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Diretora social da Afeprace, Joana Guedes, fala sobre o projeto social desenvolvido na Feira do Produtor de Ceilândia em prol de famílias carentes
A diretora social da Associação dos Feirantes Produtores Rurais e Atacadistas da Feira de Ceilândia e Entorno (Afeprace), Joana Guedes, falou com o TaguaCei a respeito do programa Desperdício Zero que há mais de duas décadas é coordenada por ela e pela associação.
Em sua entrevista, Joana fala sobre as famílias que são assistidas pelo programa e comenta a respeito das dificuldades e alegrias que é manter um projeto dessa natureza.
Joana também comenta sobre os processos de seleção das famílias, diz que a preferência é para às famílias mais necessitadas. Mas o programa também atende algumas instituições de caridade e funcionários que trabalham na Feira do Produtor de Ceilândia, onde o programa é desenvolvido.
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Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Jornal TaguaCei – Diretora Joana, como começou o projeto social Desperdício Zero? Sei que ele já existe há mais de 25 anos, mas conte para nossos leitores por qual motivo ele foi idealizado?
Joana Guedes – O Desperdício Zero começou bem pequenininho e hoje ele cresceu muito, inclusive com a quantidade de famílias assistida pelo programa. E como é feito esse trabalho? Nós temos dois funcionários e, além desses funcionários, nós temos várias pessoas que são voluntárias. Essas pessoas voluntárias são justamente as pessoas que recebem cesta (com verduras, frutas e legumes) do nosso programa.
Então, três vezes por semana a gente recolhe, faz a higienização e a classificação das mercadorias. Depois nós fazemos essa cesta com frutas e verduras para a comunidade carente que vive não só em Ceilândia, mas na região do Entorno do DF também. Aqui nós atendemos até famílias que vem da região administrativa de São Sebastião, Recanto das Emas, Riacho Fundo, Samambaia, Águas Lindas. Então, a gente atende a todos, porque eu acredito que a fome não tem lugar. Quem nos procura nós atendemos de braços abertos.
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J.T. – E qual é o perfil das famílias que recebem essas cestas? Como a senhora faz a seleção dessas famílias?
J.G. – Atendemos aquelas famílias que não têm condições de ir ao mercado para fazer uma compra de fruta, de verdura. Então, essas pessoas que são cadastradas aqui são realmente pessoas carentes. Eu mesma me preocupo muito em fazer esse levantamento junto às famílias para conhecer realmente a necessidade de cada um.
Essa seleção é feita por mim mesma, é uma seleção muito aprofundada porque muitas vezes a pessoa vem dizendo que precisa e não precisa. Então é preciso identificar isso.
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J.T. – Como as famílias fazem para se cadastrar? É preciso vir até à Feira do Produtor de Ceilândia e procurar pela senhora? Ou há outra forma de cadastramento?
J.G. – O cadastro é feito por nós aqui mesmo. Por isso, muitas vezes eu sou taxada como chata, porque sou muito exigente com relação ao cadastramento das famílias no Desperdício Zero. Então, quando a pessoa vem, eu converso, eu indago as pessoas para saber se realmente elas precisam de receber a cesta. Aí eu dou exemplos de pessoas que realmente precisam, que estão na fila para fazer o cadastro. Porque não é justo uma pessoa que não precisa vir tomar a vaga de uma família que precisa.
Então nós fazemos com que as pessoas usem a consciência, use o lado humano também. Porque, enquanto uma pessoa que não paga aluguel e que só são duas pessoas na casa, que tem seu carro próprio, pessoas assim até podem precisar, mas não tão quanto uma pessoa que paga aluguel, que só o marido trabalha e que ganha um salário mínimo, que tem três quatro filhos pequenos. Então, a prioridade é para atender esse tipo de família.
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J.T. – Então, a seleção é bastante criteriosa, né?
J.G. – Eu sou muito exigente nesse sentido e quando a pessoa vem toda boazinha dizendo que precisa que está precisando e tal e depois a pessoa chega aqui de carro principalmente carro bom, e eu vejo tudo, brinco que tenho olho de água, eu vejo tudo. Então, quando eu vejo, eu já chamo a pessoa e pergunto: “você acha que tem necessidade desse trabalho?”.
Aí, dou o exemplo de famílias que estão aguardando uma vaga, que estão passando fome, passando necessidades e que deixam de pegar, porque tem outras pessoas que não precisam ocupando a vaga.
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J.T. Senhora Joana, quem apoia o Desperdício Zero? O apoio deva ser fundamental para manter um programa grande como esse. Não é mesmo?
J.G. – Sim, se apoio não conseguiríamos fazer esse trabalho. Por isso, eu sempre agradeço muito, mas muito mesmo, ao presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), José Aparecido, que também é presidente do Sesc-DF e do Senac-DF, e que está sempre disposto a ajduar quando a gente precisa.
Nós temos uma parceria com o Sesc-DF, por meio do programa Mesa Brasil. Nós ajudamos o Mesa Brasil e eles também nos ajudam. Até recentemente o Mesa Brasil, sob a direção da Cláudia e do Gustavo, eles nos mandaram umas doações que deram para atender 170 famílias.
Eu gostaria muito de atender todas as famílias assistidas pelo programa, mas o Sesc-DF tem 100 instituição para ajudar, porque o trabalho do Mesa Brasil é um trabalho imenso, ele abrange o DF todo, eles são mais voltados para instituições de caridades, creches. Eu, às vezes, até perturbo a Cláudia, o Gustavo pedindo para aumentar a quantidade de doações, porque as doações que eles me mandam não dá para atender todas as famílias, aí, uma família fica sabendo, porque geralmente uma prima recebe um kit, e comenta com as outras famílias. Então, tem vez que não dá para atender todo mundo. Mas mesmo assim, já é uma ajuda grandiosa a que recebemos do Mesa Brasil.
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J.T. – Então apoio que vocês recebem do Sesc-DF realmente é fundamental para o desenvolvimento do projeto Desperdiço Zero. E esse apoio é suficiente?
J.G. – Sim. Por isso, eles já me mandam a quantidade de família que dá para atender, aí eu vejo que dá para atender duas vezes na semana, mas aí tem as outras famílias da terceira semana, que não dá para atender. Porque aqui nós também atendemos as pessoas que trabalham na Feira do Produtor como empurradores de carrinho, os que puxam os carrinhos no galpão. Eles geralmente ganham 1 salário mínimo, e a maioria tem família, família grande, a maioria paga aluguel. Então, uma pessoa que ganha um salário mínimo, que paga aluguel, com três, quatro filhos, precisa também, porque senão a sobrevivência uma pessoa dessa fica difícil.
Também temos a ajuda dos parceiros da feira, que são produtores, atacadistas que também nos fazem doações. Por isso só tenho a agradecer esse pessoal. Com essas doações nós fazemos as cestas e entregamos aqueles funcionários que mais precisam.
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J.T. – O Sesc-DF tem uma parceria muito antiga e muito forte com a Feira do Produtor de Ceilândia. Fale um pouco sobre isso.
J.G. – Olha, o Sesc-DF tem uma estrutura que no DF não conheço igual. É a única estrutura que eu vejo de social no DF, que se chama Mesa Brasil. Por isso, mais uma vez eu parabenizo a eles. Parabenizo também o nosso presidente da Afeprace, Vilson José e toda direção da feira. Gosto sempre de agradecer o apoio que é muito grande, vocês não imaginam a quantidade de famílias que são ajudadas.
Foi através de mim que construímos essa parceria com o Sesc-DF começou e estamos juntos com o Mesa Brasil até hoje. Eu sempre digo que a vida não pode parar nunca, enquanto eu tiver vida, eles me aceitarem como diretora social, eu estarei aqui na feira trabalhando em prol de todas as famílias carentes e instituição, porque aos sábados nós atendemos 14 instituição, como casas de apoio, casas de recuperação e outras.
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J.T. A senhora pode ficar à vontade para agradecer a todos que te ajudam. Pois, como bem a senhora explicou, o Desperdiço Zero é um programa feito por meio do coletivo.
J.G. – Sim. Eu gostaria de agradecer ao Sesc-DF, agradecer à Cláudia, que é uma pessoa com um coração maravilhoso, de uma competência invejável. Eu sempre falo para ela que o compromisso que ela tem com o Mesa Brarsil, com o Sesc-DF é muito grande. Agradecer ao presidente do Sesc-DF, José Aparecido, ao nosso presidente da Afreprace, Vilson José, ao Zé Júnior, aos feirantes, aos produtores, e dizer que a gente está sempre aqui de braços abertos, sempre apoiando um ao outro.
Estamos aqui para somar com a comunidade, e espero que Deus me dê muita força, muita saúde para continuar com esse projeto.
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