Organizações de direitos humanos afirmam que processo contra Erfan Soltani foi acelerado, sem transparência e sem garantias legais
Autoridades iranianas devem levar adiante, nesta quarta-feira (14/1), a execução de Erfan Soltani, de 26 anos, preso após atos de protesto na cidade de Karaj. A informação foi divulgada pela ONG Hengaw, entidade curda iraniana que monitora violações de direitos humanos no país.
Segundo a organização, o jovem foi condenado à morte em um processo marcado por irregularidades. Entre as principais denúncias estão a ausência de defesa técnica, a falta de informações claras sobre as acusações e a restrição de acesso da família aos detalhes do julgamento.
Para a ONG, a condução do caso reforça a preocupação de que a pena capital esteja sendo usada como instrumento de intimidação contra manifestantes. “O andamento rápido e pouco transparente do processo levanta sérias dúvidas sobre o respeito ao devido processo legal”, afirmou o grupo em comunicado.
Ativistas relataram ainda que a família de Soltani não recebeu esclarecimentos oficiais sobre as etapas do julgamento. Mesmo com a tentativa de intervenção da irmã, que é advogada, as autoridades teriam impedido o acesso aos autos, tornando a sentença, segundo a ONG, definitiva.
Quem é Erfan Soltani
Morador do bairro de Fardis, em Karaj, Erfan Soltani foi detido dentro de casa no dia 8 de janeiro, após manifestações registradas na região. De acordo com informações do portal Iranwire, ele trabalhava no setor de vestuário e havia sido recentemente contratado por uma empresa privada.
Pessoas próximas o descrevem como alguém interessado em moda, esportes e estilo de vida saudável. Em redes sociais, algumas ainda ativas, segundo o portal, Soltani aparecia compartilhando momentos simples do cotidiano, como treinos de musculação e atividades esportivas.
Ainda segundo o Iranwire, ele teria recebido mensagens de intimidação atribuídas a agentes de segurança, mas manteve seu apoio aos protestos.
O Irã está sofrendo uma forte onda de manifestações há 16 dias. A reação por parte da população começou por conta da grave situação econômica e a disparada nos preços no país. Os iranianos também exigem que aiatolá Ali Khamenei saia do poder.
Com informações do Correio Braziliense
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