TaguaCei — O candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, afirmou que pretende continuar na política e reorganizar o campo progressista após perder o segundo turno das eleições para Celina Leão (PP). Em pronunciamento na sede nacional do Partido dos Trabalhadores, no Setor Comercial Sul, em Brasília, ele agradeceu aos eleitores, reconheceu a vitória da adversária e prometeu manter a atuação em defesa dos serviços públicos e da população em situação de vulnerabilidade.
Grass afirmou que telefonou para Celina Leão e para o vice-governador eleito, Gustavo Rocha (Republicanos), para parabenizá-los pelo resultado. “Respeito a democracia sempre”, declarou.
O petista também agradeceu à família, à militância, aos partidos aliados, às lideranças políticas e aos profissionais de imprensa que acompanharam os cerca de 70 dias de campanha.
União das forças progressistas
Ao avaliar o resultado eleitoral, Grass destacou a união dos partidos e movimentos de esquerda no Distrito Federal. Segundo ele, a articulação contribuiu para o desempenho da candidatura e para a manutenção da presença progressista na política local.
“Conseguimos unificar todo o campo progressista do DF. Tivemos a maior votação do campo desde 2010”, afirmou.
O candidato recebeu mais de 739 mil votos no segundo turno, o equivalente a 42,82% dos votos válidos, mas não conseguiu superar Celina Leão, eleita com 57,18%. A disputa consolidou a vitória da candidata do PP, conforme os resultados do segundo turno para o Governo do Distrito Federal.
Apoio ao governo Lula
A manifestação de Grass também foi marcada pela comemoração da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. O candidato defendeu que o campo progressista dê sustentação ao novo mandato do presidente.
“Lula reeleito para o bem do povo brasileiro, da democracia e do futuro. E agora é darmos a ele toda força, toda sustentação para que ele consiga fazer o seu último governo”, declarou.
Grass ressaltou que a esquerda continua tendo uma base eleitoral expressiva no Distrito Federal, apesar da derrota na disputa pelo Palácio do Buriti.
“Muita gente falava há 10 anos que o PT tinha acabado. Eu ouvi isso: ‘Ah, o PT acabou. Ah, a esquerda já era’. Sobrou nada da esquerda. Nós saímos da urna aqui com mais de 720 mil votos, quase isso”, afirmou.
O petista também defendeu a organização da sociedade para acompanhar o próximo governo federal e enfrentar os desafios do país. “Agora é manter o povo organizado, manter a sociedade organizada também diante dos desafios desse quarto mandato. E o Brasil não pode andar para trás”, disse.
Trabalho de base e próximos passos
Grass defendeu que a reorganização do campo progressista comece pela retomada do trabalho de base e pela aproximação com a população, especialmente nas regiões administrativas que enfrentam dificuldades no acesso aos serviços públicos.
Para ele, a mobilização durante a campanha ultrapassou os limites dos partidos e reuniu pessoas comprometidas com as propostas apresentadas.
“A campanha não é mais do partido, ou dos partidos. Ela é uma campanha do povo. Quem se mobilizou e foi para a rua foi o povo. Nós fomos com eles, com as pessoas”, afirmou.
O candidato também prometeu continuar defendendo grupos socialmente vulneráveis e pessoas com menor participação nos espaços de decisão política.
“Nós vamos continuar trabalhando, como eu disse, continuar do lado da população, defendendo os mais necessitados, lutando por aqueles que não têm poder, que não têm voz”, declarou.
Questionado sobre os próximos passos, Grass afirmou que sua atuação política não depende da ocupação de um cargo público. Ele pretende continuar trabalhando como professor e avaliar os caminhos que seguirá após o encerramento da eleição.
“Temos um plano que não depende de cargo, não depende de função. A minha profissão é professor, vou continuar sendo professor”, disse.
Trajetória política
Leandro Antonio Grass Peixoto, de 41 anos, é sociólogo, professor e mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB). Ele iniciou sua trajetória na militância social, foi eleito deputado distrital em 2018 e presidiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) até o início de 2026.
Na eleição de 2026, concorreu ao governo do DF pela Federação Brasil da Esperança, com Dora Gomes (PV) como candidata a vice. Em 2022, Grass também disputou o Palácio do Buriti e terminou em segundo lugar.
Durante aproximadamente 70 dias de campanha, percorreu as regiões administrativas do Distrito Federal para apresentar propostas, participar de caminhadas, carreatas e conversar com eleitores. A campanha estimou que o candidato percorreu cerca de 15 mil quilômetros.
Grass relatou que a rotina intensa foi acompanhada por mudanças na vida familiar. Durante a campanha, ele e a esposa descobriram que esperavam um filho, o que levou o candidato a reorganizar parte dos compromissos para acompanhar a gestação.
Apesar da derrota, o petista afirmou que pretende manter a mobilização política e a defesa das propostas apresentadas durante a campanha.
Fonte: Correio Braziliense



