Estudo da Opas aponta avanço dos transtornos por uso de drogas e alerta para impacto crescente entre jovens e homens na região
Os transtornos por uso de drogas já se consolidam como um dos principais desafios de saúde pública nas Américas. Dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que essas condições estão entre os dez maiores fatores de risco para mortes e incapacidades na região, com efeitos que se estendem a famílias, comunidades e aos sistemas de saúde.
Em 2021, cerca de 17,7 milhões de pessoas nas Américas viviam com algum transtorno relacionado ao uso de drogas. Nesse mesmo ano, quase 78 mil mortes foram diretamente atribuídas a essas condições, número que representa uma taxa de mortalidade quatro vezes maior do que a média global.
As informações fazem parte de um estudo publicado em 26 de dezembro no Pan American Journal of Public Health, com base em dados do Global Burden of Disease 2021.Play Video
Segundo a análise, os transtornos por uso de drogas afetam de forma desproporcional homens jovens e são impulsionados principalmente pelo consumo de opioides. Esse grupo de substâncias respondeu por mais de 75% das mortes associadas ao problema na região.
O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, afirma que o cenário exige respostas imediatas dos países.
“Os transtornos por uso de drogas são um problema de saúde pública prevenível e tratável, mas estão causando um impacto cada vez maior sobre famílias e comunidades em toda a nossa Região”, disse em comunicado.
Para ele, é urgente ampliar serviços baseados em evidências voltados à prevenção, ao tratamento e à redução de danos, com atenção especial a jovens e populações mais vulneráveis.
Opioides lideram mortes
O estudo mostra que os transtornos por uso de drogas passaram a causar mais adoecimento e mortes nas últimas duas décadas. Entre 2000 e 2021, os anos de vida perdidos por incapacidade quase triplicaram, com crescimento médio de cerca de 5% ao ano.
Embora os homens jovens concentrem a maior parte dos casos, o avanço das mortes entre mulheres também chama a atenção dos especialistas.
As diferenças regionais também se destacam. Na América do Norte, o aumento dos transtornos está fortemente ligado ao uso de opioides sintéticos de alta potência, como o fentanil, além das anfetaminas. Já no Caribe, na América Central e na América do Sul, o impacto mais relevante na última década esteve associado ao consumo de cannabis e cocaína.
Os autores estimam que mais de 145 mil mortes por diversas causas em 2021 — incluindo overdoses, câncer de fígado, cirrose e suicídio — tiveram relação com o uso de drogas.
Esse conjunto de condições coloca o consumo de substâncias no mesmo patamar de outros grandes fatores de risco, como hipertensão, obesidade, alimentação inadequada e tabagismo.
Durante a pandemia de Covid-19, os dados indicam um agravamento do cenário, especialmente nos transtornos ligados ao uso de opioides e anfetaminas. O estresse prolongado, o isolamento social e a interrupção de serviços de saúde podem ter contribuído para o aumento das mortes nesse período.
Opas defende reforço na prevenção e no cuidado
Diante do avanço dos transtornos por uso de drogas, a Opas destaca lacunas importantes na prevenção, no acesso ao tratamento e nos serviços de redução de danos em vários países da região.
A organização recomenda fortalecer programas preventivos voltados a jovens, ampliar o acesso ao tratamento assistido por medicamentos e integrar o cuidado relacionado ao uso de substâncias à atenção primária e aos serviços comunitários.
Também é apontada a necessidade de aprimorar os sistemas de vigilância para identificar tendências emergentes, sobretudo aquelas relacionadas a opioides sintéticos e ao uso combinado de drogas, além de garantir abordagens sensíveis às diferenças de gênero.
Ferramentas de rastreamento desenvolvidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como o teste de identificação de transtornos por uso de álcool (AUDIT) e o teste de triagem para envolvimento com álcool, tabaco e outras substâncias (ASSIST), são citadas como estratégias eficazes e de baixo custo para reduzir danos e diminuir a distância entre a necessidade e o acesso ao tratamento.
Com informações do Metrópoles
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