A 100 dias do 1º turno: veja como está o cenário da eleição presidencial

Em 4 de outubro, cerca de 155 milhões de brasileiros deverão ir às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais

A exatos 100 dias das eleições de 2026, o cenário da disputa presidencial entra em uma nova fase. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidou a liderança nas pesquisas de intenção de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição, perdeu fôlego após semanas marcadas por desgaste político.

Os levantamentos mais recentes do Datafolha e da Genial/Quaest mostram Lula à frente tanto no primeiro quanto no segundo turno. As pesquisas também indicam uma queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, que até o mês passado vinha reduzindo a distância para o presidente e chegou a aparecer tecnicamente empatado em algumas simulações.

A perda de espaço de Flávio Bolsonaro coincide com a divulgação de reportagens do Intercept Brasil sobre mensagens e áudios que reveleram pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a publicação, cerca de R$ 61 milhões teriam sido destinados à produção entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados da família Bolsonaro. O caso passou a ocupar espaço no debate político e aumentou a pressão sobre a campanha do senador.

No Datafolha, Lula registra 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Os demais candidatos aparecem distantes, todos com até 3% das preferências do eleitorado. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 4% dos entrevistados ainda se declaram indecisos.

Na simulação de segundo turno, o presidente tem 47% das intenções de voto, contra 43% do senador do PL, diferença de quatro pontos percentuais, mesma vantagem observada no levantamento anterior.

A pesquisa também mostra uma forte polarização. Lula e Flávio lideram, mas também concentram os maiores índices de rejeição. O senador é rejeitado por 48% dos eleitores, enquanto 46% afirmam que não votariam no atual presidente.

Os dados revelam ainda uma divisão regional e socioeconômica do eleitorado. Lula mantém vantagem entre mulheres, eleitores de menor renda, pessoas com ensino fundamental, católicos e moradores do Nordeste. Flávio Bolsonaro lidera entre homens, eleitores de renda média e alta, evangélicos e moradores da Região Sul.

A pesquisa Genial/Quaest confirma o movimento. Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio recua de 33% para 29% em relação ao levantamento anterior. No segundo turno, o presidente abre vantagem de seis pontos, com 44% contra 38%.

Outro dado observado pelos pesquisadores é o crescimento do número de indecisos, que passou de 5% para 10% em apenas um mês, indicando que parte do eleitorado ainda pode redefinir seu voto durante a campanha oficial.

Apesar disso, tanto Lula quanto Flávio possuem bases eleitorais consideradas fiéis. Entre os eleitores do presidente, 71% afirmam que o voto é definitivo. Entre os apoiadores do senador, esse percentual é de 70%.

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