Uma investigação nacional encomendada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) trouxe à tona um retrato alarmante das condições de trabalho no banco público. O levantamento, conduzido entre junho e julho pela Acerte Pesquisa e Comunicação, contou com a participação de 3.820 empregados da Caixa, incluindo ativos e aposentados.
Segundo os dados, quase metade dos entrevistados relatou ter sofrido ou presenciado situações de ameaça de perda de função e sobrecarga de tarefas. Essas condutas foram classificadas como as principais formas de assédio organizacional dentro da instituição financeira.
Assédio ligado ao adoecimento
O estudo analisou tanto os casos de assédio vivenciados diretamente quanto aqueles observados por colegas. A sobrecarga de trabalho apareceu como o fator mais recorrente, sendo apontada por quase 50% dos participantes. Esse tipo de pressão, de acordo com a pesquisa, dobra a probabilidade de uso de medicamentos controlados e de diagnósticos relacionados à saúde mental.
Entre os empregados expostos a essa prática, o índice de uso de medicação saltou de 18,5% para 39,7%. No total, 32% afirmaram recorrer a remédios controlados devido a situações vividas no ambiente de trabalho. Isso leva os pesquisadores a estimar que aproximadamente 10% da medicalização na Caixa esteja ligada diretamente ao assédio.
Sindicato denuncia agravamento da pressão por metas
Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, os números confirmam uma denúncia antiga do movimento sindical: a gestão da Caixa tem priorizado resultados em detrimento da saúde dos trabalhadores.
“A direção da Caixa finge não ver que os empregados e empregadas estão sofrendo com diversos tipos de assédio. Além de não reorganizar a gestão do trabalho para evitar esse tipo de prática, agora impõe um reajuste no Saúde Caixa quase impossível para os trabalhadores. A categoria pede urgência nas condições de trabalho e no Saúde Caixa — este último é fundamental para garantir o tratamento adequado para os empregados que sofrem com assédio”, afirmou Takemoto.
Adoecimento invisível
Apesar do crescimento nos casos de medicalização e diagnósticos psiquiátricos, o levantamento mostra que isso não se reflete de forma proporcional nos afastamentos. Quase metade (41%) dos empregados nunca se afastou do serviço. Entre aqueles que se afastaram, 82% não registraram o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT). O medo de retaliações ou a recusa de gestores foram algumas das justificativas apontadas.
Esse cenário, segundo os pesquisadores, demonstra que o número oficial de afastamentos não representa a realidade do adoecimento no banco. Muitos empregados continuam trabalhando mesmo doentes, seja por receio de punições ou por falta de informação.
Funções mais expostas
A pesquisa identificou que a sobrecarga de trabalho é um fenômeno generalizado. Nas agências, 48% dos empregados relataram exposição, enquanto na área meio o índice ficou em 42%. Entre os mais afetados estão os gerentes, com 69% de incidência, e os Técnicos Bancários Novos Sem Função (68%). Já os Técnicos Bancários com Função Incorporada apresentaram índice um pouco menor, de 63%.
Além disso, o levantamento aponta que mulheres e empregados mais jovens são os que mais sofrem com essas práticas, evidenciando um padrão homogêneo de assédio organizacional que atravessa diferentes setores e cargos da instituição.
*Com informações do Brasil 247
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