Com o Brasil no alvo de medidas comerciais unilaterais dos EUA e da União Europeia, Lula busca marcar posição contra o protecionismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (14/6) para a França, onde participa da Cúpula do G7 na próxima semana. Em meio a discussões nos Estados Unidos e na União Europeia sobre medidas que podem afetar exportações brasileiras, o petista deve chegar munido de um discurso de combate ao unilateralismo.
O Grupo dos Sete foi criado com a intenção de reunir as sete economias mais industrializadas do mundo. O bloco é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além de ter a União Europeia representada. Embora não seja um membro efetivo do grupo, o Brasil é tradicionalmente convidado para participar do encontro e se juntar a reuniões abertas a outros países.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, o mandatário deve “passar um recado” de insatisfação com medidas unilaterais, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros ou a suspensão da importação da carne brasileira pela União Europeia, mas sem menções diretas a algum fato ou ator por trás dessas medidas.
Lula no G7
- O presidente Lula embarca para o G7 no próximo domingo (14/6). O encontro acontece na França e o petista cumpre agendas do evento nos dias 16 e 17 de junho.
- Como país convidado, Lula participa das discussões sobre “Parcerias internacionais para o desenvolvimento” e sobre “Crescimento econômico equilibrado“.
- A expectativa é que o brasileiro utilize o momento de intervenção nas duas conversas para fazer críticas ao unilateralismo e marcar posição contra agendas protecionistas.
- O Grupo dos Sete é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além de ter a União Europeia representada. O bloco se reúne anualmente para discutir temas da agenda internacional.
Aposta no multilateralismo
De acordo com interlocutores do presidente Lula, o discurso do petista vai convergir com temas das reuniões das quais o mandatário vai participar na cúpula. A ideia seria conectar críticas brandas com os problemas debatidos na cúpula.
Como, por exemplo, o petista pode citar que medidas econômicas ou comerciais adotadas unilateralmente, contribuem para o crescimento econômico desiquilibrado dos países, prejudicando, sobretudo, aqueles menos desenvolvidos.
Além do discurso em defesa do multilateralismo, o Lula também deve aproveitar a oportunidade para fortalecer um discurso antigo: o de fortalecimento das órgãos multilaterais, como a Organizações Mundial do Comércio (OMC) e a própria própria Organização das Nações Unidas (ONU). Na avaliação de interlocutores do Planalto, o G7 passa por um “momento de crise”, marcado pelo descumprimento de diretrizes internacionais.
Além do Brasil, os Estados Unidos também adotaram discursos combativos contra parceiros no próprio G7, como o Canadá e até mesmo a Itália, que é conduzida por Giorgia Meloni, premiê de discurso conservador e alinhado ao do presidente Donald Trump.
Em outra vertente, o mandatário também deve discursar em defesa das reformas dos organismos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU. O Brasil pleiteia pela ampliação do grupo desde sua criação, mas intensificou as críticas nos últimos anos em meio ao surgimento de novos conflitos internacionais e disputas territoriais entre os países.

Medidas dos EUA e UE contra o Brasil
Lula chega ao G7 em um momento de impasse com os principais nomes da cúpula: os Estados Unidos e a União Europeia. Nas últimas semanas, os EUA anunciaram três medidas que atingem diversos setores brasileiros.
Na primeira delas, o departamento de Estado dos Estados Unidos, que conduz a política externa do país, determinou duas organizações criminosas brasileiras como terroristas. Embora a gestão Lula fosse contra a medida e tenha levado a oposição e justificativas aos EUA, não foi capaz de impedir o enquadramento.
Houve ainda duas investigações concluídas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que sugeriu novas taxas a produtos brasileiros. Embora o governo brasileiro ainda discuta as investigações com os EUA, não houve consideração das argumentações brasileiras na conclusão das investigações. São elas:
- A primeira investigação do órgão sugere 25% de taxas a produtos brasileiros por práticas comerciais desleais; e
- a segunda propõe 12,5% de taxas por uso do trabalho forçado na mão de obra brasileira. As investigações são baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O Brasil enfrenta ainda um revés com a União Europeia, que no último mês deixou o Brasil de fora da lista de países autorizados a exportar carne para países do bloco. Embora alegue preocupações sanitárias com a medida, o governo brasileiro enxerga viés político na medida.
As três decisões, adotadas de forma unilateral pelos países, causaram um desgaste no governo Lula que, agora, tenta impedir que as medidas sejam efetivamente aplicadas. No caso das tarifas dos EUA, o Palácio do Planalto acredita que sua implementação não deve ocorrer até o dia 15 de julh0. Já a suspensão de importação de carne brasileira pela UE não deve ser efetivada até a primeira semana de setembro.



