Contagem inicial aponta vitória apertada de Abelardo de la Espriella
- Petro: “Não defende a Pátria quem se ajoelha a gringos e narcotráfico”
- Fórum internacional associa vitória de Cepeda à defesa da soberania
A Colômbia elegeu neste domingo (21) o advogado e empresário Abelardo de la Espriella, candidato da ultradireita, como novo presidente da República. Com 99,9% da apuração preliminar divulgada pela Registraduría Nacional, Espriella obteve 49,66% dos votos (cerca de 12,96 milhões), contra 48,70% de Iván Cepeda, senador de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro e pela coalizão Pacto Histórico. A diferença está em torno de 251 mil votos entre os dois concorrentes.
O resultado representa uma guinada política após o encerramento do primeiro governo progressista da história do país, liderado por Petro entre os anos de 2022 e 2026. Espriella, que nunca havia disputado um cargo eletivo anteriormente, possui um alinhamento ideológico com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — de quem recebeu apoio explícito —, e baseou sua plataforma eleitoral na promessa de aplicar uma política de mão de ferro contra grupos armados, narcotráfico e o crime organizado.
Esquerda questiona apuração preliminar
Mesmo diante da vitória apontada na contagem preliminar, a esquerda colombiana não reconhece o resultado como definitivo. Iván Cepeda anunciou formalmente que sua campanha iniciou o processo de impugnação de cerca de 33 mil mesas de votação em todo o território nacional, sob a alegação de irregularidades.
Ele afirmou que a apuração preliminar não possui caráter oficial ou vinculante e que só aceitará o desfecho após o escrutínio oficial, quando cada mesa contestada for revisada individualmente. “Reconhecemos o resultado da apuração preliminar desta noite como um dado ainda não oficial e sem força vinculante. No entanto, nosso grupo de testemunhas, advogadas e advogados está procedendo à impugnação de 33 mil mesas em todo o país. Cada uma delas deverá ser objeto do escrutínio oficial”, declarou Cepeda publicamente.
O presidente Gustavo Petro também questionou a apuração preliminar. Em postagens nas redes sociais, afirmou que, na condição de presidente, não aceita os resultados da apuração preliminar e cobrou a realização do escrutínio oficial. Petro mencionou possíveis problemas no sistema eletrônico e questionou a legitimidade de eventuais interferências externas. “Nenhum governo estrangeiro legitima resultados eleitorais na Colômbia. A Colômbia deve ser respeitada! Somos livres e soberanos. Vamos aguardar os resultados após o escrutínio oficial”, escreveu o mandatário.
Alinhamento com Trump e reflexos regionais
O resultado consolida a aliança entre a ultradireita colombiana e o governo norte-americano de Donald Trump. Espriella, que possui dupla cidadania e manteve residência estável em Miami por vários anos, recebeu endosso público do presidente dos Estados Unidos, que o qualificou como um líder forte e duro, assegurando que ele terá o apoio total norte-americano.
A vitória de Espriella é vista como um novo capítulo da onda ultradireitista que avança na América Latina, convergindo com os governos de Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador. Para setores da esquerda, o apoio aberto de Trump configura uma ingerência direta nos assuntos internos da Colômbia, ocorrendo em um momento de fragilidade do processo de paz.
Riscos para as negociações de paz
Durante a gestão de Petro, a Colômbia priorizou a chamada política de Paz Total, com tentativas de negociação e acordos com o Exército de Libertação Nacional, dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e outras organizações armadas. Apesar das dificuldades severas e da continuidade da violência em regiões interioranas, o caminho institucional escolhido foi o do diálogo político.
Espriella, por outro lado, defende uma abordagem militarizada e repressiva. Movimentos sociais alertam que a promessa de mão de ferro contra a criminalidade pode paralisar as negociações em andamento, resultando em uma escalada dos conflitos internos, o que setores progressistas classificam como o início de uma fase de retrocesso para a solução política do conflito histórico do país.
Com a posse presidencial prevista para o dia 7 de agosto, o novo mandatário assume uma sociedade profundamente dividida. O Pacto Histórico já sinalizou que prepara contestações jurídicas e mobilizações sociais, mantendo o desfecho em aberto até a conclusão do escrutínio oficial pelas autoridades eleitorais.
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