O fôlego do Ibovespa é maior que os 12 recordes seguidos das últimas semanas. Essa é a atual avaliação do mercado, entusiasta do momento vivido pela Bolsa de Valores brasileira, que sobe 23% nos últimos 12 meses.
“Continuamos otimistas. O movimento [de alta] não se esgotou. A Bolsa brasileira é como uma mola que estava comprimida e agora começou a descomprimir”, diz Lucas Stella, diretor da Santander Asset Management.
No ano passado, o Ibovespa estava com um índice P/L (preço das ações do índice em relação ao lucro das respectivas empresas nos últimos 12 meses) de 8, abaixo da média de 16 dos sete anos anteriores, segundo dados da Bloomberg. Ou seja, um investimento no índice se pagaria apenas com a distribuição do lucro das empresas em oito anos.
Atualmente, com o recente salto de 8% do Ibovespa desde outubro, o P/L do principal índice da Bolsa está em 11,27, ainda abaixo da média histórica recente, o que, segundo especialistas, abre caminho para mais valorização.
“Ainda enxergamos espaço para valorização das ações brasileiras, apesar de toda essa alta. O nosso preço justo para o Ibovespa no final de 2026 é de 170 mil pontos, então ainda vemos uma alta potencial de quase 14%”, diz Antônio Sanches, analista de research da Rico. A Bolsa fechou aos 157.738 pontos na sexta-feira (14).
Além disso, há a aposta de que um dos principais motores desse movimento não deve cessar no curto prazo: a busca por diversificação para além dos Estados Unidos. “Dois mil e vinte e cinco está sendo o ano dos emergentes. O S&P 500 sobe 15% no ano, e emergentes, na média, em dólar, sobem mais de 35%”, diz Stella.
Os estrangeiros tiveram uma entrada líquida de R$ 26 bilhões na Bolsa brasileira até o fim de outubro, de acordo com a Elos Ayta Consultoria, em meio à desvalorização do dólar e dos recordes em Wall Street.
“Historicamente, quando o Ibovespa atinge recordes de pontuação em meio a entradas líquidas de estrangeiros, o resultado tende a ser alta sustentada e valorização mais duradoura. Já quando há volume elevado com saldo negativo, o recado é outro: o mercado está aquecido, mas em compasso de espera”, diz relatório da Elos Ayta.
Já a participação de brasileiros na Bolsa está tímida em relação ao histórico, com pouco investimento de pessoas físicas e investidores institucionais, como fundos de pensão e fundos de investimento.
Um dos maiores chamarizes para o Brasil é o esperado ciclo de corte de juros, previsto para o início de 2026, levando a Selic a 12,25% até o fim do ano que vem -um custo de capital mais barato beneficia as empresas e reduz a atratividade de produtos de renda fixa.
“As taxas de juros reais dos títulos do Tesouro, que também são um bom termômetro para a renda variável, ainda não caíram tanto. Então, com uma possível queda tanto dos juros reais quanto da taxa Selic, isso tende a favorecer a Bolsa”, diz Sanches, da Rico.
Nos EUA, a expectativa também é de taxas menores, o que impulsiona investidores a tomarem mais risco, como nas Bolsas emergentes.
“Nesse contexto geral, ainda há bastante espaço para melhorar. Lógico que não é uma linha reta. Com essas 15 altas seguidas que tivemos seria até natural algum tipo de correção, mas ainda dentro de uma trajetória de recuperação, de descompressão”, afirma Stella, do Santander.
Mesmo a proximidade das eleições presidenciais, que costumam fazer preço no mercado, não desanima os especialistas. Tampouco a possibilidade de Tarcísio de Freitas (Republicanos -SP) se candidatar é tida como um dos fatores que beneficia a Bolsa.
“Teria que ver [um efeito positivo atrelado ao Tarcísio] em outros ativos também, como na renda fixa, no câmbio, nas ações de empresas estatais, e não observamos um elemento diferente do que tem sido a dinâmica ao longo do ano inteiro”, diz Stella.
O economista diz escolher ações de empresas resilientes, cujas características apontam para o crescimento independe do cenário.
Há, porém, setores preferidos dos analistas no momento. Os mais citados são saneamento e energia elétrica, mais resilientes e bons pagadores de dividendos.
Do lado oposto, estão empresas de commodities, que estão em baixa, e as que já se valorizaram muito recentemente, dobrando de preço, como alguns papéis de tecnologia.
“É importante que o investidor escolha boas empresas, faça a pesquisa de como estão os balanços e estude a sua alocação para ver se o percentual que ele tem em Bolsa ainda está ajustado ao perfil de investidor dele”, diz Sanches, da Rico.
Por ser volátil e incerto, o investimento em renda variável é indicado apenas para investidores de perfil moderado e arrojado, que já tenham constituído sua reserva de emergência, além de outros investimentos em renda fixa.
Outra dica de especialistas é aplicar via fundos, caso o investidor não seja familiarizado com o universo de renda variável ou não tenha tempo de acompanhar as empresas de perto.
“Há espaço para oportunidades na Bolsa, mas não para aventuras. Quem investe apenas ‘porque subiu’ tende a comprar caro e vender com medo. Quem investe com estratégia entra e sai pelo motivo certo, não por euforia ou pânico”, diz Carol Stange, planejadora financeira.
Segundo ela, a Bolsa é para quem tem objetivos de médio e longo prazo e aceita a ideia de que o caminho até lá não será uma linha reta, separando a emoção de decisão financeira.
“Defendo que a Bolsa funciona como um instrumento de construção de patrimônio, jamais como atalho.
Para quem possui estratégia, horizonte e serenidade, ela se torna uma das ferramentas mais eficientes para aumentar riqueza ao longo dos anos”, afirma Carol.
A especialista também aponta que não há um percentual exato de renda variável que funcione para cada perfil, já que ele depende de fatores pessoais, como objetivos, prazo, estabilidade financeira e tolerância emocional ao risco.
Os bancos recomendam que, mesmo os investidores mais dispostos a correr riscos tenham a maior parte da sua carteira alocada em renda fixa, dada a previsão de Selic de dois dígitos para os próximos anos.
Originalmente publicado em Jornal de Brasília
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