EUA condicionam apoio financeiro à Argentina à manutenção de uma agenda política de direita

Os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, em imagem que ilustra a relação política entre os dois governos.
Foto: Kevin Dietsch/Getty Images

TaguaCei — O governo dos Estados Unidos sinalizou que a continuidade do apoio financeiro à Argentina após 2027 dependerá dos rumos políticos adotados pelo país sul-americano. O embaixador norte-americano em Buenos Aires, Peter Lamelas, afirmou que Washington está disposto a manter o financiamento desde que o governo argentino continue seguindo uma orientação de direita, alinhada à gestão do presidente Javier Milei. A declaração ocorre a cerca de um ano das eleições presidenciais argentinas, previstas para outubro de 2027.

Até o fim de 2027, está previsto um aporte de US$ 20 bilhões na economia argentina. Segundo Lamelas, a continuidade do apoio será avaliada de acordo com os próximos passos políticos e econômicos do país.

Durante um discurso para líderes empresariais na cidade de Neuquén, na terça-feira (20/10), o embaixador afirmou que os Estados Unidos apoiam o atual governo e estão dispostos a manter o financiamento depois de 2027, caso a Argentina continue avançando na direção considerada adequada por Washington.

O diplomata reforçou que o apoio está ligado à manutenção de uma orientação política de direita, em oposição a uma eventual guinada à esquerda. A declaração evidencia o peso das relações políticas nas negociações de apoio econômico entre os dois países.

Eleições de 2027 podem influenciar a continuidade da ajuda

A Argentina realizará eleições presidenciais em outubro de 2027. A disputa poderá definir os rumos políticos e econômicos do país e influenciar a continuidade das relações com o governo norte-americano.

Uma pesquisa divulgada em agosto pelo jornal Clarín apontou empate técnico entre Milei e Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires e uma das principais lideranças da esquerda argentina.

De acordo com o levantamento, em uma eventual disputa de segundo turno, Milei teria 40,6% das intenções de voto, enquanto Kicillof alcançaria 39,6%. A pesquisa ouviu 1.548 pessoas e apresentou margem de erro de 2,4 pontos percentuais.

O cenário eleitoral ocorre em meio à aproximação entre Trump e Milei, que compartilham posições políticas e econômicas semelhantes. A relação entre os dois governos ganhou destaque em 2025, quando Washington anunciou medidas de apoio financeiro à Argentina.

A influência norte-americana na política argentina também foi discutida pelo TaguaCei em reportagem sobre os interesses de Trump nas eleições legislativas argentinas e o apoio a Milei.

A declaração do embaixador Peter Lamelas acrescenta um componente político às negociações financeiras entre os países e indica que a manutenção do apoio norte-americano poderá depender não apenas das condições econômicas, mas também da orientação ideológica do próximo governo argentino.

Fonte: Metrópoles

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