Desde o início do ano, o herdeiro do último xá a governar o Irã, Reza Ciro Pahlavi, tenta liderar revolução no país a distância, diretamente do exílio nos Estados Unidos. Mas, apesar de falas sobre liderar uma transição política na nação persa após a morte do aiatolá Ali Khamenei, o príncipe iraniano parece ser carta fora do baralho para Donald Trump.
Quem é Reza Ciro Pahlavi?
- Reza Ciro Pahlavi, 65 anos, vive exilado nos Estados Unidos desde o fim da década de 1970, quando o regime de seu pai, o xá Mohammad Reza Pahlavi, foi derrubado pela revolução islâmica no Irã.
- O político é atualmente o último herdeiro do trono iraniano, que controlou o Irã entre 1941 e 1979, sob a tutela dos EUA.
- Reza Pahlavi foi deposto em 1979 após manifestações contra repressão, corrupção e práticas abusivas.
- Na época, os protestos foram incentivados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que vivia exilado na França.
- Com a derrubada da monarquia, a família Pahlavi fugiu do país e buscou refúgio nos EUA.
- Ciro Pahlavi ganhou destaque no começo do ano, após incentivar e convocar protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei.
- O nome de Ciro Pahlavi foi citado em alguns atos. A maioria deles, porém, tinah como foco pressionar a então administração de Khamenei, e não necessariamente pedia o retorno da monarquia ao país.
No mesmo dia em que forças norte-americanas iniciaram a Operação Fúria Épica, Pahlavi usou as redes sociais para voltar a se colocar como possível nome para um novo governo no Irã. Isso porque, em sua visão, qualquer nome apontado para substituir o aiatolá Ali Khamenei estaria “condenado ao fracasso desde o início”.
Nas mensagens que se seguiram, sempre divulgadas em plataformas como Telegram e X, o herdeiro do trono iraniano voltou a convocar manifestações no Irã — as mesmas contra o governo teocrático que começaram no fim de 2025 e foram duramente reprimidas por Teerã antes do início da guerra.
Além disso, o herdeiro do último xá iraniano fez uma ameaça direta ao Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) e às autoridades que não foram assassinadas pelos bombardeios dos EUA e de Israel.
“Rendam-se ao povo iraniano”, disse Pahlavi em uma mensagem divulgada dia 1º de março. “Declarem sua lealdade ao meu programa e ao sistema de transição, e entreguem o governo sem mais derramamento de sangue.”
Mas, apesar das declarações do herdeiro do xá, Trump rapidamente descartou as chances de Pahlavi ter qualquer participação no futuro da política iraniana.
“Algumas pessoas gostam dele, e não temos pensado muito nisso”, declarou o líder norte-americano em 3 de março, após ser questionado sobre a possibilidade. “Parece-me que alguém de dentro seria mais apropriado.”
Governo islâmico se mantém no poder
Além disso, a própria realidade no Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei travou os planos de Reza Pahlavi sobre conduzir uma revolução no país a partir do exílio — como fez o aiatolá Ruhollah Khomeini na década de 1970, quando o império de seu pai ruiu.
Com a confirmação da morte do antigo líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, parte da população iraniana passou a protestar. Os atos, contudo, não foram de encontro aos desejos de Pahlavi. Os protestos focaram a operação militar dos EUA e de Israel que resultou na morte não só de importantes figuras da República Islâmica, como também de civis.
Em meio às falas de Trump sobre participar da escolha de um novo líder para o país e às intenções do herdeiro do xá assumir o poder, o governo teocrático do Irã demorou menos de 10 dias para escolher o sucessor de Khamenei.
O clérigo Mojtaba Khamenei foi escolhido pela Assembleia de Especialistas, órgão composto por 88 aiatolás, como o novo líder do Irã. O religioso é o segundo filho do aiatolá Ali Khamenei, que comandou o país persa por aproximadamente 36 anos.
Contrariedade trumpista
A ascensão do herdeiro de Khamenei ao poder, indicando continuidade do governo – apesar da guerra –, não foi bem vista por Trump.
Dias antes da escolha de Mojtaba, o presidente dos EUA afirmou que o novo líder iraniano não “vai durar muito” sem a sua aprovação — ainda que os assuntos internos do Irã não digam respeito ao líder norte-americano.
Até o momento, Trump ainda não deixou claro se deve intervir na política interna do Irã, como aconteceu com a Venezuela, que se virou aos EUA após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro. O nome de Pahlavi, porém, não tem sido citado em nenhuma das declarações do líder norte-americano sobre o assunto.
Com informações do portal Metrópoles
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