Sua liderança fortaleceu o PCdoB e vincou marcas profundas no combate à ditadura, nas conquistas do povo e do país, no rumo e no caminho da revolução brasileira
A perda de Renato Rabelo, falecido em 15 de fevereiro, deixa uma grande lacuna no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), na esquerda brasileira e no campo democrático, popular e patriótico como um todo.
Dos seus quase 84 anos de vida — que se completariam sete dias após a sua morte, no dia 22 —, mais de 60 foram dedicados à atividade política voltada para as causas populares e democráticas, jornada iniciada aos 13 anos de idade como militante da Juventude Estudantil Católica (JEC), no estado da Bahia.
Desde então, ocupou cargos de responsabilidade, como o de presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB) e, já estudante de Medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o de vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi também dirigente da Ação Popular (AP) e do PCdoB, atuando na linha de frente do combate à ditadura militar, inclusive no exterior, onde esteve exilado.
Com a volta ao Brasil após a anistia de 1979, assumiu elevadas responsabilidades na luta pela redemocratização, consumada em 1985, ao lado do histórico ideólogo e construtor do PCdoB, João Amazonas. Trabalho realizado, simultaneamente, com a jornada épica de organizar o PCdoB em todo o país.
Foi o início de um ciclo no qual, como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em mensagem na rede social X, destacou-se por sua “visão estratégica” e “sua capacidade de reunir as forças políticas em prol da soberania e justiça social”. “Estivemos juntos nas greves do ABC, nas Diretas Já e nas campanhas presidenciais a que concorri”, lembrou.
A ex-presidenta Dilma Rousseff também destacou o falecimento de Renato como “perda irreparável para o Brasil”. “Foram 60 anos de militância e liderança nas principais lutas sociais e políticas. Rabelo participou, junto com João Amazonas, da formação da frente popular que lançou a primeira candidatura do presidente Lula à Presidência da República, em 1989”, afirmou.
PT, PDT, PSB, PSOL, PCB e PSTU, além de personalidades e lideranças do campo democrático, popular e progressista, ressaltaram o elevado papel de Renato na vida política do país.
Da mesma forma, os movimentos sindical e social lembraram seu papel nas lutas da classe trabalhadora e do povo. Renato foi “um exemplar dirigente político, abnegado e conectado com os desafios do seu tempo”, disse Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Ele cumpriu papel decisivo na orientação do sindicalismo brasileiro e na consolidação de um projeto comprometido com a classe trabalhadora, afirmou.
As centrais Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) também destacaram o papel de Renato em mensagens de condolências.
Manifestaram-se ainda representantes da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro), do Grupo Raça, da União Brasileira de Mulheres (UBM), do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), da União da Juventude Socialista (UJS), da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que se referiu a Renato como “um gigante do Brasil”, “um defensor das causas populares” e “um exemplo inabalável de dignidade revolucionária”, além de um grande e leal amigo.
No plano internacional, Renato foi uma referência do campo revolucionário, promovendo intercâmbio, parcerias e desenvolvimento teórico. Visitou dezenas de países e recebeu no Brasil inúmeras delegações internacionais. Sua morte ecoou no movimento comunista, tendo o PCdoB recebido significativas mensagens de condolências.
Essa ampla repercussão mostra a estatura de Renato. À medida que as contradições no país e no mundo se avolumavam, nas conjunturas que evoluíram da configuração moldada pela degradação do capitalismo e da crise do projeto socialista, Renato se agigantava.
O fim da experiência iniciada pela Revolução Russa em 1917 — um tremor de terra que sacudiu o mundo nas décadas de 1980 e 1990 — levou, com João Amazonas à frente do PCdoB e Renato ao seu lado, à revisão da teoria marxista, culminando na renovação da luta pelo socialismo, expressa no Programa Socialista de 1995.
Mais adiante, Renato liderou o trabalho de pesquisa e reflexão teórica que promoveu um novo salto de qualidade no pensamento programático dos comunistas, com a aprovação, no 12º Congresso, realizado em 2009, do Programa Socialista para o Brasil. Trata-se de uma relevante contribuição, pois a revolução brasileira passou a ter rumo e caminho: o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND) como caminho brasileiro para o socialismo.
Dito de outra forma: o socialismo é o rumo; o NPND, o caminho. Sua “visão estratégica” e “sua capacidade de reunir as forças políticas em prol da soberania e justiça social”, conforme citou o presidente Lula, foram decisivas para os êxitos dos governos progressistas — ciclo iniciado nas eleições de 2002. Foi também protagonista no combate ao golpismo, iniciado pelo lavajatismo e consumado com o bolsonarismo, e na vitória de Lula em 2022, advogando a tática da frente ampla.
Renato dedicou grande parte de sua vida — e o melhor de suas capacidades, nas dimensões da teoria, da luta política, social e de ideias — à construção orgânica e ideológica do PCdoB. Por mais de meio século, fez parte do núcleo da direção nacional da legenda comunista, da qual foi presidente por mais de 13 anos, de 2001 a 2015. Soube valorizar a essência transformadora do marxismo e, com ela, interpretar a realidade brasileira e o fluxo da luta de classes no país, sempre no contexto da dinâmica internacional.
Com essa conduta, formou gerações de comunistas e contribuiu amplamente com a luta democrática, popular e patriótica, a causa dos trabalhadores e do povo. Deixa uma imensa contribuição ao PCdoB, ao Brasil e ao povo brasileiro. Com Renato, como já dito, a revolução brasileira passou a ter rumo e caminho.
Desse modo, pode-se, sim, diante de uma vida tão intensa e realizadora, parafrasear um poema de Thiago de Mello: Renato se despediu para permanecer.
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