Keir Starmer, premiê do Reino Unido, renuncia ao cargo

O premiê apresentou sua renúncia após acumular desgaste na liderança do Reino Unido e enfrentar uma rebelião em seu próprio partido

primeir0-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou, no início desta segunda-feira (22/6), que renuncia ao cargo. “Todas as decisões que tomei foram pensando em colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que renunciarei à liderança do Partido Trabalhista“, disse Starmer, no discurso em que falou sobre sua decisão.

“Também darei ao meu sucessor meu apoio total e inequívoco, sabendo que ele herdará uma Grã-Bretanha muito mais forte e justa do que aquela que herdei há dois anos; mais bem preparada para os desafios que virão e mais capaz de garantir que o Partido Trabalhista conquiste um segundo mandato”, disse.

Ele encerrou o discurso dizendo que deixará o “maior cargo do país” para dedicar mais tempo ao “trabalho mais importante”, como pai e marido.

“E, quando eu deixar o cargo mais importante do país, dedicarei mais tempo ao mais importante: ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa, Vic, que tem sido um porto seguro ao meu lado nos bons e maus momentos, e ser o melhor pai possível para meus lindos filhos, que são meu orgulho e minha alegria”, completou.

Starmer ainda ressaltou que conversou com o Rei Charles III para informá-lo da decisão. Ele afirmou que permanecerá como primeiro-ministro interino até que um novo líder trabalhista seja escolhido, nas próximas semanas.

Keir Starmer é o sexto primeiro-ministro em uma década a anunciar uma saída prematura. A renúncia ocorreu um dia antes do décimo aniversário do “sim” do Reino Unido para deixar a União Europeia (Brexit), uma decisão que ainda agita a economia e a política do país.

Desgate interno

premiê apresentou sua renúncia após acumular desgaste na liderança do Reino Unido e enfrentar uma rebelião em seu próprio partido. Segundo a rede de televisão britânica Sky News, cerca de 100 parlamentares do Partido Trabalhista, atualmente liderado por Starmer, exigiram publicamente sua renúncia.

O jornal britânico The Observer, por sua vez, apontou que a decisão foi tomada depois de Starmer ter concluído que “a sua posição já não é sustentável, após conversas mantidas nos últimos dias com ministros do governo, conselheiros de Downing Street, líderes sindicais e doadores do Partido Trabalhista”.

Starmer se enfraqueceu ainda mais na sequência das recentes declarações do rival interno Andy Burnham, que anunciou a sua intenção de “desafiar o líder pela liderança” do Partido Trabalhista.

Burnham, prefeito da Grande Manchester e com uma trajetória de destaque no Partido Trabalhista, derrotou, nesta semana, de maneira contundente, o candidato do movimento de extrema direita Reform UK no distrito de Makerfield, noroeste da Inglaterra. O triunfo lhe garantiu um lugar no parlamento e a força política para enfrentar o primeiro-ministro na disputa pela liderança do partido.

O popular político de 56 anos, que já foi ministro da Saúde, afirmou que planeja enfrentar Starmer pelo comando do partido e precisava vencer a votação de alto risco para ter condições de iniciar a disputa.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa britânica, Burnham contaria com o apoio dos 81 deputados trabalhistas necessários para forçar a realização de primárias. Se conquistar o posto de liderança do partido, Burnham pode ser alçado ao cargo de premiê sem a necessidade de uma eleição geral, já que os trabalhistas contam com maioria no Parlamento.

Guinadas de 180º

No cargo desde 2024, Starmer enfrentou diversas guinadas de 180 graus em suas políticas e um escândalo relacionado à nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador em Washington.

Apenas 18% dos britânicos avaliam Starmer positivamente, segundo pesquisa YouGov, e 74% reprovam o premiê.

Trump reage

O presidente dos EUA, Donald Trump, que repetidamente entrou em choque com Starmer no último ano, comentou, nesse domingo (21/6), os relatos sobre a renúncia de Starmer, numa mensagem ambígua na rede Thruth Social.

Por um lado, Trump disse: “Desejo-lhe tudo de bom”. Mas também escreveu: “Ele fracassou miseravelmente em dois assuntos muito importantes: Imigração e energia (abram o petróleo do mar do norte). É uma referência ao banimento de novas perfurações por petróleo em águas britânicas que foi mantido pelo governo Starmer.

Trump já havia anteriormente criticado duramente Starmer por não apoiar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Com informações do portal DW e do jornal britânico The Guardian.

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