A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a morte de Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, que procurou atendimento na rede pública de saúde após apresentar fortes dores de dente e teve o quadro agravado nas semanas seguintes. As informações são do Metrópoles.
O problema começou em 20 de julho, quando a adolescente passou por um procedimento de obturação de um dente com cárie. Nos dias seguintes, ela passou a apresentar dores intensas e inchaço em outro dente.
Em 29 de julho, Maria Luiza procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) II de Sobradinho, onde recebeu prescrição de antibiótico. Segundo a família, houve melhora inicialmente, mas os sintomas retornaram posteriormente.
Atendimento na UPA
No dia 9 de agosto, a adolescente foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho II. Na unidade, foi realizada a drenagem de um abscesso dentário e prescrito outro antibiótico.
Três dias depois, em 12 de agosto, Maria Luiza retornou à UPA após uma piora dos sintomas. Ela apresentava náuseas, falta de apetite, dores intensas pelo corpo e formigamento no rosto.
Segundo familiares, a adolescente chegou a vomitar e desmaiar de dor enquanto estava na unidade. Posteriormente, foi encaminhada para a Sala Vermelha.
Diante do agravamento do quadro, Maria Luiza foi transferida para o Hospital da Criança de Brasília (HCB), onde foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado gravíssimo.
A adolescente sofreu cinco paradas cardíacas e morreu na noite de 13 de agosto.
Causa da morte ainda é investigada
Um relatório do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) apontou que o quadro evoluiu para uma possível infecção generalizada associada a uma endocardite bacteriana de origem odontológica.
Exames realizados após a morte também identificaram rinovírus e Influenza B. Durante a necropsia, foram encontrados aproximadamente 300 mililitros de sangue acumulados no tórax, ao redor do pulmão, caracterizando um hemotórax.
Como o achado poderia estar relacionado a uma causa externa ou morte suspeita, o SVO interrompeu a emissão do laudo conclusivo e orientou a família a registrar uma ocorrência policial para que o corpo fosse encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML).
Na declaração de óbito assinada em 17 de agosto por um médico-legista, a causa da morte ainda aparece como “óbito a esclarecer por exames complementares”.
Pai pede investigação
O pai da adolescente, o autônomo André Estevam Abreu, afirma acreditar que a morte poderia ter sido evitada caso a filha tivesse sido encaminhada para atendimento hospitalar anteriormente.
“Podia ter sido evitada a morte dela. Podiam ter encaminhado ela logo para o hospital na segunda vez que ela foi à UPA. Não é normal. Eu não consigo explicar a dor que estou sentindo pela perda da minha filha”, afirmou.
Segundo André, Maria Luiza era considerada saudável e tinha apenas asma controlada. O pai também questiona a possibilidade de a morte estar relacionada apenas ao problema odontológico.
“Eu não acredito que a minha filha se foi por causa de uma dor de dente”, lamentou.
A família pretende buscar esclarecimentos na Justiça e afirma querer investigar uma possível negligência no atendimento médico.
“A gente quer justiça para provar que houve negligência médica”, declarou o pai.
Maria Luiza sonhava em se formar em artes e trabalhar como artista. Segundo o pai, ela era uma boa aluna, recebia elogios na escola e era considerada uma filha e irmã companheira.
Investigação
O caso foi registrado na 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho II), que deverá apurar as circunstâncias da morte e os atendimentos prestados à adolescente.
A família também precisou aguardar aproximadamente uma semana para realizar o sepultamento, devido aos procedimentos de necropsia. O velório ocorreu na quarta-feira (19), no Cemitério de Sobradinho II.
O que diz o Iges-DF
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) lamentou a morte da adolescente e afirmou que ela procurou a UPA de Sobradinho em 9 de agosto para receber atendimento odontológico de urgência.
Segundo o instituto, a responsável informou à equipe que Maria Luiza realizava tratamento odontológico fora da rede pública. Durante o atendimento, a adolescente recebeu tratamento dentário e a família foi orientada sobre a necessidade de continuidade do acompanhamento com especialista em canal, serviço que, segundo o IgesDF, não é disponibilizado pela rede pública.
Ainda de acordo com o instituto, na noite de 12 de agosto a adolescente retornou à unidade apresentando vômitos e dor abdominal. Ela passou por avaliação médica, exames complementares e monitoramento, além de receber medidas de suporte.
Com a evolução do quadro e alterações identificadas nos exames, a paciente foi encaminhada à Sala Vermelha. A equipe também solicitou à Central de Regulação da Secretaria de Saúde do DF a transferência para uma UTI pediátrica.
No dia 13 de agosto, por volta das 17h30, Maria Luiza foi transferida para o Hospital da Criança de Brasília, onde continuou recebendo atendimento.
O IgesDF afirmou ainda que, em respeito ao sigilo médico, à privacidade da paciente e à legislação, não divulga informações clínicas individualizadas além das necessárias ao esclarecimento dos fatos. O instituto declarou que permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.


