O mercado lançou seus dados. Agora, estão definidas as apostas sobre como serão as decisões sobre os juros tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Ambas serão anunciadas nesta quarta-feira (18/9) pelos bancos centrais dos dois países, numa “superquarta” como há muito não se via.
A taxa básica de juros do Brasil, a Selic, será definida por volta das 18h30, ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Antes disso, às 15 horas, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), vai anunciar o rumo dos juros nos EUA.
No Brasil, 76,5% dos investidores acreditam numa elevação de 0,25 ponto percentual da Selic, hoje fixada em 10,50% ao ano. É nessa direção que apontam os dados do fechamento de terça-feira (17/9) do mercado de Opções de Copom, da Bolsa brasileira (B3). Outros 15% creem em uma alta de 0,50 ponto percentual e um minoria, ou 8,75% do total, considera que os juros permanecerão no atual patamar.
Nos Estados Unidos, a expectativa é oposta. Ali, espera-se um corte da taxa. De acordo com a ferramenta de análise CME FedWatch, amplamente usada pelo mercado, a possibilidade de uma redução de 0,50 ponto percentual, o que levaria os juros do atual intervalo de 5,25% a 5,50% para 4,75% a 5,00%, era de 65% no fim da tarde de terça-feira (17/9). A queda de 0,25 ponto percentual tinha 35% de chances.
Jogo em andamento
Embora as apostas formem maiorias parrudas – com o aumento de 0,25 ponto no Brasil e queda de 0,50 ponto nos EUA –, isso não quer dizer que o jogo esteja encerrado. Enrico Cozzolino, sócio e líder de análise da Levante Investimentos, observa que o consenso do mercado caminha na direção desses números, mas ainda há “divergências latentes” sobre o placar final das taxas, notadamente em relação aos juros no Brasil.
Só para lembrar, os juros são a principal ferramenta da política monetária, com a qual os bancos centrais desaquecem a economia para conter a inflação – e mantê-la no centro da meta. No caso brasileiro, essa meta é de 3%, com tolerância de 1,50 ponto percentual para cima (no americano é de 2%). Projeções feitas pelo mercado, captadas pelo Relatório Focus do BC, indicam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 3,95% em 2025. Ou seja, dentro do teto da meta.
Forças nos dois sentidos
Cozzolino observa que há fatores que pressionam a inflação para cima. Nesse caso, os economistas incluem na lista, entre outros pontos, o mercado de trabalho aquecido (que aumenta a renda e a disposição de gastar), a resiliência dos preços no setor de serviços, a recente seca e o desafio fiscal (sobre a relação entre receitas e gastos do governo).
Em contrapartida, o analista também aponta para a existência de fatores positivos no quadro econômico, como a própria perspectiva de queda de juros nos EUA. “Por isso, a Selic até poderia ser mantida nos atuais 10,50% ao ano pelo Copom”, diz Cozzolino. “Mas de fato é provável que o BC brasileiro queira mostrar maior austeridade e suba a taxa.”
Postura cautelosa
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, crava com maior convicção no aumento de 0,25 ponto percentual, que acredita ser mais condizente com o “compromisso do Banco Central em combater as pressões inflacionárias persistentes”. “Ao mesmo tempo, o ajuste modesto (a alta de 0,25 ponto) sugere que o BC está adotando uma postura cautelosa, sem se engajar num ciclo agressivo de alta, mas sinalizando que está disposto a ajustar os juros se necessário”, diz Lima.
Maiores riscos
Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos, já vê riscos maiores no cenário econômico. Assim, ele também considera que o BC vai elevar a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, mas acredita que essa alta teria de ser seguida por outros dois aumentos de 0,50 ponto percentual, nas próximas reuniões do Copom, em novembro e dezembro, o que levaria Selic a 11,75% ao ano.
“A ‘desancoragem’ da expectativa de inflação é clara”, diz Bertotti. Note-se que, para o mercado, a “desancoragem” ocorre quando as estimativas inflacionárias não convergem para a meta de inflação. Além disso, acrescenta o economista, o quadro fiscal agrava-se em várias frentes, com “gastos extraordinários do governo”. “Isso além de ruídos políticos comuns como foi o caso do intervencionismo nas estatais”, diz, referindo-se à troca de presidente da Petrobras, em junho.
Dúvidas nos EUA
No caso dos juros americanos, os analistas observam que também persistem dúvidas sobre o tamanho do corte. Bertotti destaca que, embora a balança esteja pendendo para o lado dos 0,50 ponto percentual, essa expectativa só ganhou força na última semana. Antes disso, a previsão era de uma queda de 0,25 ponto percentual. Na prática, há chances nas duas direções. Só não se cogita na manutenção do atual intervalo entre 5,25% e 5,50%.
Bertotti nota que, na terça-feira (17/9), foram divulgados dados nos EUA sobre o desempenho do varejo e da indústria, que vieram acima das estimativas do mercado. Para o especialista, esses são sinais de que a economia americana ainda mostra fôlego, o que pode dificultar a queda da inflação. Se essa intepretação prevalecer, ganha força a tese de corte de 0,25 ponto da taxa. “Outra possibilidade, e é nessa que acredito, é de redução de 0,50 ponto, mas acompanhada por um comunicado mais duro, que não passe tanto otimismo para o mercado”, diz. Agora, é esperar para ver – e falta pouco.
Com informações do portal Metrópoles
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