O pedido foi feito junto ao Ministério Público Federal depois que Flávio Bolsonaro admitiu que o filme recebeu US$ 12 milhões pagos por Vorcaro
A deputada federal Dandara (PT-MG) encaminhou na terça-feira (19) um ofício urgentíssimo à procuradora-chefe da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF), Anna Carolina Rezende de Jesus Santos. Ela solicita a adoção de medidas judiciais cautelares para impedir a exibição comercial do filme Dark Horse (Azarão), cinebiografia política sobre Jair Bolsonaro, até que sejam concluídas as investigações em curso sobre a origem dos recursos que financiaram a produção.
O pedido se insere em um cenário de denúncias gravíssimas em que, segundo reportagem do site Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master – e atualmente preso pela Polícia Federal -, um aporte de 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões à época) para custear a produção do longa-metragem. Desse total, cerca de R$ 61 milhões já teriam sido efetivamente transferidos, em seis operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e vinculado a aliados de Eduardo Bolsonaro. À TV Globo, a dona da produtora GO UP Entertainment, responsável pelo filme, disse que a produção audiovisual já teria recebido um aporte de US$ 13 milhões e que 90% desse valor teria sido pago por Daniel Vorcaro.
Para Dandara, um filme, com grande suspeita de ter sido bancado com 90% do dinheiro roubado do escândalo do BolsoMaster, de ter sido produzido de modo irregular, utilizado para lavagem de dinheiro e para financiar ações contra o Brasil, não pode ser exibido até que as investigações sejam concluídas.
“O que estamos requerendo ao MPF é que o Estado brasileiro impeça, mesmo que temporariamente, que uma obra aparentemente financiada com recursos oriundos do maior esquema de fraude do sistema financeiro nacional gere ainda proveito econômico, político e eleitoral antes de qualquer apuração. Antes que digam, reafirmo que medida cautelar não é censura. Precisamos proteger, em primeiro lugar, os interesses do povo brasileiro”, afirmou a parlamentar.
Imóvel no Texas
O ofício também destaca que, segundo informações do COAF, a empresa que teria bancado o filme e o Banco Master movimentaram conjuntamente R$ 203 milhões em um único dia. Há ainda notícia, publicada pela Folha de S. Paulo, de que o fundo vinculado ao advogado de Eduardo Bolsonaro, que teria administrado os recursos de Vorcaro para o filme, teria adquirido um imóvel no Texas. “Esses fatos aprofundam as dúvidas sobre a origem, o percurso e a finalidade real dos valores envolvidos na produção. Está na cara que o filme foi usado como laranja para a circulação desse dinheiro sujo, que pode ter sido usado para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA e as ações promovidas pela família Bolsonaro, como a campanha pela anistia e as ações que atacavam a soberania do Brasil (PIX e tarifaço de Trump)”, pontuou Dandara.
Irregularidades administrativas
Além das suspeitas sobre o financiamento, a deputada aponta um conjunto de irregularidades administrativas que reforçam a necessidade de intervenção imediata do Ministério Público Federal. Segundo o Intercept Brasil, o filme teria sido rodado no Brasil pela produtora Go Up Entertainment Ltda., sem que nenhuma das obrigações legais exigidas pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE) tivesse sido cumprida: sem registro da produção, sem apresentação de contratos, sem comprovação de vistos de trabalho para elenco majoritariamente estrangeiro e com denúncias de não pagamento de direitos trabalhistas a parte da equipe brasileira.
Investigação
O ofício também pede uma ação investigativa de amplo espectro, abrangendo a expedição de ofícios à Ancine, ao Ministério da Cultura, ao COAF, ao Banco Central, à Receita Federal, à Polícia Federal, ao TCU, ao Ministério do Trabalho, à CVM e ao Ministério Público Eleitoral, além da requisição de documentos societários e financeiros, oitiva de representantes da Go Up Entertainment, adoção de medidas de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos e acautelamento de provas.
A parlamentar pede que, ao menos, seja suspensa qualquer forma de lançamento comercial no Brasil até a apresentação integral da documentação regulatória, fiscal, trabalhista e financeira do projeto.
Assessoria de Comunicação da deputada Dandara (PT-MG)
PT CAMARA
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