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Solidariedade a Cuba é um dever da luta anti-imperialista

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País sufocado pelo criminoso bloqueio iniciado logo após a Revolução simboliza a luta dos povos por seus direitos, por soberania e pelo direito internacional

A resistência cubana ao cerco imperialista desde os primeiros passos da Revolução de 1959 é um feito notável. Atualmente, o país enfrenta possivelmente o seu maior desafio, diante da ofensiva do presidente estadunidense Donald Trump, que incentiva inclusive atos como o caso da lancha que ingressou em águas cubanas e resultou na morte de quatro pessoas. “Cuba não está atacando nem ameaçando ninguém; já declaramos isso repetidamente. No entanto, confirmamos que Cuba se defenderá de forma resoluta e firme contra qualquer agressão terrorista ou mercenária que vise minar a soberania e a estabilidade nacional do país”, reagiu o presidente cubano Díaz-Canel.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que “desde 1959, Cuba tem enfrentado repetidamente incursões terroristas e agressivas dos Estados Unidos, que causaram um alto custo em vidas, feridos e danos materiais”. A constatação se insere no criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro iniciado com a Lei de Assistência Externa, de 1961, consolidado pelo presidente John Fitzgerald Kennedy e reforçado pela Lei Torricelli, de 1992, e pela Lei Helms-Burton, de 1996, anualmente condenado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Tudo isso constitui retaliação à altivez do povo cubano, que instituiu o socialismo nas barbas do império. A Revolução Cubana marcou também um momento decisivo do projeto socialista, então em ascensão no mundo, em pleno período de agressividade da chamada Guerra Fria anticomunista. Ou seja: o bloqueio é a guerra por outros meios.

A Revolução, jurada de morte, sustentou-se essencialmente pelas próprias forças, sobretudo após o fim do bloco de países liderados pela União Soviética, em 1991, vencendo o duro teste de sobrevivência diante do fechamento das portas para suas atividades comerciais e para seu principal apoio político no cenário internacional. O chamado “período especial” ocorreu justamente quando o imperialismo viu uma oportunidade para impor a derrota da Revolução.

Mais tarde, nos anos 2000, Cuba foi incluída no “eixo do mal”, anunciado pelo então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao lado do Irã, do Iraque e da República Popular Democrática da Coreia. O país foi atingido por uma onda de ações terroristas, com sequestros de barcos e aviões — prática antiga que motivou o envio de agentes de inteligência cubanos para prevenir atos terroristas e que resultou na prisão, em 1998, em Miami, e posterior condenação nos Estados Unidos, dos chamados “cinco heróis”.

Cuba também foi incluída na lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo pelo presidente Ronald Reagan, em 1982. A decisão foi revogada por Barack Obama, em 2015, restituída por Trump, em 2021, novamente retirada por Joe Biden e reinserida por Trump no início de seu atual mandato, em 2025.

Cuba enfrentou tudo isso com a força de seu povo, do Partido Comunista e de suas lideranças, sempre contando, em diferentes graus, com apoio e solidariedade de governos e povos. Ao mesmo tempo, desenvolveu programas de solidariedade internacional, como a Operação Milagro — lançada em 2004 em conjunto com a Venezuela para oferecer tratamento médico gratuito a pessoas com problemas oculares —, o método de alfabetização Yo, sí puedo e, sobretudo, o “internacionalismo médico” ou “diplomacia das batas brancas”: o envio de médicos a diferentes regiões do planeta, além da Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), voltada a estudantes de baixa renda de todo o mundo.

Foi igualmente ativa na solidariedade aos povos africanos, com o envio de trinta mil soldados, médicos e professores para Angola, na “Operação Carlota”, ação decisiva para a independência angolana, para o combate ao apartheid na África do Sul e para a libertação da Namíbia. Também apoiou organizações que lutaram contra as ditaduras na América Latina, inclusive no Brasil.

Esses fatos reforçam os laços com as forças anti-imperialistas, compondo um movimento mundial de apoio ao povo e à Revolução Cubana. O ódio do império está intimamente ligado ao poder internacionalista do socialismo cubano. A crueldade de Trump — ao reforçar o bloqueio e ameaçar com agressão militar o fornecimento de petróleo após o ato terrorista que sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro — mostra a dimensão desse ódio.

A ordem executiva de Trump designa Cuba como “uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos” e impõe tarifas a qualquer país que forneça petróleo à ilha. Cuba produz apenas cerca de 40% de suas necessidades de combustível, dependendo fortemente de importações para sustentar sua economia e a produção de energia elétrica.

Trump expressa, com essa atitude, práticas do velho colonialismo, como suas pretensões de tomar posse da Groelândia e da Faixa de Gaza, na Palestina, além de ameaçar outros países. No caso de Cuba, reforça o estereótipo anticomunista de que o socialismo fracassou justamente num momento em que as ideias revolucionárias recuperam prestígio, sobretudo pela pujança da China. Faz isso proclamando uma nova era de força como método para combater todas as formas de resistência à opressão imperialista.

Neste momento em que Cuba emite um sinal de socorro, cabe ao mundo democrático, patriótico e progressista responder ativamente, a exemplo da presidente do México, Claudia Sheinbaum. “Continuaremos enviando ajuda humanitária, suprimentos alimentares e atendendo a outros pedidos feitos pelo governo cubano”, afirmou. E a organização humanitária Nuestra América convocou uma iniciativa de solidariedade internacional para levar ajuda humanitária à ilha em 21 de março.

No Brasil, movimentos sociais, entidades dos trabalhadores, partidos progressistas e personalidades conduzem ativa campanha de solidariedade a Cuba, tanto política quanto material. Campanha que deve prosseguir, mais ampla e mais forte.

O Brasil democrático e progressista, inclusive na esfera do governo Lula, tem esse dever para com um país que socorreu o povo brasileiro com o Programa Mais Médicos, no governo da presidente Dilma Rousseff, atendendo comunidades em locais de extrema precariedade no atendimento à saúde.

O governo brasileiro cultiva parcerias e apoios ao povo e ao governo cubano por meio de diversos ministérios. Entretanto, a situação que se impôs hoje é extraordinária e de extrema gravidade, exigindo um grau superior e emergencial de ajuda e solidariedade.

Ontem, a soberania atacada foi a da Venezuela; agora é a de Cuba que está sob ataque, pois privar a ilha de combustível, alimentos e remédios é uma forma de guerra. Amanhã, qual será o próximo país? Tais agressões imperialistas não podem se tornar o “novo normal” da América Latina e do Caribe. É preciso enfrentar a pressão e a chantagem do imperialismo e das classes dominantes para defender uma causa que, além de seu significado humanitário, ergue na região uma barreira contra a ofensiva neocolonial do governo Trump.

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Jeová Rodrigues

Jornalista

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