O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reunirá nesta terça-feira (20) com senadores da oposição em um almoço organizado por parlamentares do PL e do Novo, segundo aponta reportagem do Globo. O encontro ocorre em um momento crucial para Bolsonaro, que busca viabilizar uma anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e trabalha para recuperar sua elegibilidade. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve apresentar nesta semana as conclusões sobre a investigação da tentativa de golpe, o que pode resultar em uma denúncia contra o ex-presidente por conspirar para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), destacou que o encontro é parte de uma tradição semanal da bancada oposicionista e que Bolsonaro foi convidado para debater temas de interesse do grupo. “Esse é um encontro que ocorre toda terça-feira com os senadores de oposição. O (ex-)presidente Bolsonaro foi convidado para conversar conosco a respeito do início do ano legislativo e das diversas pautas importantes que interessam ao povo brasileiro, incluindo anistia, conjuntura e outros temas. Não há pauta fechada”, afirmou Marinho.
Entre os temas que devem ser discutidos está a tramitação do projeto de anistia, que enfrenta resistência na Câmara. Na semana passada, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu familiares de um dos condenados pelos atos golpistas, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não demonstrou a mesma abertura. Ainda assim, aliados de Bolsonaro acreditam que Alcolumbre pode fazer acenos à oposição, uma vez que sua estratégia política já estaria voltada para uma eventual reeleição ao comando do Senado em 2027, quando a direita pode ganhar força na Casa.
O ex-presidente também deve abordar as manifestações contra o governo Lula, buscando manter sua base mobilizada diante do avanço das investigações que miram ele e seus aliados. Na tentativa de reforçar sua influência no Senado, Bolsonaro conta com a recente distribuição de cargos estratégicos para figuras ligadas ao bolsonarismo. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública, Damares Alves (Republicanos-DF) ficou com o comando da Comissão de Direitos Humanos, e Eduardo Gomes (PL-TO), também do partido do ex-presidente, ocupa a vice-presidência do Senado.
Diante do cerco judicial que se fecha sobre ele, Bolsonaro aposta no apoio político e na pressão popular para tentar se blindar de futuras decisões judiciais e garantir sobrevida a sua agenda política.
Com informações do portal 247
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