Ataque russo na região de Kherson, no sul da Ucrânia, matou dois funcionários da ONG norueguesa e feriu outros quatro
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou nessa quarta-feira (24/6) que a Ucrânia continua forte e que o apoio europeu ao país não está diminuindo, ao receber em Berlim o presidente francês Emmanuel Macron e os chefes de governo da Polônia, Itália e Reino Unido para uma reunião preparatória da cúpula da Otan, prevista para o início de julho.
Segundo Merz, o governo alemão defende que os aliados europeus da Otan assumam um compromisso financeiro robusto com Kiev. “A mensagem para a Rússia é esta: a Ucrânia permanece forte e o apoio da Europa não está diminuindo”, declarou o chanceler em entrevista coletiva após encontro do grupo dos cinco (E5), formado pelas principais potencias militares europeias.
Ele acrescentou que, durante a reunião do G7 realizada na semana passada, na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria adotado uma posição mais favorável à Ucrânia, contribuindo para uma nova aproximação entre os aliados ocidentais em torno do apoio ao país diante da invasão russa.
“Estamos mais unidos do que nunca no âmbito transatlântico e esperamos que Moscou tire conclusões disso. É hora de começar as negociações de paz”, afirmou Merz.
Macron também destacou o que classificou como uma “reconvergência entre europeus e americanos” observada durante a cúpula do G7. Segundo o presidente francês, pela primeira vez em 18 meses todos os integrantes do grupo assinaram um texto comum reafirmando o apoio à integridade territorial e à soberania da Ucrânia. Ele defendeu que esse alinhamento seja consolidado na próxima reunião da Otan.
Noruegueses mortos na Ucrânia
As declarações dos líderes europeus ocorreram no mesmo dia em que um ataque russo na região de Kherson, no sul da Ucrânia, matou dois funcionários da ONG norueguesa de desarmamento de minas Norsk Folkehjelp e feriu outros quatro.
Inicialmente, o chefe da missão da organização na Ucrânia, Bujar Hoxha, informou que seis funcionários haviam sido atingidos, com um morto e cinco feridos, um deles em estado crítico. Posteriormente, o chefe da administração militar regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, anunciou que um segundo funcionário não resistiu aos ferimentos.
Segundo Prokudin, os dois mortos tinham 24 e 25 anos. O ataque ocorreu na cidade de Novopetrivka, cerca de 40 quilômetros da linha de frente.
A Procuradoria de Kherson informou à AFP que a área foi atingida por mísseis. De acordo com Hoxha, há indícios de que tenham sido utilizadas munições de fragmentação. Ele acrescentou que não havia alerta de ataque aéreo em vigor no momento e que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias do bombardeio.
A Norsk Folkehjelp informou que possui mais de 450 funcionários na Ucrânia. A região de Kherson, parcialmente ocupada pelas forças russas, é alvo frequente de ataques, especialmente com drones.
Organizações humanitárias vêm sendo atingidas repetidamente desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Em maio deste ano, um veículo de uma missão humanitária da ONU foi atacado por drones russos. Em setembro de 2025, dois desminadores do Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC) morreram na região, enquanto, em fevereiro de 2024, dois trabalhadores humanitários da ONG suíça HEKS/EPER também perderam a vida em Kherson.
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