A permanência de Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado passou a ser considerada insustentável por integrantes do núcleo duro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação ganhou força após a autorização, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Aliado histórico de Lula e uma das principais lideranças do PT, Wagner já enfrentava desgaste no Palácio do Planalto em razão de dificuldades na articulação política no Senado. A nova crise, porém, ampliou a pressão interna e levou auxiliares presidenciais a defenderem uma mudança no comando da liderança do governo na Casa.
Crise deixa de ser apenas parlamentar
Até então, as críticas a Wagner estavam concentradas na condução da base governista no Senado e em derrotas recentes sofridas pelo governo. Interlocutores do Planalto avaliavam que a articulação precisava ser reforçada, especialmente em votações consideradas estratégicas para o Executivo.
Com a nova fase da investigação autorizada pelo STF, a situação passou a ser vista por setores do governo como mais delicada. A liderança do governo no Senado exige interlocução permanente com parlamentares, ministros, partidos da base e setores institucionais. Por isso, integrantes do núcleo político de Lula avaliam que a manutenção de Wagner no posto pode criar uma vulnerabilidade adicional para o Planalto.
Aliado histórico sob pressão
Jaques Wagner é um dos nomes mais próximos de Lula desde os primeiros governos petistas. Ex-ministro, ex-governador da Bahia e figura influente no Senado, ele sempre foi considerado um quadro de confiança do presidente.
Essa relação histórica, no entanto, não tem sido suficiente para neutralizar o incômodo dentro do governo. A avaliação reservada é que Lula terá de ponderar entre a lealdade pessoal e política a Wagner e a necessidade de preservar a capacidade de articulação do governo em um momento sensível no Congresso.
Planalto busca reorganização
Nos bastidores, a discussão já não gira apenas em torno da permanência ou saída de Wagner, mas também sobre o perfil de quem poderia assumir a função. O governo precisa de um líder com capacidade de diálogo com diferentes partidos, trânsito no Senado e força para reduzir derrotas em votações decisivas.
A eventual troca, porém, exige cuidado político. Uma substituição abrupta poderia ser interpretada como abandono de um aliado histórico em meio à crise. Por outro lado, a manutenção de Wagner no cargo tende a alimentar novas pressões internas e externas sobre o Planalto.
Governo tenta conter danos
A avaliação predominante entre auxiliares de Lula é que o governo precisa agir para evitar que a crise contamine ainda mais a relação com o Senado. O Planalto sabe que terá pela frente votações relevantes e não pode correr o risco de ver sua base desorganizada em um ambiente de tensão política.
Para integrantes do núcleo duro do presidente, a situação de Wagner chegou a um ponto em que a permanência na liderança deixou de ser apenas uma questão de confiança pessoal. Tornou-se um problema político para o governo.
Com informações do portal 247
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