Medida inclui crédito fora do teto fiscal e busca evitar retaliações diretas aos EUA enquanto negociações oficiais seguem travadas

Fernando Haddad, Lula e Geraldo Alckmin (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Diante da iminente entrada em vigor, em 1º de agosto, da tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda formas de apoiar as empresas afetadas sem comprometer o equilíbrio fiscal. Segundo informações do jornal O Globo, o Ministério da Fazenda trabalha em um plano de contingência para minimizar os impactos do tarifaço, cujas negociações diplomáticas seguem sem avanços concretos.
Em entrevista à rádio CBN, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que poderá ser necessário “recorrer a instrumentos de apoio a setores que, injustamente, estão sendo afetados”. Fontes do governo indicam que o desenho em análise inclui linhas emergenciais de crédito, medidas inspiradas em programas da pandemia e a criação de um fundo lastreado por crédito extraordinário — ou seja, fora da regra do teto de gastos.
“Nesse plano de contingência, estamos exatamente levando à consideração do presidente os prós e contras de cada medida, porque tem medida que vai ferir mais a economia brasileira do que ajudar, e o nosso objetivo não é retaliar”, afirmou Haddad.
Plano busca resposta sem escalar crise – Diante da dificuldade de redirecionar rapidamente grandes volumes de exportações brasileiras e da complexidade de reposicionar insumos no mercado internacional, o governo trabalha com múltiplos cenários. Um dos caminhos cogitados é a criação de um fundo de apoio semelhante ao utilizado em 2023 para atender vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. À época, foram liberados R$ 5 bilhões para facilitar o acesso ao crédito com juros mais baixos.
A proposta, agora, é aplicar modelo semelhante para setores produtivos atingidos pela sobretaxa norte-americana. O crédito emergencial seria voltado a empresas que não conseguem absorver o custo adicional nem transferi-lo ao consumidor final. Entre as possibilidades, também se discute adaptar medidas do período da pandemia, como o Pronampe e o programa de complementação de salários.
Desde a semana passada, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), intensificou o diálogo com representantes do setor privado. Nas reuniões, empresários demonstraram preocupação e pediram que o governo evite retaliações e priorize a via diplomática.
Esforço diplomático ainda sem resposta oficial – Apesar das tensões, o governo brasileiro segue apostando na negociação. Haddad reiterou que “o Brasil não vai sair da mesa de negociação” e criticou o impacto negativo da medida de Trump: “essas ações são contraproducentes, não colaboram nem com eles nem conosco”.
Ainda assim, fontes do Itamaraty e da equipe econômica reconhecem que a resposta oficial da Casa Branca às tentativas de diálogo ainda não veio. Técnicos do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) aguardam orientação direta de Trump para reabrir formalmente o canal diplomático.
A crise bilateral se intensificou após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciar sanções como a suspensão de vistos de autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo Rubio, a decisão foi motivada por supostas “perseguições políticas” a Jair Bolsonaro e pela regulação de plataformas digitais americanas no Brasil.
Retaliação direta é última alternativa – No Palácio do Planalto, existe o entendimento de que retaliar diretamente os Estados Unidos — com aumento de tarifas ou cassação de patentes — seria prejudicial à própria economia nacional. Medidas como a tributação de produtos culturais ou a quebra de patentes estão sendo avaliadas, mas com cautela.
A prioridade, de acordo com interlocutores do governo, é apoiar os setores atingidos e buscar novos mercados para escoar parte da produção, como México e Canadá. Haddad reconhece, no entanto, que essa reconfiguração levará tempo:
“Mais da metade do que exportamos para os EUA nós podemos reendereçar para outros países, mas isso leva um tempo (…) Nós vamos redirecionar boa parte dessa produção, mas isso leva tempo”.
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