Após a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, veio à tona o esquema para pagamento de propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o então dirigente do BRB. Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília —, o economista e especialista em mercado financeiro César Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB), analisou o novo capítulo do maior escândalo do setor financeiro do país. Na avaliação de Bergo, os altos valores negociados apontam para um esquema estruturado de fraudes bancárias. “Ele (Paulo Henrique) não agiu sozinho. Houve negligência, imprudência e omissão de vários funcionários”, afirmou aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza.
Nesse primeiro momento, o que observamos é que as entidades de autorregulação deixaram as coisas acontecerem. Ele (Paulo Henrique) tinha pessoas no grupo que entendiam do sistema e muitas delas, inclusive, são pessoas que sugerem mudanças nos veículos de investimento. Parece-me que as pessoas envolvidas nessas operações tinham conhecimento dessas fragilidades. Encontraram uma Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que não tinha presidente e enfrentava dificuldades em seu corpo funcional, além de um Banco Central também em fase de mudança de presidência. Houve, portanto, toda uma questão regulatória envolvida, porque as normas de Basileia (recomendações internacionais de supervisão bancária), controles internos e compliance não foram observadas.
A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A decisão do ministro André Mendonça é muito detalhada em relação às supostas negociações que teriam ocorrido entre Paulo Henrique e Daniel Vorcaro . Como funcionava essa operação?
Quando a gente pega o volume de recursos envolvidos, só o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai ter um prejuízo de R$ 50 bilhões. Então, o que são R$ 146 milhões perto de R$ 50 bilhões? Foi um esquema montado em cima de uma compra de entes localizados de formas estratégicas, escolhidos a dedo, em que os valores envolvidos são muito grandes para que a pessoa pudesse aceitar, pensando muitas vezes que não ia ser descoberto, em função da rede de poder que foi traçada. Sabemos que envolvia pessoas do Judiciário, do Legislativo e do Executivo e foi uma trama bem desenhada desde 2019 e conquistada aos poucos. Agora, entra uma questão também da blindagem da empresa. O que a gente vê muito é que o BRB não estava blindado a esse tipo de ação. Provavelmente foi exatamente por isso que foi escolhido.
O senhor foi presidente de banco. Uma operação dessas ocorreria só por falha ou erro?
Não, ocorreria por negligência, imprudência e omissão. Agora, no caso particular, pelo que foi apurado, houve dolo e má-fé, que é quando eu causo prejuízo a alguém a meu favor. A negligência, a omissão e a imprudência podem acontecer no sentido de um funcionário não querer perder o cargo, por não estar protegido.
O senhor tem acompanhado as medidas que estão sendo adotadas pelo novo presidente do BRB? Acha que estão no caminho certo?
O BRB deveria rever questões administrativas, como patrocínios fora de Brasília. Se buscamos parcimônia e uma gestão responsável, a primeira regra é “fechar a casinha”. Portanto, não vamos gastar dinheiro com o que não tenha um objetivo estratégico, algo que não foi feito. O que tenho observado é que o presidente atual (Nelson de Souza) tinha um discurso enquanto o Ibaneis (Rocha) era governador e tem outro agora, com a atual governadora. Eu estou mais de acordo com o discurso atual, porque temos que preservar o banco. É uma sociedade anônima de capital aberto, com investidores minoritários, e precisa seguir as regras da CVM. O que dá receio é que a gestão parece estar acobertando essas questões, faltando a transparência que a governadora defende. A coisa sai aos ‘soluços’ e as contas não fecham. Então, fica uma interrogação muito grande. Sabemos que o patrimônio do BRB está em torno de R$ 4 bilhões. Para cobrir esse rombo que aparecerá no balanço, terá que haver uma injeção de capital. Houve a sugestão de venda de ações no mercado primário, o que é uma solução, mas o acionista terá que aportar dinheiro. Entra aí a questão do empréstimo pretendido junto ao FGC e na rede bancária. A governadora afirma que até 30 de maio a situação estará solucionada e que o Banco Central é informado diuturnamente. Contudo, na minha visão, há uma demora do Banco Central em tomar as decisões necessárias.
Com informações do Correio Braziliense
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