o relator do processo, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu seu funcionamento e encaminhou a questão para análise do plenário virtual da Corte.
A área técnica do tribunal informou que não identificou, no material examinado, a divulgação das afirmações apontadas no processo. No entanto, também registrou limitações na análise, uma vez que parte das publicações havia sido excluída.
A campanha de Flávio Bolsonaro anunciou que pretende apresentar um novo relatório técnico sobre o conteúdo divulgado no canal. Já aliados de Lula questionam a condução do caso e defendem que eventuais restrições sejam justificadas com base em infrações comprovadas.
Com o segundo turno previsto para 25 de outubro, a disputa envolvendo o WhatsApp se soma a outros embates jurídicos e políticos entre as candidaturas. O tema coloca em evidência os desafios da propaganda eleitoral nas plataformas digitais e o papel da Justiça na fiscalização das campanhas.
Fonte: Vermelho



