Farmácias ampliam serviços e passam a oferecer exames, vacinas e acompanhamento de pacientes

Anna Maly Eduardo, diretora-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, participa do programa CB.Saúde, em entrevista sobre a ampliação dos serviços oferecidos por farmácias e drogarias.
Foto: Pedro Paulo Cardoso/CB/D.A Press.

TaguaCei — Farmácias e drogarias têm ampliado a oferta de serviços de saúde, com realização de testes rápidos, aplicação de vacinas e medicamentos injetáveis e acompanhamento de pacientes com doenças crônicas. Em entrevista ao programa CB.Saúde, do Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília, a diretora-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF), Anna Maly Eduardo, explicou como a atuação dos farmacêuticos pode contribuir para a prevenção de doenças e facilitar o acesso da população a determinados atendimentos. No DF, iniciativas de ampliação dos serviços de saúde também incluem unidades de testagem, aconselhamento e imunização.

Testes rápidos e vacinação

Segundo Anna Maly Eduardo, entre os serviços que podem ser oferecidos nas farmácias estão testes de glicemia e colesterol, exames rápidos de gravidez e dengue, além da aplicação de vacinas e determinados medicamentos injetáveis.

A farmacêutica ressaltou que a aplicação de injetáveis deve respeitar os limites técnicos e legais da atividade. O serviço não abrange, por exemplo, medicamentos administrados diretamente na veia, mas pode incluir injeções utilizadas em tratamentos específicos, conforme as regras aplicáveis.

A ampliação dos serviços busca fortalecer a participação dos farmacêuticos na prevenção e no acompanhamento da saúde, para além da dispensação de medicamentos e da venda de produtos de higiene e perfumaria.

Resultados alterados exigem encaminhamento

Quando um teste apresenta resultado fora dos valores de referência, o farmacêutico pode orientar o paciente e encaminhá-lo a um serviço de saúde para avaliação médica.

Anna Maly explicou que o acompanhamento profissional pode continuar depois desse encaminhamento, especialmente nos casos em que o paciente precisa utilizar medicamentos por períodos prolongados.

Uma pessoa que apresente alteração na glicemia, por exemplo, pode ser orientada a procurar atendimento para investigar a possibilidade de diabetes. Caso a doença seja confirmada, o farmacêutico pode contribuir para o acompanhamento do tratamento medicamentoso, observando o uso correto dos remédios e identificando situações que exijam nova avaliação clínica.

A profissional destacou, porém, que o farmacêutico precisa respeitar os limites de sua atuação e encaminhar o paciente ao médico quando houver suspeita de doenças que necessitem de diagnóstico ou tratamento especializado.

Acompanhamento de pacientes com doenças crônicas

O acompanhamento farmacoterapêutico também pode beneficiar pessoas com condições crônicas, como hipertensão e diabetes.

De acordo com Anna Maly, o atendimento pode incluir consultas periódicas, conferência dos medicamentos utilizados, orientações sobre doses e horários e verificação de parâmetros de saúde, como a pressão arterial.

O paciente deve autorizar a prestação do serviço, e as informações de acompanhamento são registradas para permitir a avaliação de sua evolução. Quando o profissional identifica alterações relevantes, deve orientar a procura por atendimento médico.

A diretora-presidente do CRF-DF afirmou que esse vínculo pode ser especialmente importante em municípios e localidades com menor oferta de serviços de saúde, onde a farmácia costuma ser um dos primeiros lugares procurados pela população em busca de orientação.

Integração com a rede pública de saúde

Anna Maly também defendeu o fortalecimento da comunicação entre farmacêuticos, unidades básicas de saúde (UBSs) e outros serviços das redes pública e privada.

Segundo ela, a integração pode facilitar o encaminhamento de pacientes e contribuir para a continuidade do cuidado, principalmente quando são identificadas condições que exigem acompanhamento regular.

No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde também tem buscado qualificar os serviços clínicos oferecidos por farmacêuticos. Em 2024, a pasta instituiu uma Câmara Técnica de Cuidado Farmacêutico para apoiar a implementação e o aprimoramento dessas atividades na rede distrital.

A ampliação dos serviços, entretanto, depende do cumprimento das normas sanitárias e profissionais, além da articulação entre os diferentes níveis de atendimento.

Atenção especial à população idosa

A entrevista também abordou o atendimento aos idosos, grupo que pode precisar de acompanhamento frequente devido ao uso contínuo de medicamentos e à presença de diferentes condições de saúde.

Anna Maly destacou a importância do acolhimento e da orientação individualizada para esclarecer dúvidas sobre os tratamentos e favorecer o uso correto dos remédios.

A atuação do farmacêutico pode ajudar a identificar dificuldades na rotina de medicação e situações que mereçam avaliação de outros profissionais. O objetivo é contribuir para a segurança do tratamento e para a continuidade do cuidado, sem substituir consultas médicas ou outros atendimentos especializados.

Fonte: Correio Braziliense

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