Adenocarcinoma pulmonar: entenda o câncer diagnosticado no papa Leão XIV

Fotografia relacionada à notícia sobre o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV, cuja cirurgia para retirada de um nódulo no pulmão direito confirmou a doença.
Foto: Filippo MONTEFORTE / AFP

TaguaCei — O papa Leão XIV passou por uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão direito, procedimento que confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme comunicado divulgado pelo Vaticano na terça-feira (13 de outubro). A operação foi considerada bem-sucedida. O caso chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de pulmão, doença que pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais.

O adenocarcinoma pulmonar é um tipo de câncer que se desenvolve a partir de células que revestem estruturas do pulmão e integra o grupo dos carcinomas de células não pequenas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse é o tipo mais comum de câncer pulmonar entre pessoas que não fumam.

De acordo com William Schwartz, coordenador de Pneumologia do Hospital Santa Lúcia, o adenocarcinoma costuma surgir nas regiões periféricas dos pulmões, afastadas dos grandes brônquios. Essa característica pode dificultar sua identificação nos estágios iniciais.

Como o tumor frequentemente não provoca sintomas no começo, a descoberta pode ocorrer durante exames realizados por outros motivos ou em avaliações médicas de rotina. Até a divulgação das informações sobre a cirurgia do pontífice, não havia sido informado publicamente o estágio do tumor.

Como surge o adenocarcinoma pulmonar?

O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Entretanto, pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver a doença.

Segundo o pneumologista William Schwartz, a exposição passiva à fumaça do cigarro, a poluição ambiental e fatores genéticos estão entre as possíveis causas associadas ao adenocarcinoma pulmonar em não fumantes.

Em muitos casos, não é possível identificar um único fator responsável pelo aparecimento do tumor. Por isso, embora abandonar o cigarro reduza significativamente os riscos, a ausência do hábito de fumar não elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença.

Para quem fuma, interromper o consumo de tabaco pode trazer benefícios em qualquer idade. O risco de câncer tende a diminuir progressivamente com o passar dos anos após a interrupção do hábito.

A atenção aos fatores de risco e o acompanhamento médico são importantes para a prevenção e a identificação de alterações suspeitas. Informações sobre prevenção e diagnóstico também podem ser encontradas em conteúdos sobre saúde e câncer publicados pelo TaguaCei.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

O câncer de pulmão pode ser curável, especialmente quando identificado em uma fase inicial, com o tumor pequeno e restrito ao órgão.

De acordo com Schwartz, o rastreamento deve considerar principalmente pessoas com histórico significativo de tabagismo. A avaliação médica é fundamental para identificar quem pode se beneficiar de exames periódicos, levando em conta idade, quantidade de cigarros consumidos ao longo da vida e tempo de exposição.

Nos casos em que o tumor está localizado e pode ser completamente removido, a cirurgia é uma das principais opções de tratamento. Já nas fases mais avançadas, terapias como medicamentos direcionados a alterações moleculares e imunoterapia ampliaram as possibilidades de controle da doença e de prolongamento da sobrevida.

A escolha do tratamento depende das características do tumor, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente. Por isso, o atendimento costuma envolver uma equipe multidisciplinar, com pneumologistas, oncologistas, cirurgiões torácicos e outros profissionais de saúde.

Qual cirurgia foi realizada no papa Leão XIV?

Segundo a explicação do pneumologista, a cirurgia descrita no caso do papa é conhecida como lobectomia, procedimento que consiste na retirada de um dos lobos pulmonares que contém o tumor.

O pulmão direito possui três lobos, enquanto o esquerdo tem dois. Dependendo do tamanho, da localização e das características da lesão, os médicos podem optar por retirar um lobo inteiro ou apenas um segmento do órgão, preservando o máximo possível da função respiratória.

Antes da operação, o paciente passa por avaliações da capacidade pulmonar e da função cardíaca, além de exames de imagem. Essas etapas ajudam a equipe médica a determinar se a cirurgia pode ser realizada com segurança.

Em determinados casos, técnicas minimamente invasivas, como a videotoracoscopia e a cirurgia robótica, podem ser utilizadas. Esses métodos permitem realizar o procedimento por pequenas incisões e podem favorecer uma recuperação mais rápida, conforme as condições clínicas de cada paciente.

Após a retirada de um lobo pulmonar, é possível manter uma boa qualidade de vida. O tecido pulmonar remanescente pode compensar parte da função perdida, embora a recuperação dependa da capacidade respiratória anterior, da extensão da cirurgia e da saúde geral do paciente.

O caso do papa Leão XIV reforça a importância de compreender os fatores de risco, buscar orientação médica diante de sintomas persistentes e realizar exames quando houver indicação profissional. A identificação precoce continua sendo um dos elementos mais importantes para ampliar as possibilidades de tratamento do câncer de pulmão.

Fonte: Correio Braziliense

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