Braskem deixa Ibovespa após anunciar recuperação extrajudicial de dívida bilionária

TaguaCei — A Braskem será retirada, a partir desta terça-feira (25), do Ibovespa, principal índice da B3, após a petroquímica anunciar um acordo com credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial. A empresa enfrenta uma dívida financeira estimada em US$ 10,9 bilhões, equivalente a cerca de R$ 56,1 bilhões pelo câmbio considerado no levantamento.

A decisão ocorre em meio à pior crise financeira enfrentada pela companhia desde sua criação, em 2002. A Braskem comunicou que conseguiu chegar a um entendimento com credores dentro do prazo estabelecido pela Justiça de São Paulo, que havia determinado a suspensão, por 60 dias, de algumas execuções e bloqueios de bens para permitir o avanço das negociações.

Após a notícia sobre a recuperação extrajudicial, as ações da empresa sofreram forte desvalorização. Os papéis caíram 6,71%, para R$ 4,74, menor cotação registrada em cinco anos. A B3 também retirará a Braskem de outros índices, como IBrX, IBrX-50, Small Caps e Itag.

A exclusão dos índices ocorrerá pelo preço de fechamento do pregão desta terça-feira. Com a saída da petroquímica, sua participação nas carteiras dos índices será redistribuída proporcionalmente entre as demais empresas que fazem parte dos indicadores.

Dívida ultrapassa R$ 56 bilhões

A recuperação extrajudicial tem como principal objetivo reorganizar as obrigações financeiras da Braskem e criar condições para que a companhia negocie com seus credores.

Entre os principais credores estão instituições financeiras e detentores de títulos, incluindo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

A empresa tem como acionistas relevantes a Petrobras e o Shine I FIP, ligado à IG4 Capital. Desde junho, a estatal passou a ter participação mais ativa na condução da companhia, em conjunto com o novo controlador.

Hélcio Tokeshi assumiu a presidência da Braskem e afirmou que a parceria entre Petrobras e IG4 busca reorganizar as finanças, melhorar a eficiência operacional e preservar a liquidez da companhia.

Lucro não foi suficiente para afastar crise

Apesar das dificuldades financeiras, a Braskem apresentou resultado positivo no segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões entre abril e junho, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões registrado no primeiro trimestre.

A receita líquida alcançou R$ 21,7 bilhões no período, alta de 22% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

O resultado, porém, não foi suficiente para melhorar a percepção dos investidores. As ações da empresa continuaram pressionadas, diante do elevado endividamento e das incertezas relacionadas à recuperação financeira.

Para o analista Pedro Galdi, da AGF Investimentos, o desempenho trimestral foi favorecido pelo comportamento dos preços do petróleo. Apesar do lucro, ele avalia que o nível de endividamento continua sendo um dos principais obstáculos para a recuperação da empresa.

Crise de Maceió também pesa sobre a empresa

A situação financeira da Braskem também é influenciada pelos custos relacionados ao afundamento do solo em Maceió, provocado pela exploração de sal-gema.

O problema, que se agravou a partir de 2018, afetou cinco bairros da capital alagoana e levou ao deslocamento de aproximadamente 60 mil pessoas. A companhia já destinou mais de R$ 4 bilhões a compensações e auxílios para famílias e comerciantes atingidos.

Além disso, a empresa firmou um acordo de R$ 1,7 bilhão com a Prefeitura de Maceió para ressarcir prejuízos relacionados ao episódio.

Recuperação extrajudicial

O processo de recuperação extrajudicial oferece proteção jurídica à companhia durante as negociações com os credores. A legislação permite que a empresa apresente o pedido inicialmente com o apoio de credores que representem pelo menos um terço dos créditos de cada classe abrangida pelo plano.

Depois disso, a Braskem terá até 90 dias, sem possibilidade de prorrogação, para alcançar o quórum necessário para aprovação definitiva do acordo, que exige mais da metade dos créditos de cada classe envolvida.

A medida permite que a empresa ganhe tempo para estruturar uma solução para sua dívida sem necessariamente recorrer a uma recuperação judicial.

Participação da Petrobras

Outro ponto importante será o papel dos acionistas controladores em uma eventual capitalização da companhia.

A Petrobras possui aproximadamente 47% das ações ordinárias da Braskem, enquanto o fundo ligado à IG4 detém pouco mais de 50%. Qualquer eventual aumento de capital dependerá das decisões societárias e das condições previstas entre os acionistas.

A expectativa é de que a participação dos controladores seja importante para definir os próximos passos da reestruturação financeira da petroquímica.

A Braskem possui operações no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e México e se apresenta como uma das principais produtoras de resinas termoplásticas das Américas, com produção de polietileno, polipropileno e PVC, além de diversos produtos químicos.

Fonte: Correio Braziliense.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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