A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou ontem que, a partir do próximo domingo (28/6), o valor das passagens de seis linhas do Entorno, todas da Taguatur, sofrerão aumentos que variam de 2,8% a 13,59%. Outras duas terão redução: Novo Gama (Lago Azul)/Gama, que sai de R$ 3,80 para R$ 3,40 (menos 10,53%), e a Novo Gama (Pedregal)/Gama, que passa de R$ 3,65 para R$ 3,40 (diminuição de 6,85%).
Veja os novos valores e de quanto foi o aumento:

De acordo com a ANTT, o último reajuste das tarifas da Taguatur ocorreu há quase três anos, em agosto de 2023.
A notícia não agradou a moradores do Entorno e passageiros que utilizam as linhas atingidas. A secretária Larissa Silva, 25 anos, avalia que é um “absurdo” o aumento das tarifas. Embora não more em Goiás, ela utiliza a linha de ônibus que vai do Girassol (Cocalzinho de Goiás) a Brasília porque o transporte passa na área rural Vista Bela — localizada em Ceilândia e onde a usuária vive. “A passagem está quase R$ 11 e ainda aumentam o valor. Poderiam, pelo menos, aumentar a quantidade de circulação de ônibus e transportes com infraestrutura melhores”, opina.
William Oliveira, 37, mora em Águas Lindas e vem para Brasília todos os dias trabalhar em um escritório. Com a notícia do aumento, ele teme ser demitido assim como muitas pessoas que residem no Entorno, devido ao custo para os empregadores. “O patrão não vai querer aumentar o vale- transporte. Com a passagem mais cara, vai preferir contratar alguém do Distrito Federal”, diz.
Para o pesquisador em mobilidade urbana, professor da Universidade de Brasília (UnB) e mestre em políticas públicas Carlos Penna Breschianini, o novo aumento é “terrível”. O professor comenta que nenhum reajuste é pouco para a população. “Isso vai ter um grande impacto na vida das pessoas. Ficamos correndo atrás do próprio rabo nessa discussão”, afirma.
Carlos Penna comenta que a perda de emprego pode ocorrer e é um medo real. Segundo o especialista, dependendo do destino, a pessoa pode gastar mais de R$ 800 por mês. “Esse alto valor impacta o cenário do micro ao macro. Todo mundo sai prejudicado. Todo empresário, do pequeno ao grande, usa o valor da passagem como um fator crucial na hora da contratação. Isso pesa muito”, diz. “Os trabalhadores do Entorno trabalham por um salário contado, qualquer mudança tem um impacto imenso em toda a renda familiar”, acrescenta.
Com mais um aumento, os usuários do transporte público se perguntam o que pode mudar para melhorar. O especialista avalia que é necessário voltar a investir em transporte sobre trilhos, afirmando que o abandono do sistema ferroviário e do metroviário é um problema muito grande. “Já era para existir a linha do metrô que alcance Santa Maria e o Gama, que faz divisa com Valparaíso. Assim também como o trem do Entorno que ligaria Luziânia e Valparaíso a Brasília”, exemplifica.
Com informações do Correio Braziliense



