Objetivo é tornar o DF mais acessível, sustentável e menos dependente de carros
Leandro Cipriano
Com a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) em andamento, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) inicia a série Entendendo o PDOT, para explicar as principais estratégias propostas para resolver diversos problemas do Distrito Federal. O primeiro assunto abordado é mobilidade, mostrando como é possível melhorar a forma como as pessoas se deslocam e vivem na cidade.
Nesse ponto, o objetivo principal é tornar o DF um lugar mais acessível e com mobilidade sustentável, ou seja, promovendo os deslocamentos a pé, por bicicleta e por transporte público coletivo, diminuindo a dependência por carros.
Para alcançar isso, foi necessário um estudo dos problemas e oportunidades de mobilidade no Distrito Federal. O diagnóstico do PDOT mostrou que o DF tem uma ocupação espalhada, com longas distâncias entre as Regiões Administrativas (RAs) e pouca diversidade de atividades em muitos bairros. Isso faz com que o carro tenha vantagem no dia a dia da população e, com isso, o transporte público coletivo se torna uma opção menos atrativa.
A partir do diagnóstico, o Plano Diretor definiu estratégias para promover a mobilidade sustentável e criar uma cidade mais humana e acessível, como explica o diretor de Planejamento Territorial e Urbano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Antônio Martins.
“Ao combinar o desenvolvimento urbano com o transporte público em grande escala e melhorar a segurança e a qualidade dos espaços públicos em menor escala, o PDOT busca reduzir as distâncias e o tempo de viagem, incentivar o uso de transporte coletivo e os meios não motorizados, e diminuir a dependência do automóvel em todas as partes do Distrito Federal”, afirma o diretor.
Dessa forma, foram definidas duas estratégias complementares e integradas: uma focada no território do DF como um todo, abrangendo os deslocamentos de maior distância que conectam grandes centralidades; e outra pensada para núcleos urbanos e bairros, focada nos deslocamentos menores e locais, além da qualificação dos espaços públicos. Entenda cada uma delas a seguir:
Estratégia I – Rede Estrutural de Transporte Coletivo e Desenvolvimento Orientado
Essa estratégia foca no desenvolvimento da cidade vinculado à rede de transportes públicos coletivos, como metrô e BRT (sigla em inglês para Bus Rapid Transit). Em outras palavras, a cidade cresce junto desses transportes voltados a um grande número de pessoas.
“A ideia é que, ao planejar o desenvolvimento urbano ao longo dessas vias prioritárias para transporte coletivo, as pessoas possam morar e trabalhar mais perto do transporte público, diminuindo a necessidade do carro”, destaca Antônio Martins.
A estratégia se baseia no conceito de Desenvolvimento Orientado ao Transporte Coletivo (DOT), que busca uma cidade mais compacta, conectada e coordenada.
Os desafios vão desde promover o desenvolvimento de áreas já urbanizadas, especialmente perto das estações de transporte público; incentivar áreas com usos diversificados (moradia, comércio, serviços); fortalecer centralidades ligadas por transporte público; e otimizar a infraestrutura existente, valorizando a gestão social da terra urbana.
As diretrizes incluem:
– Localizar novas estações em áreas de centralidades e polos geradores de viagens.
– Reservar espaço nas novas áreas de desenvolvimento para a infraestrutura exclusiva de transporte público.
– Incentivar a diversificação de usos e a qualificação dos espaços públicos no entorno das estações.
– Vincular novas áreas de moradia à rede de transporte coletivo.
Estratégia II – Cidade Integrada e Acessível
A segunda estratégia busca tornar os deslocamentos de menor distância mais seguros e agradáveis, englobando medidas para melhorar a segurança viária e as condições de circulação e de infraestrutura das ruas, criando espaços públicos de qualidade que sejam para todos.
O PDOT identificou que há muitos obstáculos para a mobilidade a pé e de bicicleta no DF, além de problemas de segurança no trânsito. Por exemplo, as rodovias muitas vezes dividem bairros próximos e não oferecem travessias seguras o suficiente para pedestres e ciclistas. Além disso, muitos deslocamentos curtos ainda são feitos de carro, mesmo podendo ser realizados a pé ou de bicicleta.
A estratégia se baseia no conceito da pirâmide invertida do tráfego, que prioriza os meios de transporte não motorizados, mais sustentáveis e que emitem menos poluição: primeiro os pedestres, depois ciclistas, em seguida o transporte público e, por último, o carro particular.
PDTU
As estratégias do PDOT para mobilidade precisam estar em alinhamento com o Plano Diretor de Transporte Urbano do DF (PDTU), que atualmente está em processo de atualização no Distrito Federal. Ele é o instrumento que define as diretrizes específicas e as políticas estratégicas para a gestão dos transportes urbanos e o planejamento da mobilidade urbana com objetivos, metas e ações.
“O PDOT estabelece o diagnóstico e as diretrizes em grande escala para diversos temas no território. O PDTU, por sua vez, complementa essa visão ao propor as soluções específicas de mobilidade e detalhá-las”, resume Antônio Martins. “Por exemplo, se o PDOT indica o desenvolvimento de uma região e a necessidade de melhorar a mobilidade naquela localidade, o PDTU será o responsável por planejar e determinar as propostas específicas, como a implementação de novas estações de metrô ou outras infraestruturas de transporte, sempre com base nas prioridades levantadas pelo PDOT para aquela área”, exemplifica.
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008
- Trump descarta filho do último Xá do Irã de “planos” para futuro do país

- Botafogo cai para o Barcelona e fica fora da Libertadores

- Roger Machado é anunciado como novo técnico do São Paulo

- Agências do trabalhador têm vagas com salários de até R$ 3,8 mil nesta quarta-feira (11)

- Observatório terá dados e estudos sobre educação inclusiva na rede pública do DF






Deixe um comentário