TaguaCei — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende propor a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de integrantes de sua família e cobrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, adote a mesma medida. A iniciativa, segundo reportagem do Brasil 247 baseada em informações da Folha de S.Paulo, prevê a apresentação simultânea de documentos financeiros dos dois grupos familiares, com o objetivo de dar transparência às informações e responder às acusações feitas durante a campanha.
A proposta inclui a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Do lado de Flávio, a iniciativa envolveria familiares, empresas e informações sobre contas mantidas no exterior. A medida seria encaminhada à Justiça Eleitoral, mas sua efetivação dependeria da concordância dos envolvidos e dos procedimentos legais aplicáveis.
O tema ganhou destaque após o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18), quando os candidatos trocaram acusações sobre patrimônio, corrupção e investigações envolvendo pessoas próximas. A discussão também se relaciona às controvérsias sobre o combate à corrupção e a transparência na campanha eleitoral.
Suspeitas envolvendo empresa ligada a advogado
Um dos pontos citados na proposta envolve a Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que, segundo a reportagem original, estaria ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro.
A discussão ganhou força após a Polícia Federal obter mensagens eletrônicas que indicariam uma possível ligação do senador com uma conta bancária no Santander associada ao advogado. Tomaz é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tanto ele quanto Flávio Bolsonaro negam irregularidades.
De acordo com a publicação, uma funcionária solicitou ao banco, em maio de 2025, a retirada do nome do senador da conta vinculada à empresa. A assessoria de Flávio contestou a existência da relação financeira descrita e afirmou que ele nunca manteve conta na qual Willer Tomaz ou empresas ligadas a ele fossem usuários principais.
A documentação preparada pela equipe de Lula também menciona empresas associadas ao senador, entre elas a All In One Corretora de Seguros Ltda., a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e a Bolsonaro Digital Ltda. A campanha petista pretende incluir informações sobre patrimônio, rendimentos, dívidas e movimentações financeiras.
Quais familiares seriam incluídos na proposta?
No caso de Lula, a abertura de informações abrangeria o próprio presidente, Janja e os cinco filhos dele: Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva.
A proposta também menciona a LILS, empresa criada em 2011 para administrar as atividades de palestras do presidente, na qual Lula figura como sócio não administrador.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a iniciativa envolveria sua esposa, Fernanda Bolsonaro, seus pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.
A intenção da campanha petista é que os documentos sejam apresentados simultaneamente, permitindo a comparação das informações. A medida, contudo, depende da concordância dos envolvidos e da definição dos procedimentos legais necessários para eventual acesso e divulgação dos dados protegidos por sigilo.
Lula anunciou proposta após debate na Band
Lula anunciou a intenção de abrir seus sigilos durante compromissos de campanha em Porto Alegre e em entrevista ao SBT. Segundo o presidente, a iniciativa seria uma resposta às acusações recorrentes contra integrantes de sua família durante as disputas eleitorais.
“Eu sei que, em toda eleição, inventam alguma coisa contra a minha família e resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo”, declarou.
A proposta ganhou força após o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18), quando os dois candidatos trocaram acusações relacionadas a patrimônio e investigações envolvendo pessoas próximas.
Durante o confronto, Flávio questionou Lula sobre Lulinha e as investigações relacionadas a possíveis irregularidades no INSS. O presidente respondeu que o filho já havia autorizado a Polícia Federal a acessar informações bancárias e telefônicas.
Lula também cobrou explicações do adversário sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e mencionou um pedido de R$ 134 milhões destinado ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No debate, o presidente sugeriu que os dois candidatos entregassem os documentos aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que eventuais irregularidades fossem examinadas antes da votação.
Flávio Bolsonaro declarou que não tinha nada a esconder, mas, segundo a reportagem original, não confirmou se aceitaria a abertura simultânea dos sigilos. O senador também fez acusações contra Lula durante o confronto, sem apresentar provas que as sustentassem naquele momento.
A iniciativa proposta pelo presidente coloca a transparência patrimonial no centro da reta final da campanha. A eventual abertura dos dados, entretanto, não significa que existam irregularidades comprovadas: as informações precisariam ser examinadas e contextualizadas pelas autoridades competentes.
Fonte: Brasil 247



