PL gasta R$ 484 mil em 4 meses com núcleo ligado a Bolsonaro

Recursos do Fundo Partidário bancaram salários de familiares e aliados do ex-mandatário; PL recebeu cerca de R$ 193 milhões do Fundo Partidário em 2025

247 – O Partido Liberal (PL) desembolsou ao menos R$ 484 mil entre janeiro e abril de 2026 para remunerar integrantes do grupo político ligado a Jair Bolsonaro. Segundo o jornal O Globo,  a prestação de contas da legenda  aponta que os pagamentos incluem familiares do ex-mandatário, ex-ministros e antigos assessores de seu governo. 

Os valores registrados até o momento representam apenas parte das despesas do partido neste ano, já que as legendas têm prazo até junho de 2027 para concluir a entrega da prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Michelle lidera lista de pagamentos

A maior remuneração identificada no período foi destinada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher. Entre janeiro e março, ela recebeu R$ 101,5 mil, em parcelas mensais de R$ 33,8 mil. A atuação de Michelle é considerada estratégica para os planos do partido de ampliar sua presença entre o eleitorado feminino.

O segundo maior valor foi destinado a Carlos Bolsonaro. O vereador recebeu R$ 83,5 mil em pagamentos classificados como referentes a “serviços técnico-profissionais”. Contratado pelo partido em dezembro de 2025, ele também é apontado como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

Ex-ministros e assessores também receberam recursos

Entre os beneficiários dos repasses aparece o coronel André Costa, ex-secretário especial de Comunicação da Presidência durante o governo Bolsonaro. Entre janeiro e março, ele recebeu R$ 66,1 mil.

O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga recebeu R$ 65,9 mil em três parcelas. Segundo ele, sua atuação junto à legenda está relacionada a atividades partidárias na área da saúde e ao acompanhamento de políticas públicas.

Também figura na lista Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor especial da Presidência e integrante da equipe de comunicação digital do governo Bolsonaro. Ele recebeu R$ 44,8 mil no período. Sua esposa, Bianca Arnaud, foi contratada pelo partido e recebeu R$ 23,3 mil.

Outras ex-assessoras ligadas à gestão anterior passaram a receber da legenda. Adriana Mendes Fortes, ex-colaboradora do general Walter Braga Netto, recebeu R$ 44,8 mil em cinco pagamentos. Já Carolina Gaia e Silva, que assessorou o general Luiz Eduardo Ramos, recebeu R$ 26 mil.

Cláudio Castro também integra quadro do partido

O PL também mantém entre seus contratados o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Segundo a legenda, ele atua na interlocução com prefeitos e lideranças municipais. Castro recebe salário líquido de R$ 27,8 mil, equivalente a R$ 38 mil brutos. O vínculo foi firmado após o ex-governador desistir da disputa ao Senado.

Fundo Partidário é principal fonte de recursos

Os pagamentos são custeados pelo Fundo Partidário, principal mecanismo de financiamento das legendas brasileiras. O fundo reúne recursos públicos e privados e é distribuído conforme critérios previstos em lei.

Com a maior bancada da Câmara dos Deputados, o PL recebeu cerca de R$ 193 milhões do Fundo Partidário em 2025. Pela legislação, esses recursos podem ser utilizados para despesas administrativas, pagamento de pessoal, manutenção de sedes, consultorias e atividades relacionadas ao funcionamento dos partidos.

Procurado pela reportagem, o Partido Liberal não comentou os pagamentos registrados em sua prestação de contas.

Com informações do Brasil 247

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