CLDF debate políticas públicas para dislexia e transtornos de aprendizagem

Fonoaudióloga Renata Monteiro participa do 1º Fórum Distrital de Conscientização da Dislexia e Demais Transtornos de Aprendizagem, na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Foto: Sara Marques/Agência CLDF

TaguaCei — A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sediou, na segunda-feira (19), o 1º Fórum Distrital de Conscientização da Dislexia e Demais Transtornos de Aprendizagem. O encontro reuniu especialistas, representantes de entidades e pessoas envolvidas com a neurodiversidade para discutir medidas de inclusão, diagnóstico precoce e apoio aos estudantes. Organizado pelo Movimento para a Inclusão (Movin), em parceria com a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Autismo, o evento também destacou a necessidade de ampliar as políticas de inclusão e atendimento especializado na educação do DF.

A frente parlamentar é presidida pelo deputado distrital Eduardo Pedrosa (União), que defendeu ações governamentais para atender pessoas com diferentes condições de neurodesenvolvimento e aprendizagem.

“A luta pela neurodiversidade é uma só, não importa a sigla da condição”, afirmou o parlamentar.

Pedrosa ressaltou a importância de identificar dificuldades ainda na educação infantil, investir na formação continuada dos professores, oferecer avaliações adaptadas e ampliar o acesso ao acompanhamento multidisciplinar nas redes pública e privada.

“Precisamos de ações governamentais estruturadas que garantam a triagem precoce, ainda na educação infantil, reduzindo drasticamente as dificuldades da alfabetização. Precisamos de formação continuada para educadores, avaliações adaptadas e apoio multidisciplinar acessível a todos, na rede pública e privada”, declarou.

Falta de dados dificulta a criação de políticas públicas

A neuropsicopedagoga Andreia Alves chamou a atenção para a ausência de informações precisas sobre estudantes neurodivergentes no Distrito Federal. Segundo ela, a falta de dados consolidados limita a elaboração de políticas públicas capazes de atender às necessidades dos alunos.

“Como construir políticas públicas eficazes se não conhecemos com precisão a realidade dos estudantes com transtornos de aprendizagem? Existem apenas estimativas”, questionou.

Andreia defendeu que o planejamento educacional seja baseado em informações concretas sobre o número de estudantes e suas necessidades. Para ela, conhecer essa realidade é fundamental para direcionar recursos e estruturar o atendimento nas escolas.

A discussão também se relaciona à importância do levantamento de informações sobre a rede de ensino, como as apresentadas no Censo Escolar do Distrito Federal.

Especialista relata dificuldades de alfabetização

A fonoaudióloga Renata Monteiro, profissional do Sistema Único de Saúde (SUS), compartilhou experiências do atendimento a crianças e adolescentes na região de saúde oeste, que abrange Ceilândia, Brazlândia, Sol Nascente, Pôr do Sol e municípios do Entorno, como Águas Lindas de Goiás.

Ela relatou encontrar adolescentes do 9º ano do ensino fundamental que ainda não desenvolveram habilidades básicas de leitura e escrita. Segundo a profissional, essas dificuldades afetam também a autoestima e o bem-estar emocional dos estudantes.

“Lá eu vejo adolescentes do nono ano sem nenhum nível de alfabetização, com a autoestima destruída. São adolescentes e crianças tristes, que não têm perspectiva. Quando eu começo o trabalho, há uma mudança no perfil. Eles sorriem porque começaram a ler”, contou Renata.

O relato reforça a importância de identificar precocemente as dificuldades de aprendizagem e oferecer acompanhamento adequado para evitar que os estudantes avancem nas etapas escolares sem o domínio de competências fundamentais.

Fórum reuniu profissionais de diferentes áreas

A programação contou ainda com palestras da fonoaudióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Vanessa Martins; da defensora pública Amanda Fernandes; de Maria Eugênia Braga Ianhez, diretora de comunicação da Associação Brasileira de Dislexia e pessoa disléxica; e de Vanessa Santos, voluntária do Movimento para a Inclusão e também pessoa disléxica.

O encontro buscou ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por estudantes com dislexia e outros transtornos de aprendizagem, além de apontar caminhos para fortalecer a inclusão e garantir melhores condições de desenvolvimento educacional.

Fonte: Agência CLDF — Câmara Legislativa do Distrito Federal


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