“O país não pode ser rico e os estados e as cidades pobres”, diz Lula

Presidente defendeu investimentos federais no Rio e destacou obras da Nova Serra das Araras, na Via Dutra

O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (23), durante a inauguração da primeira etapa da Nova Serra das Araras, no Rio de Janeiro, que o desenvolvimento nacional precisa alcançar estados, cidades e a população mais pobre. “O país não pode ser rico e os estados serem pobres. O país não pode ser rico e as cidades serem pobres. É na cidade que mora o povo.”.

Em discurso na cerimônia de entrega da primeira fase das obras, localizada na Rodovia Presidente Dutra, Lula defendeu o volume de investimentos feitos por seus governos e pela gestão da presidenta Dilma Rousseff no Rio de Janeiro, além de áreas como educação, saúde, inclusão social e recuperação urbana.

“Queria que a imprensa pesquisasse, ninguém é obrigado a acreditar no que eu falo. Todo mundo pode ter dúvida. Queria que vocês pesquisassem para saber se na história da República desse país houve um presidente que colocou mais dinheiro no Rio de Janeiro do que eu e a presidenta Dilma Rousseff”, disse Lula.

O presidente também afirmou que os investimentos federais têm buscado atender a população que mais depende de políticas públicas. “Eu não me candidatei a presidente para fazer coisa para rico. O rico não precisa do governo. Quem precisa são as pessoas humildes, a classe média, os trabalhadores de todas as categorias profissionais.”.

Lula citou a visita ao Jardim Maravilha, no Rio de Janeiro, para criticar a distância imposta à população pobre em relação aos centros urbanos. Segundo ele, moradores da região podem levar duas horas de ônibus até o centro da capital fluminense, enquanto pessoas de maior renda conseguem chegar mais rapidamente a áreas como Copacabana, mesmo vindo de outros estados.

“Um rico de São Paulo chega na praia de Copacabana primeiro do que um pobre do Jardim Maravilha, embora o pobre do Jardim Maravilha more no Rio de Janeiro. As pessoas pobres foram escorraçadas e estão cada vez mais longe”, afirmou.

O presidente relacionou a defesa dos investimentos em recuperação urbana à própria trajetória de vida. “Faço isso porque já morei em casa que entrou um metro e meio de água. Acordava de noite com rato tentando subir na minha cama, com barata tentando nadar, com fezes na sala. Eu sei o que o povo pobre sofre nesse país, sei a dificuldade. Sei o que é não ter uma desgraçada de uma moeda para pegar um ônibus.”.

Nova Serra das Araras

A primeira etapa entregue nesta terça-feira liberou quatro quilômetros da pista de subida, no sentido São Paulo. O trecho conta com quatro faixas de rolamento e acostamento, faixas de segurança, iluminação e oito novos viadutos.

A Nova Serra das Araras é considerada uma das principais obras de infraestrutura rodoviária em execução no país. O projeto integra a modernização da Via Dutra, corredor estratégico que conecta os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Após dois anos de trabalhos, com 34 frentes simultâneas e mais de 2 mil colaboradores diretos, a obra superou 70% de execução física. O avanço permitiu antecipar o cronograma de conclusão de todo o projeto de 2029 para 2027.

Investimento de R$ 1,5 bilhão

Com investimento de R$ 1,5 bilhão, a modernização atinge um trecho originalmente projetado na década de 1940. A região recebe cerca de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% são de carga.

As obras em toda a concessão da Via Dutra, de 626 quilômetros, contam com apoio de R$ 10,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao todo, a Nova Serra das Araras terá 16 quilômetros, sendo oito quilômetros por sentido.

Na configuração final, a rodovia terá quatro faixas de rolamento por sentido, 24 viadutos, duas rampas de escape na pista de descida para aumentar a segurança de caminhoneiros e três passarelas de pedestres. O trecho também receberá iluminação integral, monitoramento inteligente e cobertura de internet 4G.

Com as intervenções, a velocidade operacional máxima deve passar de 40 km/h para até 80 km/h. A expectativa é reduzir o tempo de viagem em até 25% na pista de subida, no sentido São Paulo, e em até 50% na pista de descida, no sentido Rio de Janeiro.

Impacto econômico e social

A obra gera cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos e deve beneficiar aproximadamente 20 milhões de habitantes da Baixada Fluminense, do Sul Fluminense e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Além da infraestrutura viária, o projeto inclui a implantação da Praça das Frutas, espaço destinado à comercialização de produtos locais por produtores da região da Serra das Araras

Por: 247

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