Imagens podem esclarecer circunstâncias da morte de homem em UPA

Vilmar, que era cadeirante e vivia em situação de rua, passou a noite na área de espera da unidade

Imagens do circuito interno de câmeras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, obtidas com exclusividade pelo Correio, mostram os momentos que antecedem a morte de Vilmar Pereira da Silva, 49 anos, na recepção da unidade no último sábado (20/6).

A cronologia pode ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte e mostram que ele não chegou a usar pulseira de identificação ou classificação de risco ao longo do período em que permaneceu no local.

Veja as imagens:

O homem, que era cadeirante e vivia em situação de rua, passou a noite na área de espera da unidade. Às 21h18, um vigilante o conduz para um espaço da recepção. Horas depois, às 23h07, ele se desloca sozinho até o banheiro. Já durante a madrugada, permanece sentado na cadeira de rodas e chega a se cobrir com um cobertor para dormir no local.

As imagens também mostram Vilmar consumindo substância não identificada em uma garrafa transparente por volta das 2h43. Em seguida, um segurança se aproxima e conversa com ele. Depois disso, o homem permanece na recepção da unidade. Vilmar só seria encontrado sem sinais vitais na tarde de sábado.

Ao Correio, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Cidadania e Legislação Participativa (CDDHCLP) da Câmara Legislativa do Distrito Federal confirmou que pedirá apuração da morte de Vilmar na UPA. A 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) investiga o caso. A governadora Celina Leão também determinou à Secretaria de Saúde a apuração do caso.

Cronologia

Os registros mostram a movimentação de Vilmar desde a noite de sexta-feira (19/6). Em nenhuma das fotos obtidas pela reportagem ele aparece utilizando pulseira de classificação de risco ou qualquer outro identificador normalmente entregue a pacientes após o processo de triagem.

Celina Leão determinou que o Iges-DF e a Secretaria de Saúde apurem se os protocolos de acolhimento foram seguidos, especialmente considerando que a vítima era uma pessoa com deficiência em extrema vulnerabilidade. Segundo o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, a sindicância aberta vai verificar se houve qualquer tipo de omissão, ressaltando que a rede deve oferecer assistência a todo cidadão, independentemente de registro prévio.

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