Agora classificada como via arterial, a passagem entre a Ponte Juscelino Kubitschek (JK) e a Estrada Parque das Nações (DF-004) teve a velocidade reduzida para 60 km/h. A mudança divide opiniões entre os motoristas que utilizam o trecho. Segundo o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), a alteração reflete as transformações no tráfego da região, que passou a registrar maior circulação de pedestres e demanda por travessias. As novas placas de sinalização estão sendo instaladas pelo órgão, e haverá um período de adaptação antes do início da fiscalização eletrônica. Serão 30 dias, após os possíveis ajustes.
De acordo com o artigo 61 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as vias urbanas de trânsito rápido têm limite de velocidade de até 80 km/h, enquanto as vias arteriais são limitadas a 60 km/h. A diferença está relacionada à maior circulação de pedestres, à existência de cruzamentos e ao acesso a outras vias. Ainda segundo o Detran-DF, estudos técnicos apontaram que o trecho já apresenta características compatíveis com a classificação de via arterial.
Muitos motoristas que utilizam o trecho questionam a decisão. Fátima Vieira, 46 anos, trabalha em um salão de beleza no Jardim Botânico e faz o trajeto com frequência. Moradora de São Sebastião, ela costuma seguir em direção ao Plano Piloto para visitar a irmã e participar de um curso profissionalizante. “Ali, o tráfego é sempre muito lento. Entendo a questão dos acidentes, mas, na minha percepção, a mudança de velocidade não influenciará de maneira significativa nesses números”, opina a cabeleireira.
O vendedor Igor Griebeler da Silva, que trabalha em uma farmácia localizada após a Ponte JK, percorre o trecho diariamente. Morador da Asa Norte, ele também é contrário à medida e acredita que o problema poderia ser resolvido com a ampliação da capacidade da via, para atender à demanda crescente de veículos. “Nos horários de pico, aquela via fica inteiramente parada. Muita gente até evita passar por ali”, afirma.
Vera Lúcia Costa, 82 anos, apoia a redução da velocidade. Moradora do Jardim Botânico, a idosa ainda dirige e elogia a mudança. “Sempre estou dirigindo com minha filha pela região e não gosto de altas velocidades. Isso garante mais segurança aos motoristas.”
Em nota, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apoiou a necessidade de redução da velocidade na via. Segundo a instituição, a alteração permitirá a implantação de travessias semaforizadas, além de bolsões para motocicletas e faixas de pedestres, intervenções que devem assegurar maior segurança viária e reduzir a gravidade dos sinistros de trânsito, especialmente para proteger pedestres e ciclistas.
Ainda segundo o MPDFT, a medida adotada pelo Detran-DF dialoga com uma ação civil pública proposta pelo próprio órgão, por intermédio da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb). O intuito é aderir a um conjunto de medidas para tornar as travessias do Eixão mais seguras.
Impacto
Estudos do Detran-DF apontaram que a redução do limite de 80 km/h para 60 km/h provocará um aumento pouco significativo no tempo de deslocamento. Isso porque, especialmente nos horários de pico, a velocidade média registrada na via já é inferior a 60 km/h. O órgão acrescenta que, em um percurso de aproximadamente 2,4 quilômetros, o impacto no tempo de viagem é mínimo diante dos ganhos esperados para a segurança viária.
Dados do órgão mostram que o trecho registrou um sinistro fatal em 2024 e três em 2025. Se o recorte for entre janeiro e maio de 2025, houve um acidente com morte, enquanto, no mesmo período de 2026, nenhum sinistro fatal foi registrado.
O piloto João Luciano Gomez avalia que a redução do limite dificilmente provocará mudanças no trânsito. Morador de Arniqueira, ele utiliza a via com frequência e afirma que o fluxo costuma ser lento nos horários de maior movimento. “A redução de velocidade não vai interferir no trânsito que acontece nesses horários. Vai ficar a mesma coisa”, diz.
A Rede de Promoção da Mobilidade Sustentável e do Transporte Coletivo do Distrito Federal (Rede Urbanidade) manifestou apoio à redução da velocidade na via. Segundo o coletivo, a medida está alinhada às diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), ao conceito internacional de Sistema Seguro (Safe System) e à Política Nacional de Mobilidade Urbana, que prioriza a preservação da vida e a proteção dos usuários mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas.
Com informações do Correio Braziliense



