Investigação sobre Jaques Wagner amplia pressão por saída do senador da liderança do governo

A investigação da PF (Polícia Federal) que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o Banco Master cria problemas políticos no entorno do presidente Lula. O caso aumentou a pressão sobre a permanência de Wagner na liderança governista e expôs divergências entre aliados próximos do presidente.

Segundo o jornal O Globo, Lula vai receber Wagner na quarta-feira (24), em Brasília, para discutir sobre a saída do senador do posto de líder do governo no Senado, após a operação da PF que colocou o parlamentar no centro das investigações sobre o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A apuração atingiu diretamente o grupo conhecido nos bastidores como “República da Bahia”, formado por figuras baianas com forte influência no terceiro mandato de Lula. Além de Wagner, o núcleo inclui o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que deixou o cargo em abril para disputar uma vaga ao Senado pela Bahia.

De acordo com relatos ouvidos por O Globo, Sidônio teria defendido junto ao presidente a saída de Wagner da liderança do governo. O ministro nega. Outros auxiliares do Palácio do Planalto também avaliam que seria necessário separar o desgaste pessoal do senador da imagem do governo, sobretudo às vésperas da campanha eleitoral.

A preocupação central entre integrantes do Planalto é evitar que a investigação contamine a estratégia política do governo e do PT. O caso do Banco Master é considerado sensível porque envolve Daniel Vorcaro, personagem que deve aparecer no debate eleitoral, inclusive nas disputas em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O eventual afastamento de Jaques Wagner deve ser definido somente após uma conversa pessoal entre Lula e Wagner. Integrantes do governo avaliam que o ideal seria que a decisão partisse do próprio senador, como forma de reduzir constrangimentos. Ainda assim, não está descartada uma intervenção direta de Lula caso o aliado resista a deixar a função.

A “República da Bahia” ganhou mais força no Planalto com a chegada de Sidônio Palmeira à Secom, em janeiro de 2025. O grupo já reunia Wagner e Rui Costa, ambos com trajetória política consolidada na Bahia e presença frequente nas principais decisões do governo. O núcleo também apoiou a escolha de Wellington César Lima e Silva para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública após a saída de Ricardo Lewandowski.

Na avaliação de parte do núcleo baiano, a saída de Wagner da liderança não teria grande impacto sobre sua eventual campanha à reeleição no estado. Para esses aliados, a mudança ajudaria o governo a se afastar do desgaste provocado pelo caso Master em um momento de pré-campanha.

A investigação da PF aponta que Wagner teria recebido “vantagens indevidas” do Banco Master, de Daniel Vorcaro, para favorecer interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto Lima. O senador nega qualquer envolvimento com o Master.

A crise também preocupa por causa do calendário político na Bahia. Uma eventual saída de Wagner poderia ocorrer perto das comemorações de 2 de Julho, data da Independência da Bahia, tradicionalmente marcada pela presença de Lula em Salvador. Neste ano, o governo federal prepara anúncios e entregas no estado, incluindo a inauguração de um hospital em Alagoinhas, a reinauguração do Teatro Castro Alves, na capital, e um evento no canteiro de obras da ponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica.

Além da investigação, a atuação de Wagner como líder do governo no Senado já vinha sendo questionada por auxiliares presidenciais. Um dos episódios citados foi um acordo feito com a oposição em torno do projeto de lei da dosimetria, que favoreceu Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Wagner teria negociado que o governo não atrapalharia a tramitação do texto em troca de apoio oposicionista a uma proposta de aumento de arrecadação do Executivo.

Outro desgaste ocorreu na derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). A rejeição foi considerada um revés importante para Lula, especialmente porque Wagner havia transmitido ao Planalto uma avaliação favorável sobre as chances de aprovação do nome do chefe da AGU (Advocacia-Geral da União).

Também pesa contra o senador, segundo relatos de governistas, o fato de Wagner ter dito a Lula mais de uma vez que não teria envolvimento com Daniel Vorcaro nem com o escândalo do Banco Master. Com a investigação agora atingindo diretamente o líder do governo no Senado, o Planalto tenta encontrar uma saída que preserve a relação política com o aliado e, ao mesmo tempo, reduza o custo institucional para o governo.

Com informações do portal 247

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