TaguaCei — O Distrito Federal registrou 99 hectares de área desmatada em 2025, um aumento de 216,2% em relação aos 31 hectares contabilizados no ano anterior. A área corresponde a aproximadamente 139 campos de futebol. Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento (RAD) de 2025, elaborado pelo MapBiomas e divulgado em maio de 2026. Fonte: Metrópoles.
O número registrado em 2025 representa uma forte alta percentual, mas ainda está próximo da média histórica de desmatamento do Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema-DF), a média anual entre 2019 e 2025 foi de 102,85 hectares. Com exceção de 2023, o resultado de 2025 ficou abaixo da média do período.
O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) avalia que o crescimento percentual deve ser analisado considerando a baixa registrada em 2024, quando o DF alcançou o menor índice da série histórica, com apenas 31 hectares.
Segundo o órgão, a supressão de vegetação está concentrada principalmente em áreas de expansão urbana, parcelamentos irregulares e zonas de transição do Cerrado. O instituto também aponta que períodos de seca intensa e queimadas contribuem para a pressão sobre a vegetação.
Para enfrentar o problema, os órgãos ambientais afirmam ter ampliado ações de fiscalização, monitoramento por satélite, combate a invasões e manejo integrado do fogo.
A Sema-DF informou que parte do aumento registrado está relacionada à emissão de autorizações para supressão de vegetação em áreas onde a atividade é permitida, tanto em regiões urbanas quanto rurais. Conforme a secretaria, toda a supressão contabilizada entre 2024 e 2025 ocorreu em áreas rurais de uso controlado, de acordo com a classificação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).
Ainda segundo a pasta, os dados apontam que a supressão de vegetação no Distrito Federal ocorre predominantemente de forma autorizada e está concentrada em áreas destinadas ao uso produtivo rural. Essas regiões são frequentemente compostas por vegetação típica do Cerrado, com cobertura arbórea e arbustiva mais esparsa.
Cenário diferente do registrado no país
O aumento do desmatamento no Distrito Federal ocorreu em sentido contrário ao observado no Brasil. Em 2025, o país registrou, pela primeira vez na série histórica do MapBiomas Alerta, menos de 1 milhão de hectares desmatados, uma redução de 20,6% em comparação com 2024.
Apesar da queda nacional, o Cerrado permaneceu como o bioma com a maior área desmatada. Foram 540.614 hectares retirados em 2025, o equivalente a 55% de todo o desmatamento registrado no país.
A cientista ambiental Roberta Rocha, responsável pelos dados de desmatamento do Cerrado e pelo Relatório Anual do Desmatamento, afirmou que 2025 foi marcado por uma redução do desmatamento no Brasil. Segundo ela, porém, o Distrito Federal esteve entre as unidades da Federação que registraram crescimento.
A especialista ressaltou que a participação do DF no total nacional é pequena diante dos números registrados por outros estados. Ela também relacionou o aumento à dinâmica de ocupação e uso da terra na capital federal, incluindo a expansão urbana e o desenvolvimento de atividades agropecuárias.
Roberta Rocha destacou ainda que o RAD contabiliza a área desmatada, mas não mede diretamente os impactos ambientais provocados pela retirada da vegetação.
Como o Distrito Federal está integralmente inserido no bioma Cerrado, a remoção da cobertura vegetal pode contribuir para a fragmentação de habitats e afetar a biodiversidade.
A retirada da vegetação também pode reduzir a capacidade de infiltração da água no solo, aumentando o risco de diminuição da disponibilidade hídrica e de enchentes. Esses fatores, segundo a cientista, podem trazer impactos para a qualidade de vida da população.
Fiscalização e preservação
A Sema-DF informou que mantém medidas destinadas a combater o desmatamento ilegal e reduzir os impactos da supressão autorizada. Entre as ações estão o monitoramento territorial por câmeras, imagens de satélite e ferramentas de identificação de áreas desmatadas, além de operações de fiscalização.
A secretaria também afirmou que áreas e lotes localizados em regiões administrativas e novos parcelamentos urbanos, sejam eles consolidados ou em processo de regularização, recebem destinação voltada à manutenção da arborização e ao plantio de espécies nativas do Cerrado.
As ações incluem ainda reformas urbanísticas, criação de espaços destinados à arborização, manutenção e recuperação de áreas verdes, reflorestamento e conservação de áreas protegidas.
Incêndios em vegetação
Além do desmatamento, o Distrito Federal enfrenta um elevado número de incêndios em vegetação durante o período de seca.
Dados do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) apontam que, entre janeiro e agosto de 2026, foram registradas 4.217 ocorrências desse tipo.
Entre janeiro e abril, foram 468 registros. Durante a Operação Verde Vivo, foram contabilizadas 589 ocorrências em maio, 554 em junho e 1.096 em julho.
Somente entre 1º e 23 de agosto, o número chegou a 1.510 ocorrências, tornando o mês um dos períodos de maior concentração de incêndios em vegetação.
Em 2025, a Operação Verde Vivo, realizada entre maio e outubro, contabilizou 6.488 ocorrências. Agosto foi o mês com maior número de registros, com 1.826 casos.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



