CAE também ouvirá o presidente do Coaf sobre o uso de contas-bolsão por fintechs, modelo que levanta dúvidas sobre transparência e tem sido associado a esquemas de lavagem de dinheiro
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, será ouvido nesta terça-feira (25/11) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para detalhar o acordo que levou o ex-presidente Roberto Campos Neto a pagar R$ 300 mil e encerrar um processo administrativo aberto enquanto comandava a instituição.
O termo de compromisso assinado por Campos Neto em junho deste ano extinguiu um processo que investigava falhas no monitoramento de operações de câmbio realizadas quando ele ainda era executivo do Banco Santander. Pelo acordo, ele se comprometeu a pagar o valor ao BC e a não reincidir nas práticas apontadas.
Esse tipo de termo só pode ser firmado em casos de infrações consideradas leves, aquelas que não representam risco à liquidez ou à solvência das instituições supervisionadas. Com a assinatura e o pagamento, o processo foi oficialmente encerrado.
Também foi convocado o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, que deve ser questionado pelos senadores sobre o uso das chamadas “contas-bolsão” por fintechs.
As convocações foram feitas a partir de requerimentos apresentados pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, que afirma que o modelo tem levantado dúvidas sobre transparência e rastreamento de transações financeiras.
Carbono Oculto
A conta-bolsão é aberta por pequenas fintechs em bancos ou instituições de pagamento e concentra recursos de vários clientes em uma única conta. O modelo se torna irregular quando é usado para oferecer serviços financeiros sem autorização ou para esconder valores e os reais beneficiários das operações, dificultando o rastreamento, quebras de sigilo e bloqueios judiciais.
Segundo as autoridades, facções criminosas têm utilizado esse mecanismo para movimentar dinheiro e ocultar a origem ilícita dos recursos. A Operação Carbono Oculto identificou o uso de pelo menos 40 fundos de investimento e fintechs em um esquema bilionário no setor de combustíveis para lavar dinheiro e disfarçar transações.
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Originalmente publicado em Correio Braziliense
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