Jovens ampliam participação nas campanhas e conquistam espaço na política do DF

Deputados distritais de diferentes partidos aparecem ao lado de apoiadores jovens e de outras faixas etárias durante atividades políticas e eventos de campanha no Distrito Federal.
Foto: Reprodução/Flickr e Reprodução/Instagram, conforme os créditos das imagens apresentados na reportagem original.

TaguaCei — A participação dos jovens na política do Distrito Federal tem ganhado força, tanto nas campanhas eleitorais quanto nos espaços de decisão. Além de divulgar candidaturas nas ruas e nas redes sociais, integrantes das novas gerações contribuem para estratégias eleitorais, influenciam debates e buscam maior representatividade. No DF, cerca de 700 mil eleitores têm entre 16 e 34 anos, o equivalente a aproximadamente 35% do eleitorado. O tema reforça a importância da participação dos jovens na política.

Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) mostram que 19.194 eleitores de 16 e 17 anos emitiram o título eleitoral em 2026. Nessa faixa etária, o voto é facultativo. Segundo o tribunal, 26.695 novos eleitores dessa idade decidiram exercer o direito ao voto no período de um ano.

Entre os eleitores de 18 a 29 anos, o DF contabiliza 461.933 pessoas aptas a votar. Já na faixa dos 30 aos 34 anos, são 220.873 eleitores. Os números demonstram a presença expressiva das novas gerações no cenário eleitoral da capital federal.

Para entender como essa participação influencia as campanhas e as candidaturas, o g1 conversou com políticos eleitos de diferentes espectros ideológicos, que avaliaram o papel da juventude na renovação e no fortalecimento da democracia.

Representatividade aproxima jovens da política

O deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL), de 34 anos, avalia que os jovens se interessam mais pela política quando encontram representantes com os quais se identificam.

Ele cita as eleições de André Kubitschek, de 33 anos, e Vitor Jansen, de 25, ambos do PL, como exemplos de políticos jovens que podem inspirar outras pessoas a buscar espaço nos cargos públicos.

“Eu tenho certeza que essa representatividade vai gerar interesse na política por parte da juventude e vai despertar o sentimento de querer estar ativo na política aqui no Distrito Federal”, afirmou.

O deputado federal Fábio Felix (PSOL), de 40 anos, foi eleito para o primeiro mandato aos 32. Na avaliação dele, os eleitores mais jovens também influenciam as escolhas políticas dentro das próprias famílias, principalmente ao apresentar candidatos e compartilhar conteúdos nas redes sociais.

“Essa juventude é formadora de opinião”, disse.

Fábio Felix também destacou que as novas gerações buscam melhores perspectivas para o futuro, com acesso à educação, ao lazer e a oportunidades. Para ele, ampliar a presença de representantes que dialoguem com os jovens nos espaços de poder pode contribuir para transformar a política brasileira.

Redes sociais e mobilização presencial

O deputado distrital Max Maciel (PSOL), de 43 anos, reeleito para o cargo, considera que o engajamento político dos jovens pode ser menor do que o observado em gerações anteriores. Ainda assim, ele destaca que a mobilização continua por meio de diferentes canais, como o movimento estudantil e as redes sociais.

Segundo o parlamentar, as plataformas digitais ajudam a dar visibilidade a reivindicações e a mobilizar pessoas em torno de causas coletivas.

Max Maciel, porém, ressalta que a participação virtual não substitui o contato direto com a população. Para ele, o diálogo nos territórios, a escuta de diferentes perspectivas e a construção coletiva são fundamentais para aproximar a política das necessidades reais dos cidadãos.

O deputado também alerta para os riscos de uma atuação política concentrada exclusivamente nas redes sociais, onde a circulação de informações falsas pode prejudicar o debate público e dificultar a compreensão de questões coletivas.

A discussão sobre novas formas de mobilização também está relacionada ao fortalecimento da participação cidadã e ao papel das redes na formação de opiniões políticas.

Renovação política enfrenta desafios

André Kubitschek (PL), de 33 anos, inicia seu primeiro mandato como deputado distrital. Para ele, a renovação das bancadas é importante para o funcionamento da democracia, embora o ingresso de novos nomes na política enfrente obstáculos.

Em entrevista à TV Globo, o parlamentar afirmou que as estruturas políticas brasileiras favorecem quem já ocupa cargos públicos, o que torna mais difícil a chegada de novos representantes.

“Eu fiquei muito feliz de poder ser uma das pessoas que conseguiu de fato quebrar essa barreira e se integrar a esse quadro no DF”, declarou.

A presença de políticos mais jovens nas instituições, somada à participação dos eleitores nas campanhas e nos debates públicos, amplia a discussão sobre representatividade, renovação das lideranças e o futuro da política no Distrito Federal.

Fonte: G1 DF

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